Morte do Sol pode desestabilizar o Sistema Solar antes do previsto

Estudo revela que a morte do Sol será violenta e pode desestabilizar as órbitas dos planetas gigantes muito antes do previsto
Sol
Simulações indicam que a perda irregular de massa do Sol pode alterar órbitas e expulsar planetas do Sistema Solar ao longo do tempo. - Imagem: New Africa/Shutterstock

O Sistema Solar pode perder sua estabilidade muito antes do previsto quando o Sol chegar ao fim da vida. Um estudo indica que a perda irregular de massa da estrela pode desestabilizar as órbitas dos planetas gigantes e expulsar alguns deles para o espaço interestelar.

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Publicado na revista The Astrophysical Journal Letters, o trabalho aponta que essa reorganização pode ocorrer até 100 vezes mais rápido do que estimativas anteriores sugeriam.

explosao solar
Os pesquisadores estimam que cada ejeção de massa pode liberar matéria equivalente a cerca de 33 massas terrestres. – Crédito: Imagem gerada por AI

A morte do Sol pode desencadear o caos

Os modelos tradicionais consideravam que o Sol perderia massa gradualmente ao envelhecer. Nesse cenário, os planetas externos poderiam permanecer em órbitas estáveis por bilhões de anos, mesmo depois de a estrela se transformar em uma anã branca, estágio final de sua evolução.

Konstantin Batygin e Jim Fuller, do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech), e Fred Adams, da Universidade de Michigan, investigaram o que acontece quando essa perda de massa não ocorre de maneira uniforme.

Em vez de liberar matéria continuamente, o Sol moribundo pode expelir suas camadas externas em milhares de episódios separados. Cada ejeção provocaria uma pequena mudança na velocidade da estrela, alterando sua influência gravitacional sobre os planetas.

Para investigar esse cenário, os pesquisadores analisaram dados do observatório Gaia, da Agência Espacial Europeia, que estudou sistemas de estrelas binárias, incluindo aqueles com anãs brancas. Em seguida, realizaram simulações para avaliar como essas perturbações afetariam o Sistema Solar.

Planetas gigantes podem perder suas órbitas

Nos modelos considerados mais realistas, cada episódio liberaria matéria equivalente a cerca de 33 massas terrestres. Ao longo de aproximadamente 4.600 ejeções, pequenas alterações na trajetória do Sol poderiam se acumular e comprometer a estabilidade dos planetas mais distantes.

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Em 37 das 48 simulações selecionadas, os planetas gigantes começaram a cruzar suas órbitas de maneira inesperada. Em alguns cenários, isso aconteceu quando o Sol havia perdido apenas 10% de sua massa, antes mesmo de terminar a expulsão de suas camadas externas.

As consequências podem ir além de uma simples mudança na posição dos planetas. Urano e Netuno, por exemplo, podem trocar de lugar ou se aproximar da região orbital de Júpiter. Saturno também corre o risco de ser expulso do Sistema Solar.

Em nove de cada dez de nossas simulações, pelo menos um planeta gigante é lançado para o espaço interestelar.

Konstantin Batygin, astrofísico teórico do Caltech, à ScienceAlert

Segundo ele, o resultado pode ajudar a explicar a existência de planetas errantes, que vagam pelo espaço sem orbitar uma estrela.

Futuro do sistema solar
Em 37 de 48 simulações, os planetas gigantes começaram a cruzar suas órbitas de forma inesperada. – Imagem: Batygin et al., ApJL, 2026
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Instabilidade pode começar antes da anã branca

Em 90% das simulações, o Sistema Solar perdeu sua configuração original em até três bilhões de anos após o Sol se transformar em uma anã branca. Alguns cenários indicaram que a desestabilização pode começar ainda antes dessa etapa.

A conclusão retoma uma questão levantada por Isaac Newton sobre a estabilidade dos planetas, mas aponta uma causa diferente da imaginada pelo cientista: em vez de uma estrela externa perturbar o sistema, o próprio envelhecimento do Sol pode desencadear o processo.

Ao explicar a mudança nos resultados, Batygin destacou que considerar a perda de massa como uma sequência de eventos discretos, em vez de um processo contínuo, altera radicalmente as previsões sobre o destino dos planetas.

A descoberta também pode influenciar o estudo de outros sistemas planetários. Segundo o pesquisador, cerca de 97% das estrelas terminam suas vidas de maneira semelhante à prevista para o Sol. Se a perda irregular de massa também ocorrer nesses sistemas, a morte estelar poderá transformar profundamente as órbitas dos planetas ao redor delas.

Valdir Antonelli
Valdir Antonelli

Valdir Antonelli é jornalista com especialização em marketing digital e consumo.

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