Brasil dá adeus definitivo à TV analógica e abre caminho para expansão do 4G

Medida encerra ciclo de transição tecnológica que possibilitou liberação da faixa de frequência de 700 MHz para expansão da rede 4G
Rodrigo Mozelli
Rodrigo Mozelli, editado por Layse Ventura 10/03/2026 18:43, atualizada em 10/03/2026 21:21

O Brasil concluiu, oficialmente, o processo de desligamento da televisão analógica, dando novo passo para a modernização da TV aberta e para ampliar a conectividade de internet no país. O anúncio foi feito pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) na segunda-feira (9).

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A medida encerra ciclo de transição tecnológica que levou televisão digital para milhões de brasileiros e possibilitou a liberação da faixa de frequência de 700 MHz, considerada essencial para ampliar a cobertura da internet móvel 4G em todo o território nacional.

O processo foi coordenado pelo Grupo de Implementação do Processo de Redistribuição e Digitalização de Canais de TV e RTV (Gired) e teve sua conclusão efetiva em dezembro de 2025, após anos de implementação em diferentes regiões do país.

Para o ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho, o encerramento do desligamento representa um marco para o setor de comunicações no Brasil.

“O desligamento da TV analógica marca um avanço importante para o Brasil. Além de levar mais qualidade de imagem e som para milhões de brasileiros com a TV digital, essa transição também permitiu liberar espectro para ampliar a cobertura da internet móvel 4G, fortalecendo a conectividade e a inclusão digital em todo o país”, destacou o ministro.

Digitalização da TV

Durante a apresentação de um balanço da política pública, o presidente do Gired, Octavio Penna Pieranti, detalhou os resultados do processo de digitalização da televisão no país.

Segundo ele, ao longo da transição tecnológica:

  • Mais de 14 mil canais analógicos foram desligados;
  • 20 mil canais digitais passaram a integrar o plano básico de radiodifusão;
  • Mais de 14 milhões de kits de TV digital foram distribuídos gratuitamente para famílias de baixa renda inscritas no Cadastro Único (CadÚnico).

Ex-Ministro das Comunicações, Juscelino Filho, e o presidente da EBC, Jean Lima, durante evento de apresentação da TV 3.0
Ministro das Comunicações, Juscelino Filho, e o presidente da EBC, Jean Lima, durante evento de apresentação da TV 3.0 (Imagem: Fabio Rodrigues- Pozzebom/Agência Brasil)

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Liberação de espectro para expansão do 4G

Além de modernizar o sistema de radiodifusão brasileiro, o desligamento da TV analógica também permitiu liberar a faixa de 700 MHz do espectro de radiofrequência. Essa faixa é considerada estratégica para ampliar a cobertura da internet móvel 4G, especialmente em áreas com menor infraestrutura de telecomunicações.

Com a reorganização do espectro, foram viabilizados novos investimentos em redes móveis e na expansão do acesso à internet em diversas regiões do país.

De acordo com Pieranti, o processo de digitalização também deixou saldo remanescente de cerca de R$ 500 milhões, que está sendo direcionado para novos projetos nas áreas de telecomunicações e radiodifusão.

No setor de telecomunicações, parte desses recursos foi usada para financiar leilões reversos destinados à implantação de estações 4G em distritos que ainda não possuíam cobertura de internet móvel. Já na área de radiodifusão, os investimentos serão aplicados em iniciativas consideradas estratégicas, entre elas:

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  • TV 3.0, a nova geração da televisão aberta (saiba mais aqui);
  • Digitaliza Brasil, programa voltado à expansão da TV digital;
  • Brasil Digital, iniciativa destinada ao fortalecimento da infraestrutura de comunicação.

Gired é estendido até 2027 e foco total na TV 3.0

Embora o desligamento analógico tenha sido concluído, o trabalho do Gired (Grupo de Implementação) foi oficialmente prorrogado até o fim de 2027. O objetivo é gerir o saldo remanescente de R$ 500 milhões em novos projetos de conectividade e inovação.

De acordo com o balanço detalhado, a verba será dividida da seguinte forma:

  • R$ 250 milhões para a instalação de estações 4G em distritos que ainda não possuem cobertura móvel.
  • R$ 87 milhões destinados especificamente à evolução do sistema de TV Digital (TV 3.0) até o final de 2026.
  • R$ 45 milhões para a manutenção e monitoramento das estações já instaladas pelo programa Digitaliza Brasil.
  • R$ 105,5 milhões para o fortalecimento da infraestrutura do programa Brasil Digital.
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A expectativa do governo é que as primeiras transmissões experimentais da TV 3.0 (que promete imagem em 4K/8K e maior interatividade via internet) já ocorram durante a Copa do Mundo de 2026, servindo como o grande teste para a nova tecnologia no país.

Rodrigo Mozelli
Rodrigo Mozelli

Rodrigo Mozelli é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e, atualmente, é redator do Olhar Digital.

Layse Ventura
Layse Ventura

Layse Ventura é editora de SEO no Olhar Digital e mestre pela UFSC.

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