Em Ilhabela, o asfalto termina antes de alguns dos cenários mais marcantes. A viagem pode continuar por mata fechada, rios, cachoeiras, estrada de terra ou mar aberto, enquanto o Parque Estadual de Ilhabela protege 84,3% do município. Esse desenho faz do arquipélago um destino em que o deslocamento também vira parte da experiência.
Por que 84,3% de Ilhabela está dentro de um parque estadual?
Sim. Segundo a Fundação Florestal, a unidade de conservação reúne 27.025 hectares e corresponde a 84,3% do município. Criado pelo Decreto Estadual nº 9.414, de 20 de janeiro de 1977, o parque preserva uma extensa porção de Mata Atlântica no arquipélago.
A proteção também ajuda a explicar por que parte da viagem exige mais planejamento. Das praias apresentadas pelo turismo municipal, 13 ficam na região leste em áreas mais remotas, e a maioria não possui estrada de acesso. Barcos e trilhas conectam esses trechos a comunidades tradicionais, costões e faixas de areia voltadas para o mar aberto.
Bonete exige 24 km de caminhada para quem escolhe a trilha
A Trilha do Bonete soma 24 km ida e volta na ficha oficial de trilhas do município. O percurso atravessa áreas preservadas, rios e três cachoeiras antes de alcançar a praia, onde permanece uma importante comunidade caiçara.
Quem prefere evitar a longa caminhada pode chegar ao Bonete de barco. Por terra, o caminho começa no extremo sul e transforma o acesso em parte central do passeio, com passagem por cursos d’água e trechos de floresta. A prefeitura classifica a trilha como difícil e recomenda monitoria, por isso o preparo físico e o planejamento pesam tanto quanto o destino final.

O que fazer entre Castelhanos Baepi e as cachoeiras?
Os atrativos oficiais permitem combinar praia, montanha e água doce em roteiros de intensidades bem diferentes. Antes de sair, a orientação municipal é consultar as regras de cada trilha e verificar quando há exigência de guia ou monitor ambiental.
- Praia de Castelhanos: fica no lado leste e pode ser alcançada por barco, trilha ou pela estrada-parque, com circulação terrestre controlada e veículos 4×4 autorizados.
- Pico do Baepi: são 7,4 km ida e volta, com duração indicada de 5h30 a 6h, dificuldade alta e monitoria obrigatória.
- Cachoeira da Água Branca: a trilha percorre cerca de 3,6 km ida e volta e passa por cinco poços naturais em aproximadamente duas horas.
- Cachoeira da Pancada D’Água: também chamada Três Tombos, reúne três quedas em um trajeto de 720 metros ida e volta, classificado como fácil.
- Trilha da Friagem: opção menos óbvia no norte do arquipélago, percorre 4,1 km ida e volta até uma cachoeira com cerca de 25 metros.
Como chegar e organizar os deslocamentos em Ilhabela?
O acesso ao município passa por São Sebastião e pela balsa estadual. A Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística de São Paulo (Semil) informa travessia em torno de 17 minutos e intervalos aproximados de 30 a 60 minutos entre embarcações. Para quem parte da capital paulista, a prefeitura indica cerca de 210 km até o litoral.
Dentro do arquipélago, quase todas as praias das regiões central, sul e norte contam com acesso rodoviário ou transporte público, enquanto o leste concentra os trajetos mais remotos. Para Castelhanos, a estrada-parque possui 17 km pelo interior da área protegida, e o acesso por veículo exige tração 4×4 e controle de entrada. Condições climáticas podem alterar rotas, por isso convém consultar os canais oficiais antes do deslocamento.
Ilhabela recompensa quem aceita o caminho
Ilhabela transforma distância em experiência: floresta, rios, montanhas e praias ficam conectados por caminhos que exigem escolhas diferentes de ritmo e preparo. A grande área protegida mantém essa sensação de contraste entre o município habitado e a Mata Atlântica. Se eu montasse um primeiro roteiro, começaria por uma trilha curta e reservaria Bonete ou Castelhanos para um dia inteiro.
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