Astrônomos identificaram um grupo incomum de estrelas antigas na Via Láctea que pode representar os restos de uma pequena galáxia engolida pela nossa há mais de 10 bilhões de anos. O sistema recebeu o apelido de Loki e, segundo os pesquisadores, pode ter surgido entre as primeiras galáxias formadas após o Big Bang, segundo informações do portal Live Science.
O estudo analisou 20 estrelas extremamente pobres em metais localizadas perto do disco galáctico, região achatada da Via Láctea onde está o Sistema Solar. A equipe concluiu que essas estrelas possuem características químicas e orbitais diferentes das normalmente observadas nessa parte da galáxia, sugerindo uma origem externa.
Para quem tem pressa:
- Astrônomos identificaram 20 estrelas muito antigas e pobres em metais;
- As estrelas podem ser restos de uma galáxia anã chamada Loki;
- O sistema teria sido absorvido pela Via Láctea há mais de 10 bilhões de anos;
- Parte das estrelas orbita em direção oposta à rotação galáctica;
- Simulações indicam uma fusão ocorrida no Universo primitivo;
- Pesquisadores querem ampliar as observações para confirmar a hipótese.
Estrelas antigas revelaram sinais da galáxia Loki
Os pesquisadores utilizaram dados do telescópio espacial Gaia e observações feitas com o telescópio Canada-France-Hawaii para estudar a composição química e o movimento das estrelas. A análise mostrou que elas possuem baixíssima quantidade de elementos pesados, característica típica de objetos extremamente antigos.

As primeiras estrelas do universo eram compostas basicamente por hidrogênio e hélio. Elementos mais pesados surgiram apenas após explosões estelares ao longo do tempo. Por isso, estrelas pobres em metais funcionam como uma espécie de “registro fóssil” do universo primitivo.
Segundo Federico Sestito, pesquisador da University of Hertfordshire e autor principal do estudo, a combinação entre composição química e órbitas das estrelas chamou atenção da equipe. Em vez de circularem no halo galáctico, como costuma acontecer com estrelas muito antigas, elas orbitavam relativamente próximas do disco da Via Láctea.
Outro detalhe intrigante apareceu no movimento das estrelas. Parte delas orbitava no mesmo sentido da rotação da Via Láctea, enquanto outras seguiam na direção oposta. Mesmo assim, todas apresentavam assinaturas químicas semelhantes, indicando que provavelmente vieram da mesma galáxia original.
Simulações ajudaram a reconstruir colisão cósmica da Via Láctea
Para entender o fenômeno, os cientistas recorreram a simulações computacionais de formação galáctica. Os modelos mostraram que, se a fusão aconteceu muito cedo, quando a Via Láctea ainda estava em formação e não possuía um disco estável, os fragmentos da galáxia engolida poderiam ter sido espalhados em várias direções.

Os resultados indicam que Loki teria sido absorvida cerca de 3 bilhões de anos após o Big Bang. A galáxia anã possivelmente possuía massa equivalente a aproximadamente 1,4 bilhão de sóis antes da colisão com a jovem Via Láctea.
Cientistas ainda buscam confirmação definitiva
Apesar dos resultados promissores, os próprios pesquisadores reconhecem que ainda são necessárias mais observações para confirmar a existência de Loki. O principal desafio é o tempo necessário para estudar cada estrela em alta resolução, já que cada análise exige horas de observação telescópica.
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Os cientistas também afirmam que futuras instalações astronômicas permitirão estudar centenas de estrelas antigas com maior precisão. Isso poderá revelar novos vestígios de galáxias primitivas escondidos nas regiões internas da Via Láctea, ajudando a reconstruir a história inicial do Universo.