Meta vai cobrar por mensagens enviadas para IAs no WhatsApp; entenda

Cobrança deve afetar serviços como ChatGPT e Copilot
Vitoria Lopes Gomez
Vitoria Lopes Gomez, editado por Layse Ventura 09/03/2026 10:10, atualizada em 09/03/2026 21:02

A Meta vai cobrar pelo envio de mensagens a chatbots de inteligência artificial no WhatsApp no Brasil. A medida deve afetar serviços de IA populares no país, como ChatGPT, Copilot, Zapia e Luzia. As informações foram obtidas pelo Uol.

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A decisão ocorre após uma disputa regulatória envolvendo o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e empresas que utilizam o WhatsApp para distribuir assistentes de IA. A Meta já havia se posicionado de forma contrária aos serviços, dizendo que o mensageiro não foi projetado para este tipo de uso e que o local correto para isso seria em lojas de aplicativos.

A cobrança cairá diretamente nas plataformas que operam as IAs dentro do WhatsApp. O valor oficial da mensagem fica em US$ 0,0625, o equivalente a R$ 0,33. O número em si é baixo, mas, em larga escala, pode representar milhões de reais em despesas mensais para companhias com grande volume de interações.

A Meta deu detalhes de como funciona a cobrança neste link. Cada resposta gera uma tarifa separada. Por exemplo: se um usuário enviar uma mensagem e o sistema responder três vezes em um intervalo de cinco minutos, serão três cobranças.

As tarifas no Brasil entram em vigor no dia 11 de março.

Logos de WhatsApp e Meta AI
Investigação do Cade procura determinar se a decisão da Meta configura abuso de posição dominante e prioriza o Meta AI dentro do WhatsApp (Imagem: Algi Febri Sugita/Shuttersock) – Imagem: Algi Febri Sugita / Shuttersock

Meta e WhatsApp x Cade

A disputa começou depois que a Meta alterou as regras de uso da API do WhatsApp Business, ferramenta voltada originalmente para empresas se comunicarem com clientes.

De acordo com a companhia, desenvolvedores de IA passaram a utilizar essa infraestrutura criando contas próprias e operando chatbots como se fossem empresas tradicionais. Na avaliação da big tech, o recurso foi projetado para negócios e serviços comerciais, e não para interações massivas com assistentes de IA.

A Meta também argumentou ao Cade que o WhatsApp não foi concebido como plataforma principal para distribuição de chatbots e que a presença desses serviços poderia sobrecarregar a infraestrutura do aplicativo.

Em janeiro, a Superintendência-Geral do Cade abriu uma investigação para avaliar se a determinação da Meta poderia configurar abuso de posição dominante, já que, sem concorrentes como ChatGPT ou Copilot, o Meta AI poderia se tornar a única solução de inteligência artificial disponível no aplicativo.

Após a decisão do tribunal nesta semana, a Meta reativou o plano de cobrança.

O que diz a Meta x empresas de IA

O Olhar Digital entrou em contato com a Meta para posicionamento. A empresa apenas enviou o link com os detalhes sobre a política.

Já entre as empresas afetadas, a reação tem sido diversa. Uma provedora de IA que falou ao Uol afirmou que a cobrança pode contrariar o entendimento do Cade, que havia determinado a suspensão do bloqueio aos chatbots.

A startup Zapia disse que ainda avalia o cenário e afirma não ter recebido comunicação oficial da Meta sobre a cobrança. Para a empresa, a decisão do Cade indicaria que os preços não deveriam ser aplicados nas atuais condições.

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Já a espanhola Luzia considera que os novos custos tornam inviável manter sua operação no WhatsApp na escala atual. Segundo a companhia, a estratégia agora é priorizar outros canais de distribuição.

A Microsoft, responsável pelo Copilot, também foi contatada. A nota será atualizada com o retorno.

Como ficam os usuários?

  • Os usuários não serão cobrados;
  • No entanto, como as empresas serão tarifadas, podem optar por deixar ou reduzir sua presença no WhatsApp, alterando a oferta de chatbots no aplicativo.
Vitoria Lopes Gomez
Vitoria Lopes Gomez

Vitoria Lopes Gomez é jornalista formada pela Universidade Estadual Paulista (UNESP) e redatora do Olhar Digital.

Layse Ventura
Layse Ventura

Layse Ventura é editora de SEO no Olhar Digital e mestre pela UFSC.

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