Coronavírus: companhias aéreas são obrigadas a fazer voos fantasmas

Mesmo com queda na demanda de passageiros, norma europeia obriga que empresas operem voos para garantir vagas em aeroportos

Victor Pinheiro, editado por Cesar Schaeffer 10/03/2020 15h06
Virgin Atlantic
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Em meio à epidemia do novo coronavírus, companhias aéreas estão sendo obrigadas a realizar “voos fantasmas” para manter o direito de pousar ou decolar em aeroportos da Europa.


No setor de aviação, esse direito é conhecido como slots. Trata-se de uma vaga que permite às empresas aéreas marcarem um pouso ou uma decolagem em um intervalo pré determinado de tempo. Essa prática obedece a um sistema internacional que controla as operações em um aeroporto saturado.

Reprodução

O problema, segundo reportagem publicada pela BBC, é que a epidemia de Covid-19 reduziu acentuadamente a quantidade de passageiros de voos comerciais. Uma lei europeia, no entanto, determina que as empresas aéreas são obrigadas a usar pelo menos 80% do tempo de ocupação dos slots, mesmo com o baixo movimento. Caso descumpram a regra, elas perdem o posto para concorrentes.

Sendo assim, representantes do setor, como a gigante britânica Virgin Atlantic, estão realizando voos com até 60% dos assentos vazios. “A demanda de passageiros de viagens aéreas caiu muito devido a Covid-19 e estamos sendo forçados a voar com aeronaves quase vazias ou perdemos nossos slots”, disse Shai Weiss, chefe-executivo da empresa, à BBC.

No caso do Reino Unido, os slots são obtidos pelas companhias por direitos históricos de operação. Por exemplo, se uma delas opera em um horário particular no verão, essa mesma empresa detém o direito de ocupar o mesmo slot no verão seguinte.

Suspensão

Diante do impasse, o governo britânico reagiu. No Twitter, o secretário de transportes do Reino Unido, Grant Shapps, comunicou o envio de uma proposta à Comissão Europeia para afrouxar a norma enquanto o bloco sofre com reflexos da epidemia do coronavírus.

“Isso [a situação] está levando à ocorrência de voos fantasmas internacionais carregando poucos passageiros. Um reflexo duplamente problemático, que causa danos para as companhias aéreas e danos desnecessários ao meio ambiente”, diz o documento. A medida segue o caminho da China e Hong Kong - território autônomo do país, que suspenderam os limites dos slots temporariamente.

A Airport Coordination Limites, organização diretamente responsável pela alocação de slots no Reino Unido, também adotou a causa e se juntou a outras organizações na europa para suspender a norma até o fim de junho.

Fonte: BBC


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