SpaceX faz primeiro lançamento polar a partir da Flórida em 50 anos

Lançamentos de satélites em órbita polar geralmente decolam da Califórnia, para evitar que o foguete sobrevoe áreas populosas; sistema de auto-destruição do Falcon 9 minimiza o risco em caso de falhas

Rafael Rigues 31/08/2020 09h25
Foguete Falcon 9
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Neste domingo, pela primeira vez em mais de 50 anos, um foguete decolou do Centro Espacial Kennedy, na Flórida, e voou em direção ao sul para colocar sua carga em uma órbita polar (sobrevoando ambos os polos). O foguete foi um Falcon 9 da SpaceX, carregando o satélite de observação terrestre argentino SAOCOM-1B.


Lançamentos a partir da Flórida geralmente decolam rumo ao leste, sobrevoando o Atlântico até chegar ao equador. Lançamentos rumo ao sul são feitos da base aérea de Vanderberg, na Califórnia, por um motivo prático: lançando da Flórida, o foguete teria de sobrevoar áreas densamente povoadas, como Miami e Cuba, o que colocaria a população em risco no caso de uma falha no lançamento. Quando lançados da Califórnia eles sobrevoam o Oceano Pacífico durante praticamente todo o voo, o que reduz o risco.

A SpaceX conseguiu autorização para lançar da Flórida porque seu foguete Falcon 9 tem um sistema automatizado de segurança de voo, capaz de destruir o foguete em caso de anormalidade no lançamento mesmo sem um comando das equipes em solo. A altitude e velocidade do foguete são calculadas para que, em caso de destruição, não haja risco para as pessoas no solo.

"Sei que estamos cumprindo todos os requisitos de segurança atuais, e tudo é uma questão de estar na altitude e velocidade certa no momento - para se certificar de que quaisquer destroços que possam cair sejam pequenos o bastante, ou nem atinjam o solo, o que torna este um lançamento seguro", disse o General de Brigada Douglas Schiess, comandante da 45ª Ala Espacial da Força Aérea dos EUA.

O SAOCOM (Satélite Argentino de Observación Con Microondas) 1B é um satélite de observação terrestre, irmão do SAOCOM-1A que também foi lançado pela SpaceX em outubro de 2018. A missão tinha sido originalmente programada para março, mas foi adiada devido à pandemia de Covid-19.

O lançamento foi feito rumo ao sul para que o satélite fosse colocado em uma órbita polar e heliossíncrona, que faz com que ele sobrevoe uma região exatamente no mesmo horário a cada dia, algo importante para a principal missão do satélite, a prevenção e combate de desastres naturais.

Após o lançamento o primeiro estágio do foguete Falcon 9 retornou à Terra e pousou em segurança na zona de pouso 1 (LZ-1) no Centro Espacial Kennedy. Este foi o primeiro pouso em terra firme desde março deste ano e o quarto voo deste primeiro estágio, que nas duas primeiras vezes levou suprimentos à ISS (nas missões CRS-19 e CRS-20) e depois enviou um lote de satélites Starlink ao espaço.

Fonte: The Verge / Space.com

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