Microsoft aposta em chip próprio para reduzir custos da IA na nuvem

A Microsoft anunciou o chip Maia 300 para reduzir custos de IA, apostando em uma arquitetura de chiplets para desafiar o mercado de GPUs
Microsoft
O Maia 300 combina chiplets e tecnologias de 2 e 3 nanômetros; Microsoft afirma que o sistema oferece 40% mais trabalho útil por energia. - Imagem: Saulo Ferreira Angelo / Shutterstock

A Microsoft anunciou o Maia 300, sua terceira geração de chips próprios para inteligência artificial, e planeja implantar potencialmente mais de 1 milhão de unidades no próximo ano. A iniciativa busca ampliar o processamento de seus serviços e reduzir os custos de operação.

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Segundo a Reuters, o projeto também pretende diminuir a dependência de fornecedores como a Nvidia. Para isso, a empresa adotou uma arquitetura que combina componentes especializados, fabricados com diferentes tecnologias.

Maia 300
O novo processador Maia 300 chega para otimizar os serviços de inteligência artificial e reduzir custos operacionais na nuvem. – Imagem: Divulgação/Microsoft

Como funciona o Maia 300

O Maia 300 foi projetado para processar tarefas de inteligência artificial, desde a programação até atividades empresariais complexas executadas em nome dos usuários. A geração anterior já é usada pela Microsoft para rodar seus próprios modelos de IA e os da OpenAI oferecidos na nuvem Azure. Com a nova versão, a empresa também aposta em uma arquitetura diferente da adotada pela Nvidia.

Em vez de concentrar o processamento em um único chip grande, acompanhado por memória de alta velocidade, a Microsoft reúne pequenos circuitos especializados, chamados chiplets, que trabalham em conjunto. Essa abordagem permite combinar tecnologias de fabricação conforme a função de cada componente.

O núcleo responsável pelos cálculos utiliza a tecnologia de 2 nanômetros da Taiwan Semiconductor Manufacturing Company (TSMC). A medida se refere à tecnologia de fabricação dos circuitos, não ao tamanho total do chip. Outras partes do Maia 300 usam o processo de 3 nanômetros, mais barato, em tarefas como a transferência de dados dentro do sistema.

Desempenho e consumo de energia

Os chips serão instalados em estruturas chamadas racks, que reúnem processadores e outros componentes para formar sistemas de computação. Cada rack do Maia 300 terá 96 chips e consumirá cerca de 167 quilowatts de potência elétrica — o equivalente à potência de aproximadamente 2,8 mil chuveiros elétricos de 6.000 watts ligados ao mesmo tempo.

Para comparação, os racks GB300 da Nvidia citados pela Microsoft reúnem 72 unidades de processamento gráfico (GPUs) e consomem cerca de 142 quilowatts, potência semelhante à de 2,4 mil chuveiros de mesma potência funcionando simultaneamente.

Mesmo com um consumo total maior por rack, a Microsoft afirma que o Maia 300 realiza cerca de 40% mais trabalho computacional útil por megawatt do que sistemas líderes baseados em GPUs. A empresa não informou quais equipamentos foram usados como referência para essa comparação.

Basicamente, ele oferece mais inteligência para cada watt, cada dólar e cada byte de memória, otimizando todo o sistema.

Rani Borkar, presidente de sistemas de hardware e infraestrutura do Azure, à Reuters.

A estratégia também envolve escolhas que vão além do desempenho dos processadores:

  • Usar tecnologias de fabricação diferentes conforme a função de cada componente.
  • Reduzir a dependência de chips de terceiros para os serviços próprios de IA.
  • Ampliar a infraestrutura disponível para executar modelos de inteligência artificial.
Logos de Microsoft e Azure
Os chips próprios devem atender a serviços internos de IA e a modelos oferecidos pela Microsoft na nuvem Azure. – Imagem: Mamun_Sheikh/Shutterstock
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Implantação em larga escala

A Microsoft pretende começar a implantar o Maia 300 em escala de vários gigawatts a partir do próximo ano. O plano acompanha a expansão da infraestrutura necessária para atender à demanda por inteligência artificial.

A empresa prevê gastar mais de US$ 175 bilhões (cerca de R$ 871,5 bilhões) em despesas de capital ao longo de 2026.

O investimento em chips próprios faz parte do esforço para ampliar o controle sobre a infraestrutura que sustenta os serviços da Microsoft. O resultado dependerá, entre outros fatores, da capacidade de transformar os ganhos de eficiência anunciados em redução efetiva dos custos de operação.

Valdir Antonelli
Valdir Antonelli

Valdir Antonelli é jornalista com especialização em marketing digital e consumo.

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