Vazamento de 40 mil dados do DHS atinge o ICE e a defesa dos EUA

DDoSecrets divulga registros de servidores do DHS e do ICE; Okta nega invasão enquanto órgão investiga a segurança interna
vazamento de dados
Arquivo Icepick reúne dados de funcionários do DHS, incluindo contatos e grupos de acesso ligados a vigilância e operações sigilosas. - Imagem: Olhar Digital via ChatGPT

O site de vazamentos Distributed Denial of Secrets (DDoSecrets) publicou dados de mais de 40 mil funcionários do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS). Os arquivos incluem nomes, telefones, e-mails e informações sobre profissionais envolvidos em vigilância, inteligência e operações disfarçadas.

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A exposição atinge agências como o Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) e a Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP). O DHS declarou estar ciente de uma possível violação e afirmou que trabalha para resolver o problema e proteger seus funcionários.

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Os registros incluem nomes, telefones, e-mails, cargos e locais de trabalho de profissionais ligados ao departamento, incluindo agentes do ICE. – Imagem: Lawrey/iStock

Registros revelam operações e sistemas internos

Segundo uma análise da revista WIRED, os funcionários da CBP representam mais da metade dos registros, enquanto o ICE aparece com cerca de 10 mil contas. Aproximadamente um terço delas pertence à divisão investigativa da agência, conhecida como Homeland Security Investigations (HSI).

Os arquivos também revelam grupos de permissões que controlam o acesso a sistemas internos. Alguns fazem referência a programas de interceptação de comunicações e operações disfarçadas. Entre as ferramentas citadas estão a plataforma Falcon, da Palantir, e o PenLink, usado para analisar registros telefônicos e redes sociais.

O material menciona ainda ferramentas de inteligência artificial, como ChatGPT, Gemini, Copilot e Grok. Grupos identificados nos registros também incluem funcionários do alto escalão que aparentemente tinham exceções aos filtros de acesso à internet do departamento, entre eles a ex-secretária Kristi Noem.

Outros dados ajudam a dimensionar o alcance da exposição:

  • Operações disfarçadas: 39 funcionários da HSI aparecem em grupos relacionados a operações secretas certificadas. Um deles faz referência a uma operação de vigilância de grupos de protesto em Minneapolis, descrita em documentos judiciais.
  • Apoio militar: os registros incluem integrantes do Departamento de Defesa, membros da Guarda Nacional e cerca de 170 contas relacionadas ao apoio ao processamento militar em instalações do ICE.
  • Prestadores de serviço: a base contém aproximadamente 4,4 mil associados, incluindo profissionais de tecnologia da informação, cientistas de dados, enfermeiros e agentes penitenciários.
Símbolo de alerta com exclamação dentro de triângulo formado por códigos binários
Arquivo divulgado pelo DDoSecrets mapeia estruturas de acesso a sistemas de monitoramento e interceptação telefônica do DHS. – Imagem: enzozo/Shutterstock

Origem dos dados ainda é incerta

A DDoSecrets publicou o arquivo sob o nome Icepick e atribuiu os dados a um grupo que se identifica como Department of Peace. Segundo a organização, as informações teriam sido obtidas do sistema de autenticação Okta, utilizado pelo DHS.

Em uma declaração que acompanhava os arquivos, o grupo justificou a divulgação: “Eles têm nossas informações, então é justo que tenhamos as deles”.

A Okta, por sua vez, afirmou não ter evidências de que seus sistemas ou dados tenham sido comprometidos. A Reuters também não conseguiu verificar imediatamente a autenticidade de todo o conjunto de informações.

A agência de notícias cruzou dados pessoais de seis funcionários com registros de crédito e informações de vazamentos. Também telefonou para três servidores e confirmou seus números de telefone e outros detalhes.

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A pesquisadora e jornalista Maia Arson Crimew desenvolveu uma ferramenta de busca pública para consultar os registros. Em entrevista à WIRED, ela defendeu a investigação sobre a atuação do departamento. Emma Best, cofundadora da DDoSecrets, afirmou que a ferramenta pode ajudar jornalistas, orientar pedidos de acesso a informações públicas e ampliar a fiscalização do Congresso.

O DHS declarou que pretende divulgar novas informações quando estiverem disponíveis.

Valdir Antonelli
Valdir Antonelli

Valdir Antonelli é jornalista com especialização em marketing digital e consumo.

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