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A Vida Invisível

A Vida Invisível

Sergio Alpendre, editado por Cesar Schaeffer 22/11/2019 10h11
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Longa brasileiro é o indicado brasileiro a uma vaga no Oscar de filme estrangeiro

O cinema contemporâneo tem o vício de evitar o melodrama a qualquer custo, mesmo que o custo seja a frieza do filme ou seu fracasso na comunicação com o público.

Bem, não se pode dizer isso de Karim Ainouz em seu mais recente longa, A Vida Invisível, o indicado brasileiro a uma vaga no Oscar de filme em língua estrangeira, que acaba de estrear nos cinemas brasileiros. O diretor, pela primeira vez em sua carreira, abraça o melodrama sem entraves ou vergonhas.

Se O Céu de Suely disfarçava seu teor melodramático com uma câmera inquieta e uma crueza naturalista no tratamento do sexo, A Vida Invisível, baseado em A Vida Invisível de Eurídice Gusmão, livro de Martha Batalha, evita os disfarces, mesmo que o sexo naturalista exista em algumas cenas. O tema falou mais alto, e o tema pedia um tratamento melodramático, na linha de Douglas Sirk e Vincente Minnelli.

Acompanhamos a história de duas irmãs, Guida (Julia Stockler) e Eurídice Gusmão (Carol Duarte), que se separam no início da juventude porque a primeira era atirada e aventureira enquanto a segunda não tinha forças para perseguir o sonho de estudar piano em Viena.

É principalmente o Rio de Janeiro dos anos 1950 que vemos no filme, e fica claro o machismo e o atraso da sociedade brasileira daquela época, um atraso que nos prende e insiste em retornar com força.

Guida sofre o diabo quando vai atrás de um amor que se revela uma furada. Volta com um filho na barriga e não é aceita pelo pai português, que a expulsa de casa. Eurídice, por sua vez, casa-se com um homem tosco chamado Antenor (Gregório Duvivier) e acaba aceitando, por medo e insegurança, a vida de dona de casa típica das mulheres da época.

Na saída da sessão, não eram poucos os espectadores que comentavam sobre a tristeza que percorre todo o filme. A Vida Invisível é, de fato, um filme muito triste, quase sem esperança, daqueles que mostram o que é ser mulher num país atrasado.

Mas é levado com habilidade por um diretor amadurecido, que aposta numa encenação elegante e no trabalho exemplar das duas atrizes principais (Julia Stockler, principalmente, arrebenta, mas sua personagem permite maiores voos) e por isso faz seu melhor filme.

Fernanda Montenegro, atriz emblemática que andou sendo desrespeitada por gente que fugiu da escola, aparece muito pouco, mas suas cenas respondem pelo maior número de lenços usados durante a projeção.

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