Físicos descobrem que buracos negros podem, sim, ter 'cabelos'; entenda

Nova pesquisa mostra que é possível distinguir um buraco negro de outro

Guilherme Preta, editado por Matheus Luque 25/11/2019 09h21
Buraco Negro - Sagitário A*
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Nas décadas de 1960 e 1970, os físicos Jacob Bakenstein e John Wheeler fizeram alguns cálculos e determinaram que buracos negros “não têm cabelo”. Essa declaração aparentemente sem sentido pode ser explicada. O cabelo é frequentemente usado para descrever características que diferenciem as pessoas. Mas os físicos determinaram que os buracos negros não tinham algo que podia ser usado para descrever e diferenciar sua aparência.


De acordo com a teoria de Bekenstein e Wheeler, todos os buracos negros possuem três características observáveis definidas pela teoria da relatividade de Albert Einstein: massa, momento angular e carga elétrica. Em outras palavras, a dupla definiu que os fenômenos “não têm cabelo”, e isso torna muito difícil reunir qualquer informação sobre a história ou origem de um buraco negro.

Porém, em 2018, uma pesquisa liderada por cientistas da Universidade de Cambridge descobriu que buracos negros extremos, aqueles que possuem carga elétrica máxima possível, têm várias propriedades que os pesquisadores podem usar para diferenciar um do outro.

Agora, em 15 de novembro, uma equipe da Theiss Research da Califórnia publicou um novo artigo na revista Physical Review Research focado na capacidade de crescimento de “cabelos” em buracos negros.

Ao conduzir simulações computacionais intensas, a equipe determinou que dois tipo de buracos negros, os quase extremos de Reissner/nordström e os quase extremos de Kerr, podem produzir “cabelos” como buracos negros extremos, mesmo que por um curto período.

“Buracos negros quase extremos podem fingir que são extremos apenas por um tempo, mas, eventualmente, sua 'não extremalidade' se manifesta, deixando-os ‘careca’ novamente”, disse o pesquisador Lior Burko em comunicado.

Os astrofísicos podem não ter que esperar para ver o “cabelo” de um buraco negro quase extremo por muito tempo na vida real. A Agência Espacial Europeia planeja lançar três naves espaciais para detectar ondas gravitacionais dos buracos negros até o início dos anos 2030, tendo uma chance de o projeto detectar “cabelos” em um buraco negro quase extremo, de acordo com Burko.

Via: Futurism

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