Frankie

Produção franco-portuguesa dirigida por Ira Sachs não é memorável, mas está longe de ser desprezível

Sergio Alpendre, editado por Liliane Nakagawa 10/03/2020 23h10
Frankie
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Estranho um mundo em que um filme protagonizado por Isabelle Huppert, uma das maiores atrizes de todos os tempos, passe quase em branco por aqui. Ainda mais porque esse filme se passa em Sintra, cidade histórica de Portugal, país que está na moda entre brasileiros. A distribuidora poderia ter usado esse atrativo. Por outro lado, parece que temos poucos cinemas voltados a filmes que não sejam acéfalos, e isso faz com que cada filme autoral dure pouco em cartaz.


O fato é que "Frankie", produção franco-portuguesa dirigida por Ira Sachs, ainda está em cartaz em algumas cidades, geralmente em um único horário e em uma única sala. Não é um filme memorável, mas também está longe de ser desprezível. Fica no enorme espaço entre um e outro, o que já justifica a ida ao cinema, nem que seja para ver as belíssimas paisagens de Sintra ou atrizes magníficas em cena.

A trama é simples, similar aos filmes de encontros que eram feitos aos borbotões nos anos 1980 e 1990 (a produção deles não diminuiu, mas esse tipo de filme parece ter perdido o charme que tinha naquelas décadas). Isabelle Huppert é a personagem-título, uma atriz que descobre que está em seus últimos meses de vida, e por isso reúne familiares e amigos para um encontro na bela cidade portuguesa. Ali, tenta arrumar uma esposa para o filho Paul (Jérémie Renier), até descobrir que a mulher que tinha em mente, Ilene (Marisa Tomei) tinha viajado com o namorado Gary (Greg Kinnear). Estão na cidade seus dois maridos. O atual, Jimmy (Brendan Gleeson) e o anterior, Michel (Pascal Greggory).

O filme segue à maneira de uma convenção de pequenos burgueses, por vezes divertido, por vezes meio tolo, mas nunca realmente desagradável. Imaginemos o que um cineasta como Éric Rohmer faria com a mesma história (escrita por Sachs e seu corroterista habitual, Maurício Zacharias). No fundo, é mais um filme que agrada pelo elenco do que pelas situações criadas.

Talvez a subtrama mais interessante seja a de Ilene com Gary. Ele quer se casar com ela, mas ela resiste, pensa em outras coisas, não quer se amarrar, ou ao menos não sem pensar muito a respeito. Ilene, sobretudo, parece a personagem mais interessante, e não estranhamos por que Frankie a considera tanto. Feito para Huppert brilhar mais uma vez, quem rouba as cenas, contudo, é Marisa Tomei, graças à vivacidade de Ilene.



* Sérgio Alpendre é crítico e professor de cinema
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