Muito além do termômetro: como o calor extremo paralisa a infraestrutura e a economia da Europa

Onda de calor já deixou mais de 1,3 mil mortos na Europa, e perdas vão muito além do custo humano; saiba como o verão intenso afeta até a infraestrutura
Daniel Junqueira
Daniel Junqueira 28/06/2026 11:45, atualizada em 28/06/2026 14:36
Ilustração sobre calor causado pelas mudanças climáticas no mundo
Onda de calor na Europa já está ligada a mais de 1.300 mortes e acende alerta global sobre efeitos do clima extremo e mudanças climáticas. - Imagem: Quality Stock Arts/Shutterstock

O calor severo que atinge a Europa acendeu um alerta que vai muito além do mal-estar físico. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 1,3 mil mortes acima do esperado já foram registradas no continente, onde cerca de 150 milhões de pessoas enfrentam temperaturas extremas. O fenômeno, impulsionado pelo padrão atmosférico conhecido como “bloqueio ômega” — que mantém a massa de ar quente estagnada sobre a região —, está sobrecarregando os sistemas de saúde e testando os limites da infraestrutura tecnológica e energética de vários países.

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Trilhos deformados e usinas operando no limite

Os efeitos práticos na rotina mostram que os sistemas modernos enfrentam gargalos sob essa intensidade climática. Na Hungria, a usina nuclear de Paks precisou reduzir a geração de eletricidade porque as águas do rio Danúbio esquentaram demais, ameaçando a segurança do resfriamento dos reatores. Na Alemanha, que registrou recorde histórico de 41,5°C, ferrovias flexibilizaram o cancelamento de viagens devido ao risco real de deformação dos trilhos de aço, enquanto rodovias apresentaram rachaduras no asfalto pelo calor.

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Impacto direto na produtividade e no bolso

Cientistas apontam que este é o pior cenário já medido no continente, com recordes na França (acima de 40°C), República Tcheca (40,8°C), Suíça (39°C) e Dinamarca (37°C). Para o setor produtivo, o termômetro acima dos 30°C traz consequências financeiras e estruturais. Análises econômicas da seguradora Allianz indicam que o calor excessivo reduz diretamente a produtividade do trabalho, eleva os custos com energia para refrigeração de equipamentos e ambientes, e aumenta os afastamentos médicos.

Estudos da companhia estimam que, caso esses episódios continuem frequentes, a economia alemã poderá acumular perdas de até US$ 131 bilhões entre 2026 e 2030. Diante do cenário, a estratégia da OMS foca em prevenção e fortalecimento dos serviços públicos, mas o diagnóstico de especialistas é claro: o calor extremo deixou de ser um evento passageiro e virou um desafio permanente para a logística, a tecnologia e a economia global.

Daniel Junqueira
Daniel Junqueira

Daniel Junqueira é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo. Iniciou sua carreira cobrindo tecnologia em 2009.

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