Microsoft fatura quase R$ 500 bilhões em um só trimestre e Azure cresce 48%

Resultados, referentes ao período encerrado em 30 de setembro, foram divulgados nesta quarta-feira (28)
Logo da Microsoft em um smartphone; atrás, telas com gráficos com ações
Empresa viu seus números crescerem - Imagem: Rokas Tenys/Shutterstock

A Microsoft registrou lucro líquido de US$ 36,6 bilhões (cerca de R$ 197,8 bilhões) no último trimestre, alta de 32% em relação ao mesmo período do ano anterior. A receita da companhia também avançou, chegando a US$ 92,3 bilhões (aproximadamente R$ 498,4 bilhões), crescimento de 19%, impulsionado principalmente pelos negócios de nuvem e inteligência artificial (IA).

Os resultados, referentes ao período encerrado em 30 de setembro, foram divulgados nesta quarta-feira (28). A empresa superou as expectativas do mercado tanto em receita quanto em lucro por ação. O lucro diluído por ação foi de US$ 4,92 (R$ 26,34), ante uma estimativa de aproximadamente US$ 4,72 (R$ 25,27).

O lucro operacional atingiu US$ 45,9 bilhões (cerca de R$ 247,9 bilhões), alta de 21% na comparação anual. Já o lucro líquido ajustado, que exclui os efeitos dos investimentos da Microsoft na OpenAI, foi de US$ 36,4 bilhões (aproximadamente R$ 196,6 bilhões), avanço de 18%.

“Entregamos um início forte para o ano fiscal, com receita do Microsoft Cloud de US$ 63,9 bilhões e aceleração do crescimento para 30% na comparação anual”, afirmou Amy Hood, diretora financeira da companhia, no comunicado de resultados.

Azure cresce 48% e impulsiona a nuvem

  • A computação em nuvem continua entre os principais motores de crescimento da Microsoft;
  • A receita do Microsoft Cloud chegou a US$ 63,9 bilhões (cerca de R$ 345,1 bilhões), alta de 30% em relação ao mesmo trimestre do ano passado;
  • O Azure, plataforma de computação em nuvem da empresa, registrou crescimento de 48%, acima da previsão anterior da Microsoft, que estimava expansão entre 44% e 45% em moeda constante;
  • O resultado reforça a importância da infraestrutura de nuvem para a estratégia de IA da companhia. Empresas precisam de capacidade computacional para desenvolver, treinar e executar modelos de IA, o que amplia a demanda por serviços como os oferecidos pelo Azure;
  • Outro indicador que aponta para a continuidade dos negócios é o volume de contratos comerciais futuros. O valor restante de obrigações de desempenho comerciais, que representa receitas contratadas a serem reconhecidas posteriormente, alcançou US$ 677 bilhões (aproximadamente R$ 3,66 trilhões), crescimento de 73% em um ano.

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Microsoft investe bilhões em infraestrutura de IA

O avanço da nuvem acontece em paralelo a investimentos elevados em centros de dados e equipamentos. No trimestre, os gastos de capital da Microsoft, incluindo ativos adquiridos por meio de arrendamentos financeiros, somaram US$ 45,2 bilhões (cerca de R$ 244,1 bilhões).

O valor ficou abaixo da projeção anterior da companhia, que indicava gastos superiores a US$ 50 bilhões (aproximadamente R$ 270 bilhões) no período.

Microsoft Azure
Azure registrou crescimento acima do esperado – Imagem: WonderPix/Shutterstock

Esses investimentos são relevantes para sustentar a expansão da infraestrutura necessária para serviços de IA e computação em nuvem. Ao mesmo tempo, o volume de recursos destinados a equipamentos e centros de dados é um dos pontos acompanhados pelo mercado para avaliar os custos da expansão.

A Microsoft também destacou a adoção de ferramentas de IA e o desenvolvimento de soluções voltadas a empresas. O CEO Satya Nadella afirmou que a companhia busca ampliar as opções e o controle dos clientes, além de reforçar a segurança dos agentes de IA.

Outros negócios apresentam resultados distintos

A Microsoft passou a apresentar seus resultados em duas grandes divisões: Agents and Infra, que reúne negócios ligados à infraestrutura e aos serviços empresariais, e Devices and Consumer, voltada a produtos e serviços para consumidores.

A divisão Agents and Infra registrou receita de US$ 76,8 bilhões (cerca de R$ 414,7 bilhões), crescimento de 25% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Além da nuvem, a área inclui serviços comerciais e produtos associados à IA. A receita da nuvem comercial do Microsoft 365 cresceu 17% em termos reportados, enquanto a receita de nuvem para consumidores avançou 17%.

Já a divisão Devices and Consumer registrou receita de US$ 15,5 bilhões (aproximadamente R$ 83,7 bilhões), queda de 3% na comparação anual.

Entre os destaques negativos, a receita de licenças OEM do Windows e dispositivos caiu 22%. Os serviços e conteúdos do Xbox recuaram 2%, enquanto a receita de busca e publicidade, excluindo custos de aquisição de tráfego, cresceu 12%.

Os números mostram que o avanço da infraestrutura de nuvem e dos serviços empresariais contrasta com dificuldades em algumas áreas mais tradicionais do portfólio da companhia.

Investidores receberam R$ 55,1 bilhões em dividendos e recompra de ações

A Microsoft também informou que devolveu US$ 10,2 bilhões (cerca de R$ 55,1 bilhões) aos acionistas durante o trimestre, por meio de dividendos e recompra de ações.

O movimento ocorreu em período de expansão da receita e do lucro, acompanhado por investimentos expressivos em infraestrutura de computação.

A empresa não apresentou apenas crescimento nos indicadores financeiros: os resultados também indicam mudança na composição dos negócios, com maior peso dos serviços empresariais e da nuvem.

O desafio para os próximos trimestres será sustentar o ritmo de expansão do Azure e de outros produtos de IA enquanto a companhia amplia sua capacidade computacional e administra os custos dessa estratégia.

Rodrigo Mozelli
Rodrigo Mozelli

Rodrigo Mozelli é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e, atualmente, é redator do Olhar Digital.

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