A Espiã (2008)

Pérola escondida na Amazon Prime: A Espiã (2008)

Sergio Alpendre, editado por Cesar Schaeffer 21/10/2019 15h10
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Interpretação irresistivelmente carnal de Carice van Houten, em cenas de sexo e nudez, fariam os censores americanos espumar de desespero

Paul Verhoeven é um diretor holandês que fez carreira em seu país natal com filmes excelentes como Os Amantes de Katty Tippel (1975) e O Quarto Homem (1983). Em meados dos anos 1980, emigrou para Hollywood, realizando alguns filmes essenciais como o policial Robocop (1987), as ficcões científicas O Vingador do Futuro (1990) e Tropas Estelares (1997) e o polêmico Showgirls (1995). 

Ao tornar-se um pária numa Hollywood que aceitou cada vez menos cineastas críticos do American Way of Life, realizou, na Holanda, a obra-prima A Espiã (2008), sobre uma cantora judia chamada Rachel (Carice van Houten) que se disfarça de alemã para sobreviver durante a Segunda Guerra Mundial. Ela se envolve com a resistência holandesa, e se envolve com o oficial alemão Müntze (Sebastian Koch), uma espécie rara de nazista simpático, ou pelo menos não tão vilão como os outros.

A resistência já havia sido tema de um outro filme holandês do diretor, Soldado de Laranja (1977). E foi durante a pré-produção deste filme que surgiu a ideia de A Espiã, mas ela ficou congelada até meados dos anos 1980, quando o roteiro e as pesquisas tiveram início. 

Talvez a pesquisa não fique tão evidente porque Verhoeven realiza aqui seu filme mais clássico. Existe, acima de tudo, uma preocupação com a narrativa muito maior que em qualquer outro de seus filmes – exceção, talvez, a Instinto Selvagem (1993). Tudo parece estar a serviço do bom entendimento da história, de seu desenrolar e da construção dos personagens. Há um senso muito grande de contenção, mas também de uma justeza absoluta no tom.

A Espiã mostra um Verhoeven maduro, numa linhagem que sai de Douglas Sirk (Amar e Morrer, 1958) e passa por Fassbinder (Lili Marlene, 1980). No entanto, os traços de sua autoria estão presentes o tempo todo, seja na interpretação irresistivelmente carnal de Carice van Houten, em cenas de sexo e nudez que fariam os censores americanos espumar de desespero, seja pela crueldade com que mostra os holandeses, ou ainda pela intensa melancolia que termina por circundar todo o relato. 

 

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