Alguém deve mandar na IA? ONU cria comitê – e EUA desaprova ideia

Representantes dos EUA não gostaram do comitê global criado pela ONU, anunciado no AI Summit, para ficar de olho nos avanços da IA
Pedro Spadoni
Pedro Spadoni 20/02/2026 11:12, atualizada em 20/02/2026 21:01

A Organização das Nações Unidas (ONU) montou um grupo de 40 especialistas para acompanhar de perto o avanço da inteligência artificial (IA) mundo afora. O anúncio ocorreu durante AI Summit, na Índia. O objetivo é monitorar riscos e garantir o controle humano sobre as mudanças na tecnologia daqui para a frente.

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O secretário-geral da ONU, António Guterres, explicou que o grupo funcionaria como um “IPCC da inteligência artificial”. Essa é a sigla do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas. Em essência, ele reúne comitês que estudam as mudanças no clima. 

A iniciativa da ONU tenta lidar com preocupações sobre o fim de vagas de trabalho, o aumento de notícias falsas e o grande consumo energético de data centers. Mas ​​os Estados Unidos não gostaram da iniciativa.

Estados Unidos e grandes empresas não querem controle único sobre IA criado pela ONU

Representantes dos Estados Unidos disseram que o excesso de burocracia e de regras pode travar inovações e o crescimento da economia. O governo americano defende um modelo focado no empreendedorismo, com leis que facilitem investimentos e mantenham o país à frente de outros competidores no mercado internacional.

O CEO da OpenAI, Sam Altman, também participou do debate e afirmou que regras de segurança são urgentes para evitar riscos maiores relacionados à tecnologia. Porém, ele alertou que concentrar o controle da IA em apenas um país ou em uma só empresa seria um caminho perigoso para o futuro. Para o executivo, se as normas forem rígidas demais, o desenvolvimento de novos produtos e serviços será prejudicado.

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O presidente Lula defendeu regras globais para as empresas de tecnologia no AI Summit, na Índia (Imagem: Ricardo Stuckert/Presidência da República)

A cúpula na Índia foi o primeiro encontro desse tamanho organizado num país em desenvolvimento, com foco em atrair dinheiro de fora. O governo indiano planeja receber mais de US$ 200 bilhões (pouco mais de R$ 1 bilhão) em investimentos nos próximos dois anos para impulsionar o setor. Por isso, o país está fechando acordos com big techs dos EUA.

Até agora, não há um acordo entre o que a ONU propõe e o que as potências financeiras desejam. Enquanto o Brasil avisa que a falta de regras mundiais vai aumentar a desigualdade entre as nações ricas e pobres, os países que lideram o setor preferem manter o ritmo rápido dos seus avanços.

(Essa matéria usou informações de AFP e The Economic Times.)

Pedro Spadoni
Pedro Spadoni

Pedro Spadoni é jornalista formado pela Universidade Metodista de Piracicaba. Já escreveu para sites, revistas e jornal.

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