Robô desinfetante de ambientes fere pessoas nas Filipinas

Lâmpadas ultravioleta usadas pela máquina para sanitizar locais acabaram causando irritações nos olhos de 10 participantes de evento de testes

Rafael Arbulu, editado por Fabiana Rolfini 23/09/2020 16h13
Ultravioleta
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A fabricante de robôs Robotic Activations, sediada nas Filipinas, tirou de circulação um modelo recentemente criado, chamado Keno, após seu evento de testes resultar em irritações oculares em 10 pessoas.


O Keno é um modelo desinfetante, cujo funcionamento se resume a andar de forma autônoma por ambientes, usando suas lâmpadas ultravioleta (UV) para limpar o local e combater ameaças nocivas como o novo coronavírus.

A ocasião marcava uma espécie de “estreia” do Keno em ambiente público, e contava com membros da imprensa filipina - alguns jornalistas estão entre os feridos. Os devidos cuidados médicos foram realizados no local e alguns dos afetados foram encaminhados ao atendimento hospitalar devido à irritação ocular mais grave.

O evento seguia seu curso no Centro de Convenções Baguio e, além de empresários e jornalistas, também contava com membros da equipe CODE local, um grupo globalizado de combate à pandemia da Covid-19. 

A empresa já se desculpou pelo incidente, admitindo que se enganou na tomada de medidas de proteção, resultando nos ferimentos: “Nós sinceramente pensamos que estávamos empregando precauções suficientes quando a empresa pediu que nós ligássemos o robô, mas pelo visto, não estávamos”, disse Camille Anton, chefe de desenvolvimento de negócios da Robotic Activations, no domingo (20), dia do ocorrido.

O vídeo abaixo mostra o robô em ação (mas não o acidente):

 

A Robotic Activations afirmou já estar trabalhando na atualização dos protocolos do produto, mas não informou quando ele deve retornar à atuação pública. “Nós estamos oferecendo nossos serviços à cidade de Baguio de forma gratuita, primariamente no intuito de ajudar a cidade e demonstrar como a robótica pode ser uma grande aliada no combate à Covid-19”, disse Anton, antes do incidente.

“Nosso objetivo é o de aumentar o uso da tecnologia em geral conforme caminhamos e aliviamos a nossa chegada ao ‘novo normal’. A desinfecção é apenas uma das muitas aplicações robóticas, e estamos trabalhando para trazer outros produtos do tipo que se provarão bastante úteis também”.

Reprodução

Exemplo de robô ultravioleta usado no combate ao novo coronavírus: a foto mostra um modelo usado pelo MIT. Foto: Divulgação/MIT-CSAIL

Ultravioleta x Coronavírus

O uso da luz ultravioleta na eliminação de patógenos não é necessariamente novo, mas sua popularidade vem crescendo por este método supostamente oferecer mais uma via de combate à Covid-19. A fabricante japonesa, Ushio, por exemplo, criou uma nova lâmpada UV que atua em uma frequência menor que a habitual, eliminando o novo coronavírus sem causar dano aos olhos ou à pele humana.

É importante ressaltar, porém, que embora esse método esteja ficando mais e mais em evidência, a Organização Mundial da Saúde (OMS) não o reconhece como uma forma válida de combate ao vírus e, segundo ela própria, “não deve ser usado ou conduzido por pessoas”.

"A radiação ultravioleta pode causar irritação na pele e danos aos seus olhos. Limpar as mãos com loções e cremes à base de álcool ou lavá-las com sabão e água ainda são as formas mais eficazes de remover o vírus”, declarou o órgão no passado.

Fonte: CNN / Tech Times


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