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Venon Marvel

A cruzada anti-Marvel continua

Sergio Alpendre, editado por Cesar Schaeffer 22/10/2019 19h10
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Entenda o movimento de alguns diretores de cinema contra os filmes de super-heróis

Depois de Francis Ford Coppola cerrar fronteiras ao lado de seu amigo de Nova Hollywood, Martin Scorsese, o diretor dos dois longas da franquia Guardiões das Galáxias, justamente dois dos mais interessantes blockbusters dos últimos anos, resolveu pular em defesa do seu ganha-pão. 

James Gunn, contudo, devia ter feito o que Jon Favreau, diretor da Marvel, fez, ou seja, devia ter saído pela tangente. Favreau enalteceu os cineastas Scorsese e Coppola e o direito de opinião que eles tinham. Gunn, por outro lado, se perdeu em comparações esdrúxulas, enfraquecendo um pouco os argumentos dos fãs de super-heróis.

Segundo o Observatório do Cinema, Gunn afirmou: “Muitos de nossos avós pensavam que todos os filmes de gangsteres eram os mesmos, muitas vezes chamando-os de ‘desprezíveis’. Alguns de nossos bisavós pensavam os mesmos do faroeste, e acreditavam que John Ford, Sam Peckinpah e Sergio Leone eram exatamente iguais”, num erro crasso  ao colocar o pioneiro John Ford, respeitado por seus pares à época, com os modernos Peckinpah e Leone, que não agradavam mesmo a todos, sendo que quatro décadas separam o início de carreira do primeiro do início dos últimos.

Depois ele relativiza, e bota alguns panos quentes na polêmica: "Os super-heróis são simplesmente os novos gangsteres, cowboys e aventureiros do espaço. Alguns filmes de super-heróis são horríveis, outros são lindos". E aí não deixa de ter sua razão. Claro que não há um filme sequer da Marvel que chegue aos pés do melhor que Scorsese e Coppola produziram, para não falar de um gênio como John Ford. 

Mas poderiam chegar, e essa é a questão. Poderiam ter roteiros melhores, direções melhores, poderiam ser menos calcados em cenas de ação filmados mal e porcamente. Críticas ao Universo Cinematográfico Marvel, e ao cinema em geral, são essenciais quando o que se quer é que os filmes melhores, que o cinema melhore. Sem crítica, isso é quase impossível.

Surgiram ainda mais dois diretores para engrossar o coro dos descontentes: Ken Loach, que faz um cinema muito diferente dos filmes da Marvel e por isso não tem a mesma força, e Fernando Meirelles, que involuntariamente reforça o time da Marvel com sua posição contrária aos filmes de super-heróis, pois seu cinema, até aqui, tem sido pior.

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