Do alto, avenidas largas se abrem como linhas de um leque e conduzem o olhar ao mesmo centro. Esse desenho nasceu de um plano urbano iniciado nos anos 1940. Em Boa Vista, capital de Roraima, a organização radial ainda conecta o Centro Cívico às avenidas e transforma a paisagem em atração.
Como o plano dos anos 1940 redesenhou Boa Vista?
O redesenho começou quando a nova capital precisava ganhar estrutura compatível com seu papel administrativo. Segundo a Prefeitura de Boa Vista, o Plano Quinquenal Territorial surgiu em 1944, enquanto a execução começou em 1946. A mudança organizou a expansão de uma capital que assumira essa função com a criação do território federal, em 1943.
Naquele momento, a pequena vila tinha cerca de 1.800 moradores e 20 quadras irregulares. A obra enfrentava uma dificuldade concreta, a BR-174 ainda não existia, por isso materiais chegavam pelo Rio Branco. O projeto ajudou a transformar aquele núcleo reduzido em uma capital planejada, com vias largas e organização radial.
Do Centro Cívico o leque organiza a paisagem
O desenho radial conduz as principais avenidas em direção ao Centro Cívico, formando a imagem de leque percebida em mapas e vistas elevadas. Um documento oficial da Secretaria Municipal de Obras descreve o traçado como radial e planejado entre 1944 e 1946. O mesmo documento registra que as principais avenidas seguem para essa área central.
A praça no coração desse conjunto, referência para a leitura do plano, tem nome oficial de Praça Joaquim Nabuco. Conforme a Prefeitura, ela reúne o Coreto Raimundo Soares, inaugurado em 1963, e o Monumento ao Garimpeiro. A combinação mostra como o centro soma função urbana e memória, enquanto as avenidas largas mantêm legível a ideia de expansão do projeto.

O que ver em Boa Vista para entender esse desenho urbano?
O melhor roteiro combina o centro planejado, a margem do Rio Branco e um ponto elevado. Assim, o visitante percebe a ligação entre o traçado dos anos 1940 e o núcleo anterior. Também entende como o rio continua orientando a paisagem e os principais espaços de lazer.
- Praça do Centro Cívico: permite observar a convergência das avenidas e conhecer o coreto de 1963 e o Monumento ao Garimpeiro.
- Centro Histórico: reúne a Igreja Matriz Nossa Senhora do Carmo, o Monumento aos Pioneiros e referências ao núcleo que antecedeu a cidade planejada.
- Orla Taumanan: fica às margens do Rio Branco e possui duas plataformas, Meiremê e Weikepá, ligadas à paisagem ribeirinha.
- Parque do Rio Branco: concentra áreas de lazer, espelho d’água, espaços esportivos e o Mirante Edileusa Lóz, principal ponto para a vista elevada.
- Praça da Bandeira: inaugurada em 1939, preserva o Monumento à Bandeira Nacional e um canhão original do Forte São Joaquim, criando um contraste com o plano posterior.
Esses lugares aparecem no roteiro turístico oficial do município. A sequência revela duas camadas urbanas, a ocupação ligada ao rio e a organização planejada que se expandiu depois. O passeio ganha sentido quando o visitante observa primeiro a margem do rio e depois segue para o centro planejado.
Como observar Boa Vista do alto e circular pelo centro?
O ponto mais direto para enxergar a capital de cima é o Mirante Edileusa Lóz. A estrutura tem 120 metros, enquanto o observatório fica a 93 metros e oferece visão panorâmica de 360 graus. O elevador panorâmico também permite acompanhar a paisagem do Rio Branco durante a subida.
Atualmente, a página oficial informa funcionamento de quarta a domingo, das 15h às 21h, com ingressos gratuitos e agendamento. Cada entrada permite 20 minutos no observatório, e visitas podem ser suspensas por chuva. Depois, caminhar pelo Centro Cívico permite comparar o plano visto de cima com a experiência das avenidas no nível da rua.
Vale olhar a capital por dois ângulos
A capital ganha sentido quando o visitante alterna a vista panorâmica com a escala das ruas e percebe como o planejamento moldou a paisagem. Do mirante, o desenho urbano aparece como uma composição ampla, enquanto o centro devolve essa experiência à escala das praças e avenidas. Essa combinação aproxima história, turismo e leitura geográfica em um percurso curto e visualmente marcante. Se você gosta de cidades que contam sua história pelo próprio traçado, reserve tempo para observar Boa Vista dos dois ângulos.
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