IA da OpenAI avança em centenas de problemas matemáticos complexos

OpenAI publicou 722 manuscritos com resultados de IA em 372 grupos de problemas matemáticos, incluindo avanços na hipótese de Riemann
Valdir Antonelli
Valdir Antonelli 08/10/2026 10:06, atualizada em 08/10/2026 22:57

A OpenAI disponibilizou centenas de novos resultados matemáticos produzidos por um modelo interno de fronteira, ou seja, uma tecnologia que está entre as mais avançadas desenvolvidas pela empresa. Ao todo, a empresa publicou 722 manuscritos no GitHub, reunindo 372 grupos de resultados para problemas que desafiam matemáticos há décadas.

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A divulgação ocorre em meio à crescente discussão sobre o uso de inteligência artificial na ciência. A empresa consultou um grupo independente de matemáticos para definir boas práticas de publicação, mas não seguiu todas as recomendações.

Professor feliz segura ponteiro e aponta para uma lousa, enquanto duas mãos humanas e uma de robô estão erguidas
A divulgação amplia o debate sobre como a inteligência artificial pode participar da pesquisa matemática. – Imagem: Roman Samborskyi/Shutterstock

Centenas de resultados de uma só vez

A coleção reúne trabalhos em áreas como teoria dos números e geometria algébrica. Entre os destaques estão uma solução para a conjectura de Kakeya em quatro dimensões, melhorias em algoritmos computacionais e avanços relacionados à chamada “quasi-hipótese de Riemann”.

Os resultados também abrangem três dos cinco Problemas do Prêmio do Milênio que ainda permanecem sem solução. Para chegar até eles, o modelo tentou resolver cerca de 4 mil problemas.

A escala da divulgação chamou a atenção de matemáticos. Alex Kontorovich, professor da Universidade Rutgers, afirmou no X que, se um humano tivesse produzido a demonstração relacionada à “quasi-hipótese de Riemann”, ela renderia uma Medalha Fields instantânea.

O material, porém, ainda precisa passar pelo crivo de especialistas. A validade das demonstrações e a importância matemática de cada resultado dependem de análises independentes.

Como a OpenAI divulgou os resultados

Para organizar a publicação, a OpenAI consultou o Grupo Consultivo sobre Matemática e Inteligência Artificial (AGMAI), formado por especialistas independentes. A empresa afirma ter seguido as orientações do grupo sobre a divulgação dos resultados, mas não adotou uma recomendação para interromper testes de problemas matemáticos avançados em modelos proprietários.

O repositório inclui formalizações de demonstrações em Lean, linguagem de programação que permite verificar provas matemáticas por computador. Também foram publicados resumos do raciocínio do modelo, estimativas de recursos computacionais e estatísticas sobre os problemas testados.

A OpenAI informou que a publicação no GitHub inclui protocolos para revisão dos artigos e para a realização de citações.

Segundo a empresa, cada resultado consumiu, em média, recursos computacionais equivalentes a cerca de três horas de uso do ChatGPT Pro.

A empresa também pretende financiar workshops, conferências e programas voltados à análise das descobertas produzidas por IA. O repositório deverá receber novas formalizações conforme elas forem obtidas.

Robô na frente de um computador e um quadro-negro resolvendo um problema de matemática
A próxima etapa é verificar as demonstrações e determinar quais resultados representam avanços relevantes para a matemática. – Imagem: Summit Art Creations / Shutterstock
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O ceticismo continua

A divulgação acontece depois de uma série de debates sobre o uso de IA para resolver problemas matemáticos. A controvérsia anterior envolvendo a OpenAI aumentou a cobrança por transparência e replicação dos resultados.

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O grupo consultivo havia recomendado que laboratórios parassem de testar problemas matemáticos avançados em modelos proprietários. A OpenAI não seguiu essa orientação e afirmou que considera importante continuar avaliando seus modelos internos de fronteira em matemática e outras ciências.

A empresa também não divulgou os tempos computacionais específicos de cada problema nem os prompts utilizados. Para a comunidade matemática, essa ausência reforça a necessidade de examinar cuidadosamente as provas antes de atribuir a elas um impacto definitivo.

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O próximo passo está nas mãos dos pesquisadores. Eles terão de verificar as demonstrações, reproduzir os resultados quando possível e determinar quais deles representam avanços relevantes para a matemática.

Valdir Antonelli
Valdir Antonelli

Valdir Antonelli é jornalista com especialização em marketing digital e consumo.

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