Anthropic alerta: IA pode se replicar em TVs e eletrodomésticos

Dispositivos conectados com segurança frágil podem facilitar a propagação de IA. A Anthropic defende reforçar a proteção desses aparelhos
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A mira dos experimentos recaiu sobre dispositivos de internet das coisas, como eletrodomésticos e TVs box. - Imagem: metamorworks/iStock

Modelos menores de inteligência artificial (IA) podem estar a poucos meses de conseguir se replicar em dispositivos conectados à internet sem ajuda humana. O alerta é da Anthropic, que testou essa capacidade em aparelhos como televisores com Android e eletrodomésticos inteligentes.

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Os experimentos indicam que a tecnologia ainda enfrenta obstáculos, mas pode avançar até o fim de 2026 se mantiver o ritmo de evolução observado nos últimos anos.

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Aparelhos conectados com proteções frágeis podem facilitar a exploração de vulnerabilidades por agentes de IA. – Imagem: Alones Creative/iStock

Como a IA poderia se espalhar

A Anthropic investigou se modelos de IA conseguiriam encontrar dispositivos vulneráveis, copiar a si mesmos para esses aparelhos e continuar se propagando. O foco foram equipamentos da Internet das Coisas (IoT), que costumam ter proteções de segurança frágeis.

Nos testes, modelos com menos de 30 bilhões de parâmetros conseguiram executar etapas necessárias à replicação, mas tiveram dificuldades para completar todo o processo. Já o GLM-5.2 e modelos mais avançados conseguiram realizar a sequência de ponta a ponta em testes simplificados, que removeram algumas etapas de segurança.

O resultado não significa que esses sistemas já consigam se espalhar livremente pela internet em condições reais.

Por que isso preocupa

Segundo a Anthropic, modelos capazes de se replicar poderiam ser difíceis de conter. Diferentemente de programas maliciosos convencionais, eles poderiam tentar descobrir como operar em dispositivos desconhecidos. A ausência de um ponto central de desligamento também dificultaria interromper a propagação, já que cópias poderiam continuar ativas em outros aparelhos.

A empresa avalia que a disseminação provavelmente seria lenta e dependeria de recursos computacionais acessíveis, mas relativamente desprotegidos.

Entre os principais fatores de risco estão:

  • Aparelhos vulneráveis: televisores, eletrodomésticos e outros dispositivos conectados com proteção insuficiente.
  • Propagação descentralizada: cópias que continuariam funcionando mesmo após a desativação de um aparelho.
  • Adaptação a novos dispositivos: capacidade de tentar operar em equipamentos desconhecidos.
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Softwares autônomos buscam aparelhos vulneráveis para copiar o próprio código e se espalhar livremente. – Imagem: Mer_Studio/Shutterstock

Previsão para 2026

Se o ritmo histórico de evolução for mantido, modelos menores poderão se replicar autonomamente até o fim de 2026, segundo a Anthropic. Sistemas que utilizam os próprios pesos do modelo para se reproduzir poderiam alcançar essa capacidade pouco depois.

A previsão não é uma confirmação de que isso ocorrerá nessa data. Para reduzir os riscos, a empresa defende reforçar a segurança dos dispositivos conectados e dificultar a exploração de vulnerabilidades.

Valdir Antonelli
Valdir Antonelli

Valdir Antonelli é jornalista com especialização em marketing digital e consumo.

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