OMS: mesmo com eventual vacina, coronavírus pode nunca desaparecer

Diretor de operações da entidade ressaltou os riscos do afrouxamento precipitado de medidas de distanciamento social

Victor Pinheiro, editado por Matheus Luque 13/05/2020 20h43
Coronavírus
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O diretor de operações da Organização Mundial da Saúde (OMS) Michael Ryan admitiu, nesta quarta-feira (13), a possibilidade de que a Covid-19 se transforme em uma doença endêmica e nunca desapareça. Segundo ele, ainda há um "longo caminho" até o fim da pandemia do novo coronavírus e governos de todos os países devem se manter vigilantes.


"É muito difícil prever quando vamos prevalecer sobre o vírus. E pode ser que nunca aconteça. Pode ser que nunca desapareça, que se torne endêmico, como outros vírus." afirmou Ryan. "O HIV não desapareceu. Encontramos as terapias e as pessoas não tem mais o mesmo medo. Não estou comparando as duas doenças, mas precisamos ser realistas", reforçou.

Para Ryan, a distribuição de uma vacina eficaz contra o novo coronavírus é fundamental para combater a pandemia. No entanto, o recurso não garante o controle total da doença. Ele diz que, além do desafio de garantir o acesso à vacina para todo o mundo, é preciso que os sistemas de saúde sejam capazes de aplicá-las.

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Michael Ryan, diretor de operações da OMS (Foto: Christopher Black/OMS)

"Temos vacinas perfeitamente eficazes neste planeta que não usamos de forma eficiente. Para doenças que poderíamos eliminar e até erradicar - e nós não fizemos isso. Nós não tivemos a vontade ou a determinação para investir em sistemas de saúde para fornecer isso. Nós não tivemos a capacidade de sustentar cuidados de saúde na linha de frente", avaliou o diretor de operações da OMS.

O representante da entidade chegou a citar como exemplo o sarampo. Em 2018, a doença provocou cerca de 140 mil mortes no mundo todo, segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde. O Brasil perdeu o certificado de erradicação da doença em fevereiro de 2020.

Segundo Ryan, o controle da Covid-19 ainda vai depender de um esforço conjunto nos âmbitos políticos e financeiros internacionais. Ele defende um sistema multilateral baseado em valores de solidariedade, confiança e cooperação. "De algumas formas, nós temos controle sobre esse futuro", afirma.

Reabertura da economia

Ryan ainda falou sobre riscos do afrouxamento precipitado de medidas de distanciamento social. Na sua avaliação, se o processo for conduzido sem a cautela necessária, a retomada de atividades pode resultar em um escalada de contágio do novo coronavírus. E no caso de países que não dispõem de estruturas de testagem apropriadas, as nações vão levar dias ou semanas para detectar o problema.

Ele ressalta ainda que no caso de novos surtos os governos podem ser obrigados a restabelecer medidas restritivas. "Para a economia, o pior é abrir sem estar preparada e não sei se as economias tem como aguentar isso", alertou.

Para Ryan, é fundamental que, em um processo de reabertura, governos estejam preparados para agir se identificarem novos surtos. Ele cita como bons exemplos, a Coreia do Sul, a China e a Alemanha. 

No mês passado, a OMS listou seis critérios que devem ser considerados antes do afrouxamento do distanciamento social: 

  • Transmissão da Covid-19 deve estar controlada;
  • Capacidade do sistema de saúde para detectar, testar, isolar e tratar todos os casos;
  • Capacidade de minimizar riscos de surtos em ambientes críticos, como unidades de saúde e asilos;
  • Existência de medidas preventivas nos locais de trabalho, nas escolas e em outros locais que provocam aglomerações;
  • Capacidade de gerenciar riscos de importação;
  • Comunidades educadas, engajadas e capacitadas para se ajustarem às recomendações de prevenção.

Fonte: UOL/G1


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