O Google começou a liberar o Gemini 4 Argon para mais usuários nesta terça-feira (13). O modelo de inteligência artificial (IA), anunciado no fim de setembro, está disponível para assinantes dos planos Google AI Pro e AI Ultra no aplicativo Gemini e no Modo IA da busca do Google. A novidade também chega à plataforma de desenvolvimento Antigravity, mas, nesse caso, o acesso exige uma assinatura Ultra.
Segundo o Google, o Argon foi desenvolvido para lidar com tarefas complexas de raciocínio e melhorar o desempenho em diferentes tipos de trabalho. A empresa também afirma que o modelo responde de maneira mais direta, reduz repetições e clichês e segue instruções de estilo com mais consistência. Ainda não há confirmação sobre a disponibilidade para usuários gratuitos ou assinantes de outros planos.

Gemini ganha novos recursos com o Argon
No aplicativo Gemini, o modelo passa a integrar as opções disponíveis para assinantes dos planos Pro e Ultra. Antes, o acesso inicial estava restrito ao plano Ultra. A lista de modelos disponíveis para esses usuários inclui o 3.5 Flash-Lite, o 3.8 Flash, o 3.1 Pro e o 4 Argon.
O Google também está modificando a interface do aplicativo para facilitar a alternância entre conversas e tarefas. A opção de tarefas, anteriormente chamada Spark, terá um botão próprio na janela principal do chat.
Outra novidade envolve a versão do Gemini para macOS. O aplicativo passará a oferecer acesso direto à interface de programação com agentes do Antigravity, permitindo alternar entre conversas e atividades de codificação para desenvolver aplicativos, experiências na web e outros projetos.
De acordo com a empresa, o modelo também consegue compartilhar atualizações sobre o andamento de tarefas mais longas com maior frequência. A proposta é manter os usuários informados enquanto o sistema trabalha em solicitações que exigem mais tempo.
Google destaca resultados em projetos internos
O Google afirma que já utiliza o Argon em projetos internos. Um dos exemplos envolve o navegador Chrome: o modelo ajudou a separar o processamento central de páginas da web de uma pasta legada com cerca de 6 milhões de linhas de código, dentro de uma base de código do Chromium que soma 40 milhões de linhas.
Segundo a empresa, o trabalho envolveu alterações em centenas de arquivos e permitiu concluir em semanas uma refatoração arquitetural que levaria meses. O objetivo é viabilizar a movimentação de páginas abertas entre abas, painéis laterais e janelas flutuantes sem recarregamento, além de eliminar uma categoria de falhas do navegador.
Outro caso citado envolve o Gemma 4 E2B. Com o uso do vLLM em uma GPU A100, o Google relata ter alcançado uma aceleração de 2,85 vezes na inferência de ponta a ponta, elevando a taxa de processamento de aproximadamente 37.900 para mais de 108 mil tokens por segundo. A empresa afirma que o resultado foi obtido em poucos dias, sem perda de qualidade e com 100% de equivalência entre os tokens.
No YouTube, o Argon ajudou a reduzir pela metade o uso de CPU da interface de comentários. A análise identificou que a renderização redundante de emojis representava quase 45% da sobrecarga do servidor. Após 12 otimizações, a latência de carregamento dos comentários no servidor caiu 30 milissegundos, enquanto a latência de ponta a ponta no cliente diminuiu 20 milissegundos.
Preços e disponibilidade do Gemini 4 Argon
Além do aplicativo Gemini e do Modo IA da busca do Google, o modelo está disponível pela Gemini API, com preço promocional de US$ 2 por milhão de tokens de entrada e US$ 10 por milhão de tokens de saída até 30 de novembro de 2026.
Após o fim do período promocional, os valores passarão para US$ 4 por milhão de tokens de entrada e US$ 20 por milhão de tokens de saída. O acesso ao modelo no Antigravity para desktop, na interface de linha de comando (CLI) do Antigravity, no AI Studio e no Android Studio Canary exige o plano Google AI Ultra.
O Google também abriu inscrições para um programa voltado à comunidade científica. A iniciativa prevê oferecer gratuitamente, durante seis meses, o nível mais alto de uso do Antigravity a 10 mil cientistas.
A empresa ainda afirma que o Argon apresenta resultados competitivos em áreas como programação, segurança cibernética, ciência, finanças e direito. Em avaliações de referência, o Google diz que o modelo supera concorrentes como GPT-6 Astra, Claude Fable 5.1 e Claude Opus 5.5 em diferentes categorias.
Ana Figueiredo é editora de tecnologia do Olhar Digital. É formada em Jornalismo pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU).