Cidades do mundo estão afundando, revela estudo com satélites

Análise de 465 cidades em 107 países identificou áreas com afundamento acelerado do solo, incluindo regiões da Cidade do México
Vista panorâmica da Cidade do México, com edifícios e áreas urbanizadas em primeiro plano e montanhas com picos nevados ao fundo, sob um céu parcialmente nublado.
A Cidade do México registrou taxas de afundamento do solo de até 217 milímetros por ano em áreas específicas - Imagem: AlexML2020 / Shutterstock

O solo de grandes cidades ao redor do mundo está afundando, segundo um estudo que analisou dados de satélites coletados entre 2014 e 2023. A pesquisa, liderada por Shengli Tao, Xie Hu e colegas, avaliou o movimento do terreno em 465 cidades de 107 países para identificar a intensidade e a distribuição do fenômeno.

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Publicado na revista Nature Cities, o trabalho mostra diferenças significativas entre as localidades analisadas. A Cidade do México registrou os casos mais rápidos de afundamento em áreas específicas, enquanto cidades da Ásia apresentaram algumas das maiores taxas medianas em escala municipal. O fenômeno pode danificar edifícios e sistemas de infraestrutura, além de aumentar os riscos de inundação.

Cidade do México tem áreas com afundamento acelerado

A subsidência do solo, nome dado ao processo gradual de rebaixamento do terreno, pode comprometer construções, fundações e sistemas de drenagem e esgoto. Apesar desses riscos, ainda existem limitações no conhecimento sobre a dinâmica do fenômeno, o que dificulta identificar os locais que precisam de intervenções urgentes.

Na Cidade do México, algumas áreas apresentaram uma taxa de afundamento de aproximadamente 217 milímetros por ano, o equivalente a 21,7 centímetros anuais. Apesar desse resultado localizado, a mediana da taxa de afundamento considerando a cidade foi de 8 milímetros por ano.

Outra cidade mexicana, Torreón, registrou um afundamento de cerca de 17 milímetros anuais.

Ásia concentra algumas das maiores taxas

Em escala regional, a Ásia apresentou as taxas mais severas de afundamento entre as cidades analisadas. Medan, na Indonésia, teve uma taxa mediana de aproximadamente 33 milímetros por ano. Bandung, também na Indonésia, registrou 22 milímetros anuais, enquanto Isfahan, no Irã, apresentou 11 milímetros por ano.

Por outro lado, o movimento anual do terreno permaneceu relativamente estável em cidades como Boston, Nova York, Londres, Pequim, Tóquio, Seul, Sydney, Montevidéu e Nápoles. Nessas localidades, as taxas estimadas de afundamento ou elevação do solo variaram entre 0,1 e 1,9 milímetro por ano.

Os pesquisadores ressaltam, porém, que esses valores são pequenos e devem ser interpretados com cautela.

Monitoramento ainda precisa avançar

O estudo apresenta algumas limitações. A análise de nove anos se concentrou no movimento relativo do terreno em grandes cidades e pode deixar de fora áreas situadas além dos limites administrativos considerados.

Além disso, os resultados têm maior grau de incerteza em locais com poucas estações de monitoramento terrestre. Segundo os autores, a continuidade das observações por satélite poderá ajudar a verificar se as tendências identificadas permanecem ao longo do tempo.

Esse acompanhamento também pode contribuir para direcionar medidas de prevenção e resposta às áreas em que o afundamento do solo representa um risco mais significativo.

Ana Luiza Figueiredo
Ana Luiza Figueiredo

Ana Figueiredo é editora de tecnologia do Olhar Digital. É formada em Jornalismo pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU).

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