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Em situações normais, qualquer filme de Stanley Kubrick nem precisaria ser recomendado, quanto mais estar numa seção chamada “Pérola Escondida”.
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Acontece que seu último filme é de 1999, e para muitos jovens só interessa o que foi feito nos últimos cinco anos, sendo bem otimista.
Bom, o filme que recomendo hoje é justamente o último realizado por Kubrick: De Olhos Bem Fechados. E é mais atual e moderno que 99,999% dos filmes lançados neste ano, sem exagero.
Tom Cruise tem uma das melhores interpretações de sua carreira como o médico William Harford, que pira ao saber que sua esposa, Alice (Nicole Kidman), teve fantasias sexuais com outro homem. William vai à forra, à sua maneira. Seu objetivo é transar com todas as mulheres que vir pela frente, e nas andanças noturnas recebe um convite para uma orgia secreta misteriosíssima num casarão afastado de Nova York.
É perfeito para o cinema de Kubrick: ilusões a mil nesse casarão e em tudo que se faz ali. Mas o próprio filme é uma ilusão. Nova York foi recriada em Londres (porque Kubrick mal pisava em solo americano, tamanho o desgosto com sua terra natal). Uma das conversas antológicas do filme se dá com o diretor Sidney Pollack (não um mau diretor, mas certamente melhor como ator). Kidman e Cruise ainda eram casados quando o longa foi filmado, o que nos dá uma nova perspectiva do clima denso alcançado por eles sob a batuta de Kubrick.
Tem mais. O diretor mostrou a cópia final de De Olhos Bem Fechados para a Warner e morreu poucos dias depois. Foi um lançamento póstumo, o que dá um caráter um tanto lúgubre ao filme (e isto o favorece). Por fim, o final é tão audacioso e remodelador de nosso entendimento que custamos a crer que o filme terminou de fato.
O roteiro do longa foi escrito pelo próprio Kubrick e por Frederic Raphael, baseado no romance Traumnovelle, de Arthur Schnitzler. Em inglês o livro se chama Dream Story, numa tradução fiel ao original alemão. No Brasil foi lançado como Breve Romance de Sonho. Creio não precisar dizer mais nada a partir dessa informação.
Mesmo sem ela, o espectador perceberá que se trata de uma obra de arte majestosa, que jamais deveria estar escondida.