No alto das montanhas do sul de Minas Gerais, paredes claras e ruas irregulares parecem nascer do chão. Em São Thomé das Letras, o quartzito não ficou restrito às pedreiras: entrou na arquitetura e no cotidiano. Assim, a rocha que desenha a paisagem revela uma história de fé, trabalho e turismo. Entre tradição e exploração mineral, a cidade aprendeu a reconhecer a pedra como parte de sua identidade.
Por que São Thomé das Letras tem tantas construções de pedra?
Porque o quartzito aflora na serra e ofereceu material próximo para erguer a povoação. A rocha, conhecida comercialmente como Pedra São Tomé, aparece em paredes, pisos, calçamentos e molduras de portas e janelas. Sua estrutura favorece a obtenção de placas e lascas, características aproveitadas pelos antigos construtores.
Assim, as primeiras construções acompanharam a topografia rochosa, em vez de impor ruas perfeitamente regulares ao terreno. Em 1785, começaram as obras da atual Igreja Matriz, conforme os registros estaduais de patrimônio. A tradição sobre uma imagem religiosa encontrada numa gruta integra a memória local, embora não constitua prova documental do episódio.
Pedras sem argamassa marcam igrejas e ruas históricas

Na Igreja de Nossa Senhora do Rosário, conhecida como Igreja de Pedra, construtores sobrepuseram lascas irregulares sem usar argamassa. O Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (IEPHA-MG) identifica a técnica em outras edificações antigas. Enquanto portas e telhados empregam madeira, paredes internas, pisos e portais também revelam o uso cuidadoso da pedra.
Em 1985, um erro no decreto protegeu formalmente a capela do Rosário, embora a intenção também contemplasse o centro histórico. Depois, em 1996, o órgão estadual homologou outro tombamento, incluindo o centro histórico e a Matriz. Dessa forma, o episódio demonstra que conservar a cidade depende tanto da manutenção das construções quanto da precisão dos registros públicos.
Como a Pedra São Tomé saiu da serra para outros mercados?
A Pedra São Tomé ganhou compradores no exterior na década de 1980, após ampliar sua exploração comercial iniciada nos anos 1940. Em julho de 2024, a Região Pedra São Thomé recebeu a Denominação de Origem para quartzitos destinados a revestimentos e ornamentação. Nesse processo, o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) registra oficialmente esse reconhecimento territorial.
A área reconhecida envolve também Luminárias e Três Corações, mostrando que a atividade ultrapassa os limites municipais. Porém, a mineração deixou desafios: fiscalizações ambientais estaduais identificaram disposição inadequada de rejeitos e riscos para cursos d’água. Desse modo, a valorização comercial, o beneficiamento e o artesanato precisam caminhar com cuidados ambientais e respeito às serras.
O que visitar em São Thomé das Letras e como chegar?

O roteiro pode combinar o centro histórico, mirantes de quartzito e cachoeiras na zona rural. Para organizar os deslocamentos, o portal oficial de turismo da Prefeitura de São Thomé das Letras apresenta atrações e orientações para contratar condutores locais. Entre os lugares citados pelo município, cinco ajudam a perceber diferentes faces da paisagem.
- Gruta de São Thomé: formação rochosa associada às inscrições e às narrativas religiosas locais.
- Parque Municipal Antônio Rosa: área de mirantes e afloramentos próxima ao centro urbano.
- Pedra da Bruxa: formação natural reconhecida pelo formato incomum e pelas vistas da serra.
- Mirante do Cruzeiro: ponto panorâmico para observar o relevo ao redor da cidade.
- Cachoeira da Eubiose: alternativa para quem busca paisagem natural além das construções de pedra.
De carro, o acesso passa pela região de Três Corações, a cerca de 45 km, enquanto Belo Horizonte fica a aproximadamente 380 km. Como algumas atrações exigem percursos por terra, convém verificar condições das estradas e acesso antes de sair. Por sua vez, quem depende de transporte coletivo deve consultar as conexões e os horários disponíveis para a data da viagem.
Qual é a melhor época para visitar a cidade de pedra?
Entre maio e agosto, São Thomé das Letras costuma registrar menos chuva, favorecendo passeios ao ar livre. A tabela reúne intervalos das médias mensais de temperaturas mínimas e máximas, além dos volumes climatológicos de precipitação.
Atenção: As chuvas frequentes deixam as famosas pedras da região escorregadias e podem causar o aumento repentino do volume das cachoeiras.
Status: Estação chuvosa e instável.
Vantagem: O calor recua e as precipitações caem consideravelmente, melhorando a segurança para caminhar pela cidade de pedra.
Status: Transição para a época seca.
Dica: É o auge da seca. O céu fica limpo para o pôr do sol na Casa da Pirâmide, mas as noites são bastante frias na montanha.
Status: 🌟 Melhor Época! Tempo firme e acesso seguro às trilhas.
Atenção: As temperaturas voltam a subir, trazendo consigo o retorno progressivo da umidade e das pancadas de chuva.
Status: Retorno das chuvas e calor.
Nota climática: os valores são médias históricas mensais, não previsões ou limites absolutos de temperatura. Por isso, confira as informações atualizadas na página de climatologia de São Thomé das Letras no Climatempo.
Uma história que permanece nas pedras
Em São Thomé das Letras, a rocha integra as ruas, o patrimônio e o trabalho cotidiano, formando uma identidade muito particular. Ao mesmo tempo, essa riqueza exige atenção à conservação das igrejas, ao manejo dos rejeitos e ao cuidado com as paisagens naturais. Por isso, visitar a cidade significa observar tanto sua beleza quanto as escolhas que definirão o futuro da serra. Se você gosta de lugares que contam histórias pelas paredes, caminhe sem pressa e converse com os moradores durante a visita.
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