Apple pagará US$ 250 milhões aos consumidores após prometer Siri com IA

Acordo coletivo nos EUA cobre compradores dos iPhones 16 e 15 Pro que esperavam assistente prometido na WWDC 2024
Logo da Siri em um smartphone
(Imagem: T. Schneider/Shutterstock)

A Apple concordou em pagar US$ 250 milhões para encerrar uma ação coletiva movida por consumidores americanos que se sentiram enganados pela empresa. A acusação: a gigante de Cupertino prometeu, mas nunca entregou, uma versão atualizada e mais inteligente do Siri — recurso que usou como isca para vender os modelos iPhone 16 e 15 Pro.

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O novo assistente de voz, apresentado como parte do “Apple Intelligence” durante a WWDC em 2024, deveria ser capaz de entender o contexto dos dados armazenados no dispositivo e executar ações diretamente dentro de aplicativos. Quase dois anos depois, a funcionalidade ainda não saiu do papel.

A Apple começou a lançar gradualmente, ao longo de 2024 e 2025, alguns componentes do Apple Intelligence — como ferramentas de edição de texto, geração de imagens e integração com o ChatGPT. Mas o Siri “personalizado” e capaz de agir em apps nunca chegou. A empresa só reconheceu publicamente o atraso em março de 2025, mais de cinco meses após o iPhone 16 chegar às lojas com a promessa de ser compatível com o novo sistema de IA.

Após admitir o problema, a Apple retirou do ar os anúncios que exibia antes do lançamento do telefone mostrando as novas capacidades do assistente.

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Apple não assumiu a culpa

Segundo o Engadget, o acordo, que ainda depende da aprovação de um juiz, beneficiará compradores americanos dos iPhones 16 e 15 Pro. Oferece compensação financeira a quem comprou os aparelhos na expectativa do Siri prometido. A Apple, no entanto, não admite irregularidades — cláusula comum em acordos desse tipo, que permite à empresa encerrar o litígio sem assumir responsabilidade formal.

Celular com "Siri" escrito na tela; ao fundo, tela maior exibe ícone do Gemini, do Google
(Imagem: Samuel Boivin/Shutterstock) – Imagem: Samuel Boivin/Shutterstock

O que vem depois: Google

Para finalmente entregar o novo Siri, a Apple agora conta com ajuda externa. A empresa fechou uma parceria com o Google para utilizar os modelos Gemini da concorrente. O novo assistente, junto com outros recursos de IA, deve ser incluído no iOS 27, ainda neste ano — quase três anos após a promessa original e bem depois dos iPhones vendidos com a falsa expectativa terem saído de linha.

O caso ilustra os riscos de anunciar funcionalidades ambiciosas antes de tê-las prontas — e mostra que, às vezes, até a Apple precisa pedir ajuda ao Google para cumprir o que promete.

Lucas Soares
Lucas Soares

Lucas Soares é editor de Ciência e Espaço no Olhar Digital e formado em Jornalismo pela Universidade Presbiteriana Mackenzie.

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