SpaceX está ‘supervalorizada’, dizem analistas – e a culpa é da xAI

Para analistas da Morningstar, a empresa espacial de Musk está "significativamente supervalorizada" antes de estrear na Bolsa de Valores
Pedro Spadoni
Pedro Spadoni 03/06/2026 10:47, atualizada em 03/06/2026 21:22

A SpaceX, empresa espacial liderada por Elon Musk, deve começar a negociar suas ações na Nasdaq em pouco mais de duas semanas. A meta é captar US$ 75 bilhões (aproximadamente R$ 376 bilhões na cotação atual) em investimentos. Mas, para analistas da Morningstar, a empresa está “significativamente supervalorizada” antes de sua estreia na Bolsa de Valores.

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“Acreditamos que a empresa está significativamente supervalorizada e que os investidores terão oportunidades de comprar as ações a preços mais atrativos após o IPO”, escreveram analistas da Morningstar numa nota publicada nesta semana.

O aguardado IPO busca um valuation de US$ 1,75 trilhão (R$ 9 trilhões), mas o cálculo de fluxo de caixa descontado da Morningstar estipula o valor justo da SpaceX em US$ 780 bilhões (R$ 4 trilhões).

Esse montante fica cerca de 48% abaixo de sua avaliação atual de US$ 1,5 trilhão (R$ 8 trilhões) no mercado privado. O corte reflete o temor de que a xAI, startup também de Musk que virou o braço de inteligência artificial (IA) da empresa espacial, seja uma ameaça ao valor de mercado da companhia por conta de incertezas sobre sua lucratividade.

Os balanços financeiros da SpaceX expõem um cenário de perdas severas, com um prejuízo líquido de US$ 4,28 bilhões (R$ 21 bilhões) registrado no último trimestre, que se soma ao prejuízo de US$ 4,94 bilhões (R$ 25 bilhões) reportado em 2025. 

Em seu documento oficial de registro de ações (S-1), a própria companhia declarou possuir um histórico de prejuízos líquidos. E admitiu textualmente que pode não alcançar a lucratividade no futuro.

O único pilar financeiramente sustentável da organização no momento é a Starlink, sua divisão voltada para internet via satélite. Esta gerou US$ 3,26 bilhões (R$ 16 bilhões) em receita no trimestre mais recente, o equivalente a 69% do faturamento total da empresa. 

Logo da Starlink em um smartphone
O único pilar financeiramente sustentável da SpaceX no momento é a Starlink – Imagem: DenPhotos/Shutterstock

Por outro lado, o negócio de exploração espacial registrou um prejuízo operacional de US$ 619 milhões (pouco mais de R$ 3 bilhões), enquanto a divisão de IA teve perdas operacionais de US$ 2,5 bilhões (R$ 13 bilhões).

No próprio documento S-1, a SpaceX admite que boa parte do seu valor projetado depende do êxito de tecnologias consideradas “inéditas e não testadas”.

Consequentemente, a companhia prevê que precisará arcar com “vultosas despesas de capital ao longo de anos” antes que seus produtos e serviços baseados em IA comecem a dar lucros reais.

O alto preço pedido pelas ações também preocupa especialistas do mercado como Dan Coatsworth, chefe de mercados da AJ Bell. Em entrevista à CNBC, ele apontou que “pouco se sabe” sobre as finanças da SpaceX devido ao seu status de empresa privada, na qual Musk controla 85% dos direitos de voto.

O especialista ressaltou que uma avaliação de US$ 1,75 trilhão colocaria a SpaceX cotada a 67 vezes o valor de suas vendas. Para você ter ideia, é o triplo da proporção atual da gigante dos chips Nvidia, por exemplo. “Isso implica que a avaliação da SpaceX pode ser mais valiosa do que um prato de batatas dauphinoise.”

Traduzindo: o preço pedido pelas ações da SpaceX está absurdamente inflado e fora da realidade.

Pedro Spadoni
Pedro Spadoni

Pedro Spadoni é jornalista formado pela Universidade Metodista de Piracicaba. Já escreveu para sites, revistas e jornal.

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