Companhias aéreas usam IA para definir preços das passagens nos EUA

Uso de dados pessoais pode entrar na precificação individualizada; nos EUA, parlamentares questionam os efeitos da prática para passageiros
Interface de aplicativo de reserva de voo on-line, reserva de passagens aéreas
Sistemas de IA ajudam empresas aéreas a analisar informações do mercado e ajustar os valores dos bilhetes. - Imagem: SergeiShimanovich/Shutterstock

Companhias aéreas dos Estados Unidos estão ampliando o uso de inteligência artificial para acompanhar tarifas, analisar a concorrência e aprimorar a definição dos preços das passagens. A tecnologia pode tornar os ajustes mais sofisticados e ajudar as empresas a maximizar a receita.

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O avanço também levanta questionamentos sobre a possibilidade de usar dados pessoais e hábitos dos consumidores para estabelecer preços individualizados. Parlamentares americanos demonstram preocupação com os efeitos desse tipo de estratégia para os passageiros.

"Close de um passageiro de terno em um aeroporto, segurando passagem e celular ao lado de sua mala.
Os valores das passagens podem mudar após a compra, o que abriu espaço para serviços que monitoram quedas nas tarifas. – Imagem: Dmytro Zinkevych / Shutterstock

IA amplia o controle das companhias sobre as tarifas

As empresas aéreas já utilizam sistemas sofisticados para administrar os preços dos bilhetes. Com a inteligência artificial, elas buscam ampliar a capacidade de analisar informações do mercado, acompanhar os valores cobrados por concorrentes e testar novas aplicações relacionadas à precificação e à operação dos voos.

O objetivo é aproveitar melhor as variações de demanda e as condições do mercado para definir quanto cobrar por cada passagem. A tecnologia também abre espaço para estratégias mais detalhadas, que podem considerar informações sobre o comportamento dos consumidores.

É justamente essa possibilidade que preocupa parlamentares nos Estados Unidos. O uso de dados pessoais para oferecer preços diferentes a cada cliente levanta dúvidas sobre os limites da precificação individualizada e seus possíveis impactos para os passageiros.

A discussão ocorre em meio a investimentos das companhias em ferramentas capazes de analisar grandes volumes de informações e apoiar decisões comerciais. Quanto mais sofisticados esses sistemas se tornam, maior é a atenção sobre os critérios usados para determinar o valor de uma passagem.

Avião de passageiros deslizando pelo céu
Startups usam inteligência artificial para acompanhar preços de passagens e identificar possíveis reduções após a compra. – Imagem: Gergitek/Shutterstock

Passageiros também acompanham as oscilações

As mudanças nas tarifas não afetam apenas as estratégias das companhias. A variação dos preços depois da compra também abriu espaço para serviços que monitoram passagens e tentam identificar oportunidades de economia para os consumidores.

Startups como JetBack, Junova e Refare usam IA para acompanhar os valores dos bilhetes e solicitar a diferença quando encontram uma tarifa mais baixa. A prática é possível porque muitas companhias aéreas americanas eliminaram, durante a pandemia de Covid-19, as taxas de alteração para a maioria das passagens não reembolsáveis.

Se um bilhete comprado por US$ 500 (R$ 2.625) cair para US$ 400 (R$ 2.100), por exemplo, o passageiro pode tentar recuperar os US$ 100 (R$ 525) de diferença, conforme as regras da empresa. No entanto, nem sempre o valor é devolvido em dinheiro: em muitos casos, a compensação vem na forma de crédito para uma compra futura na mesma companhia.

As políticas também podem mudar. No início de outubro, a Alaska Airlines deixou de atender pedidos de ajuste de tarifa pelo serviço de atendimento e passou a orientar os clientes a cancelar a passagem e fazer uma nova reserva, seguindo as condições do bilhete. Assim, embora ferramentas de monitoramento possam ajudar passageiros a acompanhar as oscilações, as regras definidas pelas próprias companhias continuam determinando se e como a diferença poderá ser recuperada.

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Valdir Antonelli
Valdir Antonelli

Valdir Antonelli é jornalista com especialização em marketing digital e consumo.

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