Deslizamentos de terra em Marte desafiam leis da física; entenda

Cientistas da UCL podem ter encontrado uma resposta diferente daquela já estudada; a interpretação do fenômeno marciano pode ajudar identificar eventos parecidos na Terra

Sofia Aureli, editado por Maria Lutfi 10/12/2019 12h50
Marte
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Os deslizamentos de terra em Marte parecem desafiar uma importante lei da física. Eles são formados por enormes volumes de rocha e solo, e ocorrem devido à força da gravidade. Com volumes superiores ao do Empire State Building, eles se movem em altas velocidades de até 360 quilômetros por hora sobre superfícies planas por até dezenas de quilômetros.


Sua causa, no entanto, permanece nebulosa. Afinal, sua ocorrência parece indicar que não há atrito - ou há muito pouco. Para quem não é familiarizado com o termo, atrito é uma força da física que resiste ao movimento de uma superfície deslizando sobre a outra. Isso ocorre, por exemplo, quando se dirige um carro em uma pista molhada ou com gelo.

Uma das regiões mais curiosas é o Valles Marineris em Marte, um cânion reto de 4 mil km de comprimento e 8 km de profundidade. Ele está localizado ao sul do equador marciano, onde se observa deslizamentos de terra longos e desordenados.

Em um desses deslizamentos, ocorrem longos cumes que se estendem na direção do movimento por quase toda sua extensão. Parte da comunidade científica acredita que eles foram anteriormente interpretadas como resultado do gelo que restou no momento do deslizamento, hipótese apoiada pelo fato de que estruturas semelhantes foram observadas em avalanches terrestres.

Porém, os pesquisadores Tom Mitchell e Giulia Magnarini, da University College London (UCL), criaram representações 3D do terreno, obtidas a partir de imagens de satélite de alta resolução e dados de elevação do solo. Assim, calcularam a espessura dos deslizamentos, o comprimento dos cumes, altura e o comprimento da onda – a distância de um cume e outro.

Por meio do estudo dos cumes, os pesquisadores da UCL sugeriram que o gelo não é uma condição necessária para a formação dos cumes longos, mas que eles podem ter se formado em altas velocidades devido a camadas subjacentes de rochas leves e instáveis. Isso teria acontecido pelas vibrações e colisões de partículas de rocha no fundo do declive com a superfície áspera do vale, o que teria iniciado um “processo de convecção” que causaria a queda de camadas superiores de rochas mais densas e pesadas, e elevação de rochas mais leves.

Geólogos discutem o comportamento estranho dos deslizamentos de terra marcianos desde que foram identificados pela primeira vez, há quase meio século. Estudar os eventos de outros planetas podem também fornecer dicas e novos olhares sobre os fenômenos terrestres. Afinal, enquanto Marte tem suas características morfológicas bem preservadas; na Terra, onde eles também ocorreram durante a história geográfica, mas tiveram suas evidências mascaradas (senão apagadas) pelos efeitos da erosão, intemperismo atmosférico (vento, chuva e assim por diante), cobertura vegetal e ação de placas tectônicas.

"Na Terra, o registro incompleto de tais eventos catastróficos pode levar a interpretação errôneas e negligenciar o risco desses deslizamentos de terra”, afirma o artigo publicado no The Conversation.

 

Via: The Next Web

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