O telescópio espacial Swift, da NASA, encerrou sua trajetória de mais de duas décadas no espaço nesta quarta-feira (4). O observatório reentrou na atmosfera terrestre de maneira descontrolada, três meses depois de uma tentativa de resgate realizada por uma empresa privada fracassar.
Batizado oficialmente de Neil Gehrels Swift Observatory, o equipamento foi lançado em novembro de 2004 para estudar explosões de raios gama, alguns dos fenômenos mais energéticos do Universo.
Segundo informações citadas pelo Space.com, o telescópio reentrou na atmosfera às 9h39 (horário de Brasília) sobre o norte de Sumatra (Indonésia). O equipamento pesava aproximadamente 1.450 kg e tinha dimensões semelhantes às de um micro-ônibus.
A maior parte da estrutura deveria se desintegrar durante a passagem pela atmosfera. Antes da reentrada, a NASA estimou em apenas uma chance em 2,1 mil a possibilidade de algum fragmento sobrevivente atingir uma pessoa na superfície terrestre.
Telescópio deveria funcionar por apenas dois anos
- O Swift foi desenvolvido inicialmente para uma missão de dois anos, com o objetivo de identificar explosões de raios gama, determinar suas posições e direcionar rapidamente seus instrumentos para observar os locais dos eventos;
- A agilidade era fundamental: o observatório conseguia realizar esse processo em aproximadamente um minuto, permitindo registrar fenômenos cujos sinais posteriores desapareciam rapidamente;
- O desempenho superou as expectativas. O equipamento continuou realizando observações científicas por cerca de 22 anos, aproximadamente dez vezes mais do que o período inicialmente previsto;
- Ao longo de sua trajetória, o telescópio identificou mais de duas mil explosões de raios gama e 1,4 mil supernovas. Também estudou buracos negros, asteroides, cometas e outros fenômenos astronômicos;
- Sua última observação científica ocorreu em 20 de outubro de 2026.

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Tentativa de resgate fracassou em setembro
O retorno à Terra poderia ter sido adiado. Em setembro de 2025, a NASA concedeu contrato de US$ 30 milhões (aproximadamente R$ 165 milhões) à empresa americana Katalyst Space para desenvolver uma missão robótica capaz de elevar a órbita do Swift.
O observatório estava perdendo altitude gradualmente por causa do arrasto atmosférico e não possuía propulsores próprios para compensar esse efeito.
Para realizar o resgate, a empresa desenvolveu a LINK, espaçonave robótica com três braços e dimensões semelhantes às de uma geladeira. O equipamento foi lançado em 3 de julho de 2026, com o objetivo de alcançar o Swift em agosto.
A operação, entretanto, não aconteceu como planejado. A LINK apresentou problemas no sistema de propulsão e nas rodas de reação responsáveis por manter sua orientação no espaço, impedindo o encontro com o telescópio. A própria espaçonave de resgate acabou retornando à Terra em 25 de setembro.
Apesar do resultado, a NASA considerou que a iniciativa trouxe aprendizados importantes para futuras operações de manutenção e extensão da vida útil de satélites.
Queda de satélites deve se tornar mais frequente
A reentrada do Swift não é um acontecimento isolado. Segundo um relatório de 2025 citado pelo Space.com, pelo menos três objetos de grande porte — satélites desativados ou partes de foguetes — retornam à atmosfera terrestre diariamente, em média.
A tendência é que esse número aumente nos próximos anos, à medida que a humanidade amplia a quantidade de satélites em órbita, especialmente por meio de megaconstelações.
O fim da missão Swift, portanto, também evidencia um desafio crescente para a atividade espacial: administrar a quantidade cada vez maior de equipamentos que permanecem ao redor do planeta e planejar o destino dessas estruturas quando deixam de funcionar.
Rodrigo Mozelli é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e, atualmente, é redator do Olhar Digital.