Estudo mostra como bactéria sobreviveu durante um ano no espaço

Fato reforça suspeitas de que vida microbiana seja capaz de viajar entre planetas sem sofrer danos; Deinococcus radiodurans passou um ano orbitando a ISS

Leticia Riente, editado por Fabiana Rolfini 11/11/2020 13h47
Estudo mostra capacidade de bactéria que sobreviveu um ano no espaço
A A A

A bactéria Deinococcus radiodurans, conhecida por ser extremamente resistente, sobreviveu um ano fora da Estação Espacial Internacional (ISS). Pesquisadores da Universidade de Viena, na Áustria, concluíram que o evento pode dizer muito sobre a vida microbiana no espaço sideral, considerando que se acredita que muitas espécies destes seres tenham sido transportadas por todo o universo por asteroides e meteoros. O estudo foi publicado no jornal Microbiome.


O que impressiona os cientistas é que o organismo sobreviveu com sucesso à radiação ultravioleta cósmica e solar galáctica, vácuo extremo, flutuações de temperatura, dessecação, congelamento e microgravidade. Depois do período em que ficou exposta, a bactéria ainda desenvolveu numerosas vesículas de membrana externa. 

Uma proteína multifacetada e respostas genômicas também foram iniciadas para aliviar o estresse celular, ajudando a Deinococcus radiodurans a reparar danos no DNA e se defender contra espécies reativas de oxigênio. 

Reprodução

Bactérias ficaram um ano fora da ISS e sobreviveram com sucesso. Créditos: Natalya Rozhkova/Shutterstock

O microrganismo também usou uma molécula primordial de estresse, a poliamina putrescina, como uma espécie de limpador de outras espécies reativas de oxigênio durante a regeneração da exposição espacial. Com todas estas observações, ficou claro que a bactéria não apenas sobreviveu ao ambiente adverso do espaço, mas adaptou novos mecanismos para reparar danos, mostrando como a vida microbiana pode prosperar mesmo fora da Terra.

“Essas investigações nos ajudam a entender os mecanismos e processos pelos quais a vida pode existir fora da Terra, ampliando nosso conhecimento de como sobreviver e se adaptar no ambiente hostil do espaço sideral”, disse Tetyana Milojevic, chefe do grupo de Bioquímica Espacial da Universidade de Viena e autora correspondente do estudo.

O evento ocorrido na órbita terrestre baixa (LEO, na sigla em inglês) fora da ISS, pode falar muito não apenas sobre a migração de extremófilos entre planetas, mas também oferece ainda mais detalhes sobre a capacidade da Deinococcus radiodurans. "Os resultados sugerem que a sobrevivência de D. radiodurans em LEO por um período mais longo é possível devido ao seu sistema de resposta molecular eficiente e indica que viagens ainda mais longas e mais distantes são alcançáveis para organismos com tais capacidades", conclui Tetyana.

Guinnes Book

A novidade sobre a Deinococcus radiodurans só reforça seu lugar no Guinness Book. No livro dos recordes, a bactéria tem o título de a mais resistente já conhecida. Ela até chegou a ser apelidada como "Senhora dos Anéis", uma referência à série de livros "Senhor dos Anéis", por sua grande capacidade de sobreviver à radiação.

Via: Futurism/Phys.org

ISS universo micróbios bactérias Ciência&Espaço
Assinar newsletter
Assine nossas newsletters e receba conteúdos em primeira mão
enviando dados - aguarde...
Parabéns! Sua assinatura foi recebida com sucesso!
Atenção: Em instantes você receberá um email de confirmação da assinatura. Para efetivá-la, clique no link de confirmação que você receberá. Verifique também sua caixa de SPAM, pois por se tratar de um email automático, seu servidor de emails poderá identificar incorretamente a mensagem como não solicitada.
Você faz compras Online? Não deixe de conferir a nova extensão do Olhar Digital que garante o preço mais baixo e ainda oferece testadores automáticos de cupons. Clique aqui para instalar a extensão Olhar Digital Ofertas em seu navegador!.

Recomendados pra você