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Milton Santos e a Geografia Crítica, em reflexão sobre a desigualdade: “Existem apenas duas classes sociais, as do que não comem e as do que não dormem com medo da revolução dos que não comem.”

Núbia Rangel Núbia Rangel
11/09/2026 21:37
Milton Santos e a Geografia Crítica, em reflexão sobre a desigualdade: "Existem apenas duas classes sociais, as do que não comem e as do que não dormem com medo da revolução dos que não comem."

Frase de Milton Santos sobre classes sociais ainda provoca debates - Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial (ChatGPT / Olhar Digital)

Milton Santos resumiu décadas de estudo sobre desigualdade em uma frase curta e direta: existem apenas duas classes sociais, as do que não comem e as do que não dormem com medo da revolução dos que não comem. O geógrafo baiano, considerado o maior nome da geografia brasileira, usou essa imagem para descrever o abismo social que observava nas cidades onde pesquisou ao longo da vida.

Quem foi Milton Santos e por que sua obra ainda é estudada?

Milton Santos nasceu na Bahia em 1926 e se tornou o único brasileiro a receber o Prêmio Vautrin Lud, conhecido como o Nobel da Geografia. Ele foi professor titular do Departamento de Geografia da USP entre 1984 e 1997, período em que formou gerações de pesquisadores. Antes disso, passou treze anos exilado por causa da ditadura militar, lecionando em universidades da França, dos Estados Unidos e da Tanzânia. Mesmo longe do Brasil, manteve o país como principal objeto de suas pesquisas sobre urbanização e pobreza.

Milton Santos e a Geografia Crítica, em reflexão sobre a desigualdade: "Existem apenas duas classes sociais, as do que não comem e as do que não dormem com medo da revolução dos que não comem."
Geógrafo brasileiro explicou a desigualdade com uma imagem poderosa – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial (ChatGPT / Olhar Digital)

O que a frase sobre as duas classes sociais quer dizer?

A frase divide a sociedade em dois grupos definidos pela relação com a fome e com o medo. Veja como cada parte da frase pode ser interpretada:

  • Os que não comem representam a parcela da população excluída do acesso básico à alimentação e a outros direitos essenciais.
  • Os que não dormem com medo da revolução são os que mantêm privilégios e temem perder posição caso a desigualdade se torne insustentável.
  • A tensão entre esses dois grupos, segundo o geógrafo, organiza boa parte da vida social e econômica das cidades.

Pesquisadores apontam que a frase dialoga com uma ideia anterior do médico e geógrafo Josué de Castro, autor de estudos sobre a fome no Brasil na metade do século 20. Mesmo com essa influência reconhecida, a formulação final ficou associada ao nome de Milton Santos, que a repetiu em entrevistas e no documentário Encontro com Milton Santos. O quadro abaixo resume a lógica dessa divisão social descrita pelo geógrafo.

⚖️ As duas classes de Milton Santos

A divisão social descrita pelo geógrafo em poucas palavras

🍽️

Os que não comem

Parcela da população sem acesso básico à alimentação e a direitos essenciais.

😨

Os que não dormem com medo

Quem mantém privilégios e teme a reação de quem vive na exclusão.

🏙️

A tensão entre os dois

Organiza, segundo o geógrafo, boa parte da vida social nas cidades.

Fonte: Instituto de Estudos Brasileiros da USP (IEB-USP), acervo Milton Santos.

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O que é a geografia crítica que Milton Santos ajudou a criar?

Milton Santos ajudou a consolidar a geografia crítica no Brasil, corrente que rompeu com a ideia de espaço como cenário neutro. Confira três princípios centrais dessa abordagem:

  • O espaço reflete diretamente as relações sociais, econômicas e políticas de cada época.
  • A globalização aprofunda desigualdades tanto entre países quanto dentro de uma mesma cidade.
  • O território deve ser analisado a partir de quem vive nele, não apenas por indicadores econômicos gerais.

Por que a USP guarda o acervo de Milton Santos até hoje?

O acervo pessoal de Milton Santos, incluindo sua biblioteca e documentos, está hoje sob os cuidados do Instituto de Estudos Brasileiros da USP. O material foi doado pela viúva do geógrafo em 2009 e segue disponível para consulta de pesquisadores interessados em sua obra. Em 2017, a USP também aprovou a criação de uma praça com o nome do professor no campus da capital paulista.

Milton Santos e a Geografia Crítica, em reflexão sobre a desigualdade: "Existem apenas duas classes sociais, as do que não comem e as do que não dormem com medo da revolução dos que não comem."
Obra de Milton Santos ajuda a entender a desigualdade nas cidades – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial (ChatGPT / Olhar Digital)

A observação de Milton Santos ainda faz sentido no Brasil de hoje?

A observação de Milton Santos sobre as duas classes sociais segue citada em provas de vestibular e debates públicos décadas depois de formulada. Ela não oferece uma solução pronta, mas ajuda a nomear uma tensão que continua presente em muitas cidades brasileiras, marcadas por desigualdades que o geógrafo passou a vida estudando de perto.

Se você já ouviu essa frase em sala de aula ou em uma roda de conversa, vale parar um instante e pensar em qual dos dois grupos descritos por Milton Santos você reconhece ao seu redor, e no que isso diz sobre a cidade onde você vive.

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Tags: desigualdade socialgeografiageografia críticaMilton SantosUSP
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