A mudança foi comunicada pelo CEO da companhia, Dave Limp, em memorando enviado aos funcionários na quarta-feira (4). Segundo o executivo, a equipe avançou na recuperação da estrutura, mas o processo tem sido difícil. “Esse pequeno ajuste não diminui o que conquistamos nem a importância do trabalho que ainda temos pela frente. Retornar o New Glenn aos voos continua sendo nossa principal prioridade”, escreveu Limp.
O foguete está sem voar desde maio, quando uma explosão durante teste de ignição danificou seriamente a infraestrutura de lançamento da empresa. O acidente aconteceu poucos dias antes de missão que levaria 48 satélites da Amazon para a órbita terrestre.
O que causou a explosão do New Glenn?
- A anomalia aconteceu em 28 de maio, durante teste de fogo estático do New Glenn no Complexo de Lançamento 36. Em atualização divulgada em agosto, a Blue Origin informou que a investigação apontou a válvula principal de oxigênio de um dos motores BE-4 como origem do problema;
- A empresa realizou testes em componentes e motores para entender melhor a falha e desenvolver medidas de correção. Na ocasião, informou que faria pequenas modificações na válvula, com possibilidade de adaptação aos motores já existentes;
- Além dos trabalhos no foguete, a companhia precisou recuperar a infraestrutura atingida pela explosão. A torre de acesso aos veículos e a ponte de lançamento foram reconstruídas ou restauradas, enquanto equipamentos importantes, como a torre contra raios e o sistema usado para transportar e erguer o foguete, foram perdidos;
- Em junho, a Blue Origin anunciou que não reconstruiria a plataforma exatamente como era antes. A empresa decidiu adotar modelo híbrido de integração horizontal e vertical, aproveitando estruturas existentes para acelerar a retomada das operações.

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Atraso afeta planos da Amazon e disputa com a SpaceX
O adiamento representa obstáculo para a Amazon, que conta com o New Glenn para colocar parte de sua constelação de internet via satélite, a Leo, em órbita. Enquanto o foguete da Blue Origin permanece em solo, a companhia de Jeff Bezos recorreu a outros fornecedores, como United Launch Alliance e Arianespace.
A Arianespace, por exemplo, anunciou missão com 36 satélites da Amazon Leo a bordo de foguete Ariane 6, com lançamento previsto para não antes de 23 de novembro.
A situação também pressiona a Blue Origin em sua disputa com a SpaceX, de Elon Musk. A empresa de Bezos tenta aumentar a frequência de lançamentos do New Glenn para conquistar mais clientes comerciais e contratos governamentais.
A Blue Origin tem planos ambiciosos para suas operações na Flórida. Em outubro, anunciou investimentos em instalações de fabricação e lançamento com o objetivo de viabilizar múltiplos voos por semana até o fim da década. A companhia também solicitou autorização para elevar o limite de lançamentos anuais no Complexo 36 de 12 para 50.
O foguete ainda é importante para os planos da NASA de retornar à Lua. A agência selecionou a Blue Origin para desenvolver um módulo de pouso lunar que será utilizado no programa Artemis.
Com o novo cronograma, a empresa terá de concluir a recuperação da estrutura e preparar o veículo antes de tentar novamente colocar o New Glenn em operação.
Rodrigo Mozelli é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e, atualmente, é redator do Olhar Digital.