Mutações não tornaram o novo coronavírus mais agressivo, diz estudo

Pesquisadores da University College London analisaram mais de seis mil mutações do vírus documentadas durante a pandemia

Victor Pinheiro, editado por Fabiana Rolfini 25/05/2020 13h30
Coronavírus
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Um estudo liderado por pesquisadores da University College London (UCL), no Reino Unido, identificou que as mutações já documentadas do novo coronavírus (Sars-Cov-2) não tornam o agente infeccioso mais transmissível. A pesquisa analisou o sequenciamento genético de vírus extraídos de mais de 15 mil pacientes com Covid-19, de 75 países.


Os resultados foram divulgados em pré-publicação. Ou seja, o trabalho ainda não foi publicado em um periódico científico e não passou pela revisão de pares acadêmicos. A iniciativa, no entanto, baseou-se em outro artigo descrito na revista Infection, Genetics and Evolution, em abril, que relatou uma série de mutações do genoma do novo coronavírus.

“Nós empregamos uma nova técnica para determinar se os vírus com as novas mutações são realmente transmitidos a uma taxa mais alta, e o que nós encontramos é que nenhuma das mutações parece estar beneficiando o vírus”, afirmou o professor do Instituto de Genética da UCL, François Balloux.

Mutações prejudiciais ao vírus

Assim como outros agentes virais, o Sars-Cov-2 pode desenvolver mutações de três maneiras: a partir de variações no processo de replicação do vírus; por interações com outros vírus em uma mesma célula infectada; ou por modificações induzidas pelo sistema imunológico do hospedeiro. Essas mutações podem ser neutras ou gerar vantagens e desvantagens para a sobrevivência e disseminação do vírus.

A equipe de pesquisadores da UCL identificou o total de 6.822 mutações do novo coronavírus durante análise de conjuntos de dados globais. A pesquisa apontou que 273 casos apresentaram fortes evidências que as variações genéticas ocorreram de forma repetida e independente. Deste grupo, os cientistas selecionaram 31 mutações que ocorreram pelo menos dez vezes durante a pandemia.

Para estudar o potencial de transmissão dessas mutações, a pesquisa modelou a linhagem de evolução do vírus. Os cientistas então analisaram se as variações genéticas tornaram as infecções desses vírus predominantes em relação a outros agentes que não carregam a mutação. Os resultados não apontaram evidências que as mutações aprimoraram a capacidade de contágio do novo coronavírus.

Em vez disso, a maior partes das modificações foram classificadas como neutras ou levemente prejudiciais ao próprio vírus.

Reprodução

A pandemia do novo coronavírus provocou 345 mil mortes e infectou mais de 5,4 milhões de pessoas no planeta, até esta segunda-feira (25). Imagem: Wikicommons

Uma das variações genéticas analisadas afeta, inclusive, a proteína espinhosa do novo coronavírus. A estrutura é entendida por muitos cientistas como o principal instrumento do antígeno para infectar as células humanas e se reproduzir no organismo. O estudo relata, porém, que a mutação na proteína não está associada ao crescimento da transmissão viral.

O trabalho dos pesquisadores da UCL ainda afirma que as mutações mais comuns parecem ter sido induzidas pelo sistema imunológico humano, em vez de representarem o resultado da adaptação do vírus aos hospedeiros.

“É de se esperar que um vírus mude e, eventualmente, divida-se em linhagens à medida que se torna mais comum em populações humanas, mas isso não implica necessariamente que surgirão linhagens mais transmissíveis ou agressivas”, afirmou a primeira autora do projeto e professora da UCL, Lucy van Dorp.

Fonte: Medical Express


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