O ‘laser cósmico’ descoberto graças a um truque de Albert Einstein

Fenômeno que ocorre em colisões de galáxias só pôde ser visto porque passou por lente gravitacional, efeito no espaço previsto por Einstein
Uma composição minimalista e poderosa. No lado esquerdo, no espaço profundo, uma explosão massiva de colisão de galáxias gera um ponto de luz de rádio incrivelmente brilhante e concentrado—a
(Imagem: Pedro Spadoni via Gemini/Olhar Digital)

Astrônomos na África do Sul, utilizando o radiotelescópio MeerKAT, detectaram um “laser espacial” recordista localizado a mais de oito bilhões de anos-luz da Terra. O sinal é tão potente e brilhante que os pesquisadores sugeriram classificá-lo como um gigamaser, nível de energia acima do que era conhecido até então.

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Esse fenômeno ocorre em galáxias que estão se chocando de forma violenta. Ele funciona como uma espécie de farol cósmico que brilha através de vastas distâncias do Universo. A luz captada agora partiu de sua origem quando o Cosmos tinha menos da metade da idade atual. Isso ajuda os cientistas a entenderem o crescimento e a evolução de galáxias antigas.

Como uma ‘lente’ natural no espaço ampliou o sinal do laser

O sinal do laser só pôde ser visto porque passou por uma lente gravitacional, efeito no espaço previsto por Albert Einstein. No caminho para a Terra, uma galáxia perfeitamente alinhada funcionou como uma lente de aumento. 

“Essa galáxia age como uma lente, igual uma gota d’água num vidro, porque sua massa curva o espaço-tempo local”, explicou Thato Manamela, da Universidade de Pretória, que liderou a pesquisa.

Montagem com ilustração de como radiotelescópio MeerKAT detectou laser espacial no espaço
O sinal do laser só pôde ser visto pelo radiotelescópio MeerKAT porque passou por uma lente gravitacional (Imagem: Observatório Sul-Africano de Astronomia de Rádio – SARAO)

Embora os cientistas usem o termo “laser”, este objeto dispara micro-ondas (ondas de rádio) em vez de luz visível. Por isso, é tecnicamente chamado de maser. Ele é criado quando galáxias colidem e “apertam” nuvens de gás, fazendo com que moléculas de hidroxila se agitem e emitam um feixe de rádio muito intenso.

Este sistema é realmente extraordinário. Estamos observando o equivalente em rádio de um laser a meio caminho do Universo.

Thato Manamela (Universidade de Pretória), principal autor do estudo

O sistema descoberto recebeu o nome técnico de HATLAS J142935.3–002836. E é o mais distante desse tipo já registrado (daí o “recordista” no primeiro parágrafo desta matéria). Aliás, a pesquisa destacou a capacidade da tecnologia sul-africana em processar terabytes de dados para encontrar sinais fracos e distantes.

Antigamente, esses fenômenos eram considerados extremamente raros. Mas telescópios sensíveis como o MeerKAT estão começando a encontrá-los com mais frequência. Mesmo vindo de “metade do caminho” através do Universo, este gigamaser produziu um sinal surpreendentemente forte graças à combinação da tecnologia humana com os efeitos naturais do espaço.

Os cientistas afirmam que esta é apenas a primeira de muitas descobertas. O objetivo é encontrar milhares de sistemas semelhantes nos próximos anos. Esse trabalho prepara o caminho para o projeto Square Kilometre Array (SKA), que será o maior esforço de astronomia (de rádio) do mundo para mapear a história do Universo.

O estudo foi aceito para publicação no periódico científico Monthly Notices of the Royal Astronomical Society Letters.

(Essa matéria usou informações do Observatório Sul-Africano de Astronomia de Rádio – SARAO.)

Pedro Spadoni
Pedro Spadoni

Pedro Spadoni é jornalista formado pela Universidade Metodista de Piracicaba. Já escreveu para sites, revistas e jornal.

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