Seu gato ronronou de novo e você nem percebeu que já estava sorrindo?
Isso tem explicação hormonal, e ela passa pelo mesmo circuito que liga mães aos filhos recém-nascidos. ⬇️
Você chega em casa e o gato esfrega o corpo na sua perna. A mão já vai direto para o pelo dele antes de tirar os sapatos, num gesto automático que não é mania nem exagero seu. Pesquisadores da Tokyo University of Agriculture mediram a urina de 49 gatos domésticos para investigar o assunto. Eles descobriram que o carinho físico eleva a oxitocina, hormônio ligado ao vínculo afetivo, tanto no felino quanto em quem acaricia.

O que acontece no cérebro quando você acaricia um gato?
O toque ativa receptores na pele que enviam sinais direto ao hipotálamo, região do cérebro que libera oxitocina na corrente sanguínea. Esse hormônio reduz a frequência cardíaca e a pressão arterial de quem faz o carinho. O mesmo mecanismo opera em mães e bebês humanos, o que explica por que o gesto parece tão familiar. Diferente da oxitocina, o cortisol, hormônio do estresse, não mostrou queda ligada ao ato de acariciar no estudo japonês.
Por que alguns gatos aceitam carinho e outros fogem do colo?
A resposta está no tipo de apego que cada bichano desenvolve com o tutor, algo mapeado por testes comportamentais em felinos. Nem todo contato produz o mesmo efeito hormonal, e alguns fatores pesam mais que outros nessa equação.
- Gatos com apego seguro liberam mais oxitocina quando escolhem se aproximar por conta própria.
- O contato forçado, como abraçar um gato que tenta se afastar, reduz ou anula esse efeito positivo.
- Filhotes e gatos recém-adotados buscam mais toque e conversa com o tutor do que animais já estabelecidos há anos na casa.
- Gatos pouco manuseados na infância tendem a evitar sessões longas de carícia.
Esses números ajudam a visualizar o que muda, de fato, durante uma sessão de carinho tranquila entre gato e tutor. Veja como cada lado da relação reage nesse momento.
O ronronado reforça esse vínculo entre gato e tutor?
Sim, o ronronado funciona como uma segunda camada de comunicação durante o carinho. Gatos praticam esfregar o corpo, lamber e ronronar entre si para reforçar laços dentro do próprio grupo social. Segundo a pesquisa, esse mesmo repertório aparece na relação com humanos, como se o tutor fosse tratado como parte da família felina. O som grave do ronronado ainda carrega um efeito calmante, tanto para quem escuta de perto quanto para o próprio pet.
Existe um jeito certo de acariciar um gato?
Como o efeito positivo depende de o animal escolher o contato, alguns cuidados fazem diferença real no resultado. Esses passos simples ajudam a manter a resposta hormonal favorável durante toda a interação.
- Deixe o gato se aproximar primeiro e cheirar sua mão antes de tocar nele.
- Prefira a cabeça, o queixo e a base das orelhas, evitando a barriga exposta.
- Observe cauda e orelhas: sinais de irritação pedem uma pausa imediata na carícia.
- Fale em tom calmo durante a sessão, já que a voz também eleva a oxitocina.
- Encerre o contato assim que o gato se afastar, sem insistir ou puxá-lo de volta.
Vale a pena manter esse hábito diário com seu gato?
Cada sessão de carinho tranquila fortalece um circuito hormonal antigo, o mesmo que existe entre mães e filhotes. A relação entre gato e tutor parece ter emprestado esse mecanismo para si. O gesto simples de acariciar funciona como um lembrete diário de que o vínculo é construído aos poucos, e não de uma vez só. Da próxima vez que seu gato pedir colo, aproveite esses minutos: eles fazem bem para os dois lados dessa relação.
