Estas são as 6 vacinas mais avançadas contra Covid-19; conheça cada uma

Seis estudos já estão entrando na terceira e definitiva fase de testes contra o coronavírus

Renato Santino 20/07/2020 20h10
vacina de covid-19
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Ninguém discute que a vacina contra Covid-19 é a melhor saída contra a pandemia, e nunca na história se deu saltos tão rápidos no desenvolvimento de algum composto deste tipo. Diante do tamanho dessa crise, laboratórios no mundo inteiro iniciaram uma corrida pelo ouro, já que quem surgir com a primeira vacina realmente eficaz contra o vírus certamente faturará fortunas.


Essa motivação faz com que, neste momento, a Organização Mundial de Saúde reconheça 163 vacinas contra a Covid-19 em desenvolvimento. A maioria delas ainda está em fase pré-clínica, o que indica que os pesquisadores ainda estão trabalhando com células in vitro ou com animais, mas 23 estudos já avançaram para testes em humanos.

Dentro destes 23, há aquelas que estão avançando mais rapidamente. Mais especificamente, há 6 candidatas que já estão na fase 3, a etapa definitiva de testes, ou já caminham para iniciar essa etapa final.

Conheça aquelas vacinas que estão mais próximas de chegar até a aplicação real:

  • Oxford-AstraZeneca (Reino Unido)

A vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford e abraçada pela farmacêutica AstraZeneca já foi apontada pela OMS como aquela com as pesquisas mais avançadas no mundo. Não é à toa. A pesquisa já teve seus resultados de fase 2 divulgados, atestando sua segurança e capacidade de geração de resposta imune, criando otimismo para a fase definitiva.

Durante a fase 2, foram 1.077 participantes, sem apresentação de efeitos adversos considerados preocupantes, sendo a maioria deles resolvidos com nada mais que paracetamol, e com todos os pacientes envolvidos desenvolvendo anticorpos e células T contra o coronavírus após a segunda dose.

A tecnologia de vacina de Oxford é inédita: não há outra similar em uso em humanos. Os pesquisadores utilizaram um adenovírus causador de resfriado alterado para ser incapaz de causar doenças em humanos. Ele recebe um pedaço do material genético do Sars-Cov-2 para manifestar a proteína Spike, utilizada pelo coronavírus para ligar-se às células e causar a infecção. A ideia é que, desta forma, o organismo pode desenvolver a resposta à proteína sem precisar entrar em contato com o vírus real.

A fase 3 da vacina de Oxford já está em andamento. O Brasil é parte dos testes, contribuindo com 2.000 voluntários da área de saúde. Além disso, as pesquisas também estão em andamento na África do Sul, no Reino Unido e mais países a serem anunciados.

  • Sinovac (China)

A chinesa Sinovac é outra empresa que já divulgou seus resultados de fase 2 ainda em junho, com cerca de 600 participantes, também com resultados positivos. Não houve efeitos adversos mais preocupantes, e 90% dos pacientes desenvolveram a resposta imune esperada. Os dados ainda não foram publicados em formato de artigo científico, no entanto.

Ao contrário da vacina de Oxford, a Sinovac utiliza uma tecnologia amplamente conhecida para o desenvolvimento da vacina, que utiliza o vírus inativado para treinar o sistema imunológico. É o método mais conhecido para vacinar e utilizado para imunizar pessoas no mundo inteiro há décadas.

A vacina da Sinovac, também conhecida como CoronaVac, também será testada internacionalmente. A empresa já tem um acordo com o Instituto Butantan, ligado ao governo de São Paulo, para testar a vacina em seis estados, e as aplicações devem começar ainda nesta semana.

  • Sinopharm (China)

Outra vacina chinesa que está avançando para a etapa definitiva. Assim como as vacinas mencionadas previamente, a iniciativa passou pelas fases preliminares de testes e se provou segura e capaz de induzir resposta imune.

Durante os experimentos, foram 1.120 voluntários, que receberam duas aplicações da vacina em diferentes doses. Após 28 dias da primeira aplicação, os pesquisadores perceberam 100% de seroconversão dos pacientes, o que significa que todos os vacinados tinham os anticorpos desejados ao final do ciclo. No entanto, os dados também não foram publicados em formato de artigo científico até o momento.

Assim como a vacina da Sinovac, a iniciativa da Sinopharm se baseia no uso do vírus inativado para gerar resposta imune contra a Covid-19. A pesquisa também já entrou na fase 3 de testes, com a aplicação em voluntários nos Emirados Árabes.

Estão quase lá

Algumas pesquisas já estão avançando para a fase 3 em breve, mesmo com resultados conhecidos apenas em etapas muito preliminares. É um sinal da urgência da Covid-19: muitas vezes, os testes de uma fase começam antes mesmo da conclusão e publicação das etapas anteriores.

  • Moderna (Estados Unidos)

A americana Moderna fez muito barulho com sua vacina, mas pouco se sabe sobre a iniciativa em uma escala maior. A empresa anunciou resultados muito animadores na fase 1 de testes, mas ainda não há informação sobre como estão os resultados da fase 2, que ainda estão em andamento.

Na fase 1, além de a vacina se mostrar segura, ela se mostrou a resposta imunológica esperada entre seus 45 voluntários. Todos os pacientes que receberam a vacina registraram um nível de anticorpos imunizantes maior do que os pacientes de Covid-19, o que é positivo, e era o resultado esperado pelos pesquisadores. No entanto, para alcançar esse resultado, foi necessário a aplicação de duas doses com um mês de diferença entre elas.

Mesmo com tanta incerteza sobre a eficácia, a empresa já está às vésperas do início da fase 3 de testes, que devem ter início nos Estados Unidos ainda no mês de julho. Os testes definitivos estão programados para o dia 27, e a empresa espera alcançar 30 mil voluntários.

A Moderna aposta em outra tecnologia inédita para a sua vacina, utilizando RNA mensageiro para gerar imunidade. A ideia é aplicar material genético no corpo para que o próprio organismo produza as proteínas virais, induzindo a resposta imunológica.

  • CanSino (China)

Outra empresa que ainda não começou a fase 3 de testes, mas que já tem tudo encaminhado para começar em breve. A publicação de pesquisa credencia a fase 2 dos resultados da empresa como bastante promissora.

Foram 603 voluntários, dos quais 508 foram efetivamente alocados em algum dos grupos de teste. Entre eles, 126 receberam um placebo, enquanto o restante foi dividido em dois grupos que receberam uma dose completa ou meia dose. Apenas uma aplicação foi necessária, e não houve efeitos adversos mais preocupantes.

Já na questão de imunogenicidade, os pesquisadores também notaram sinais animadores. As duas dosagens da vacina produziram resultados similares, o que é um sinal positivo de que meia dose pode ser suficiente para imunizar um paciente e importante quando se pensa nas bilhões de doses necessárias para imunizar toda a humanidade. Os índices de seroconversão ficaram acima de 90% nos dois grupos.

A farmacêutica já anunciou que está conversando com vários países no mundo para realização dos experimentos, citando inclusive o Brasil entre possíveis candidatos para os testes. Até o momento, o Canadá já está confirmado como cenário para os testes da empresa.

A vacina da CanSino segue uma proposta similar à de Oxford, utilizando um outro vírus, um adenovírus inofensivo, que carrega material genético do Sars-Cov-2 para manifestar as proteínas Spike, permitindo ao corpo desenvolver a resposta contra uma infecção real.

  • Gamaleya (Rússia)

A mais misteriosa entre as vacinas até o momento. O laboratório russo anunciou resultados positivos na fase 1 de testes, mas sem muito detalhamento ou um artigo científico, e já fala em expandir os ensaios para a fase 3 ainda na metade de agosto. Os pesquisadores conduzem, neste momento, um experimento de fase 2 com cerca de 100 pessoas.

Na fase 1, o que se sabe até o momento é que a vacina se mostrou segura para o uso, mas não há mais informações sobre a imunogenicidade do composto, apenas uma afirmação de que os participantes desenvolveram resposta imune contra o vírus. Foram 38 voluntários acompanhados.

A expectativa dos cientistas é realizar os testes definitivos não apenas na Rússia, mas também em países do Oriente Médio e de outras regiões ainda não definidas.

Nesta pesquisa, os cientistas também apostaram em uma mecânica de vetor viral, também utilizando um adenovírus geneticamente alterado para manifestar características do Sars-Cov-2.



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