Queda de Learjet nos EUA: gelo e turbulência podem ser as causas

Investigadores apontam acúmulo de gelo e turbulência como fatores no acidente com jatinho Learjet que deixou 9 mortos na Flórida
Learjet 60
O Learjet 60 tinha três sistemas contra o gelo. A investigação vai apurar se a tripulação os acionou antes da queda na Flórida. - Imagem: Fasttailwind/Shutterstock

Um acidente com um jato particular Learjet matou nove pessoas no domingo nos arredores de Palm Beach, na Flórida, durante um voo do Texas para as Bahamas. Investigadores consideram que gelo e condições meteorológicas podem ter contribuído para a queda, mas ainda não determinaram a causa.

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A aeronave atravessou uma área de tempestade quando voava a 35 mil pés de altitude. Especialistas avaliam que o acúmulo de gelo nas asas pode ter comprometido a aerodinâmica e dificultado o controle do avião.

Learjet 60
A investigação busca determinar se os pilotos acionaram os sistemas de proteção contra o acúmulo de gelo. – Imagem: Flying Camera/Shutterstock

Gelo pode ter comprometido o controle da aeronave

Por volta das 12h48 (14h48 no horário de Brasília), o jato bimotor fabricado pela Bombardier entrou em uma célula de tempestade. Em comunicação com o Centro de Controle de Tráfego Aéreo de Miami, a copilota Nathalia Filgueiras, de 20 anos, relatou a presença de gelo claro leve e turbulência moderada.

O gelo se forma quando o ar úmido sobe e esfria, permitindo a formação de cristais. Segundo Robert E. Joslin, professor de engenharia aeroespacial da Embry-Riddle Aeronautical University, em entrevista ao The New York Times, a presença de umidade em grandes altitudes pode provocar o congelamento da água na aeronave.

De acordo com o Conselho Nacional de Segurança nos Transportes dos Estados Unidos (NTSB), apenas um quarto de polegada de gelo na borda de uma asa pode provocar uma perda repentina de controle. O acúmulo também pode afetar motores, estrutura e instrumentos de voo, dificultando a manutenção da trajetória, da velocidade e da altitude.

Daniel Bubb, ex-piloto e professor da Universidade de Nevada, em Las Vegas, avalia que as comunicações da tripulação indicam um agravamento das condições durante a travessia da tempestade.

“Parece que o avião congelou quando atravessou a célula”, afirmou ao NYT. Segundo ele, o que inicialmente parecia uma situação de congelamento leve a moderado pode ter se tornado muito mais grave.

Sistemas contra gelo e possíveis falhas na operação

O Learjet 60 possui três sistemas para combater o acúmulo de gelo:

  • Aquecedores elétricos nas bordas dianteiras das asas e dos estabilizadores horizontais;
  • Estruturas infláveis de borracha que se expandem para quebrar o gelo acumulado;
  • Circulação de gases quentes do escapamento sobre as asas.

Esses mecanismos dependem do acionamento dos pilotos. Mike McCormick, ex-diretor de controle de tráfego aéreo da Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA), afirmou que uma das questões da investigação será determinar se a tripulação sabia que estava entrando em condições meteorológicas favoráveis ao acúmulo de gelo e se ativou os sistemas de proteção.

Outra linha de investigação envolve a possível reação dos pilotos às condições encontradas. Gregory A. Feith, ex-investigador do NTSB, acredita que a aeronave pode ter encontrado gelo claro, formado por gotículas de água suspensas que se espalham por uma área maior da superfície do avião. Segundo ele, a tripulação pode ter subestimado os efeitos do congelamento nos controles de voo.

Feith também levantou a possibilidade de que uma tentativa de subir para escapar da turbulência tenha provocado uma inclinação brusca da aeronave e um fenômeno conhecido como tailplane stall, uma perda de sustentação no estabilizador horizontal.

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Learjet 60
O Learjet atravessava uma área de tempestade a 35 mil pés quando a tripulação relatou condições adversas. – Imagem: A. Viduetsky/Shutterstock

Turbulência também está entre as hipóteses

A intensidade da turbulência é outro fator considerado pelos especialistas. Nas comunicações com o controle aéreo, Nathalia relatou variações de altitude entre 600 e 700 pés durante a passagem pela tempestade.

O piloto Patrick Smith considerou o deslocamento significativo. Para ele, os estabilizadores horizontais podem ter sido arrancados por turbulência excepcionalmente forte ou por uma reação inadequada da tripulação.

Imagens divulgadas nas redes sociais levantaram questionamentos sobre a possível ausência dessas estruturas pouco antes do impacto. Na segunda-feira, Tom Chapman, integrante do NTSB, afirmou que havia indícios de que o avião estava se desintegrando antes de atingir o solo.

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A investigação ainda não confirmou se houve falha estrutural nem determinou a participação de cada fator no acidente. Feith comparou o caso à queda do voo 4184 da American Eagle, que investigou em 1994, em Roselawn, Indiana. Naquela ocasião, 68 pessoas morreram.

Para Daniel Bubb, o acidente reforça uma orientação ensinada na formação de pilotos: evitar atravessar tempestades, já que a intensidade dessas condições meteorológicas pode ser difícil de prever.

Valdir Antonelli
Valdir Antonelli

Valdir Antonelli é jornalista com especialização em marketing digital e consumo.

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