🐑 E se a lã de ovelha virar escudo para o gelo?
Quatro estudantes cobriram parte de uma geleira suíça com mantas de lã e mediram o resultado durante todo o verão. O que aconteceu com o gelo? ⬇️
Quatro estudantes de mestrado transformaram um resíduo da pecuária suíça em escudo contra o sol. Em junho de 2026, eles estenderam mantas de lã de ovelha sobre a geleira Tsanfleuron, nos Alpes, e a equipe passou o verão medindo o gelo. A conclusão surpreendeu os próprios organizadores: a lã freou o derretimento tão bem quanto as lonas sintéticas usadas hoje.
Como os estudantes testaram a lã na geleira?
Eles estenderam duas mantas de lã, produzidas pela empresa suíça Fisolan, sobre 200 metros quadrados da massa de gelo, na estação Glacier 3000. As mantas tinham espessuras distintas, para avaliar qual camada protege melhor. Ao lado ficou uma área com geotêxtil sintético, usada como comparação direta. A cada duas semanas, os pesquisadores mediam quanto gelo cada cobertura preservava.
A ideia nasceu de quatro estudantes de mestrado. O projeto, chamado Keep It Wool, é liderado pela Summit Foundation, uma ONG suíça, em parceria com a Universidade de Lausanne. A geleira fica no oeste da Suíça, perto de Les Diablerets, a quase 3.000 metros de altitude.
O calor recorde deste verão derreteu a neve das geleiras alpinas semanas antes do normal. A perda de gelo é apontada como fator de agravamento de deslizamentos de rocha, como o que soterrou grande parte da vila de Blatten em 2025.

Por que a lã de ovelha funciona como escudo?
A lã funciona como uma manta térmica natural: reflete a luz e protege o gelo do calor do verão. Os tecidos sintéticos usados hoje cumprem papel parecido, mas costumam ser de plástico e podem soltar microfibras poluentes.
Cada característica da lã explica parte do bom desempenho no teste. As principais vantagens aparecem a seguir.
- Mantém a espessura mesmo encharcada, segundo o portal francês Futura Sciences.
- Biodegrada ao fim da vida útil.
- Dispensa o plástico e reduz o risco de microfibras na água.
- Dá uso à lã suíça, da qual 40% a 70% é descartada todo ano.
O que os números do teste revelam sobre a lã?
Conforme a reportagem da Reuters sobre o teste com lã, as medições quinzenais mostraram que as mantas limitaram o derretimento tão bem quanto as sintéticas. O texto acrescenta que os primeiros resultados superaram as expectativas da equipe. Os dados foram apresentados em entrevista coletiva, em Les Diablerets, no dia 2 de setembro.
A Futura Sciences informa que a perda de gelo sob a lã foi reduzida em 50% a 70%, nível igual ao do geotêxtil sintético. A Reuters não traz esse percentual.
Reunir as informações lado a lado facilita a comparação. O quadro a seguir resume o confronto entre os dois materiais.
Quais são os limites dessa solução para as geleiras?
O principal limite é a escala, já que apenas 0,02% da superfície glacial suíça recebe algum tipo de cobertura protetora. Os organizadores do Keep It Wool, a Summit Foundation e a Universidade de Lausanne, reforçam que as mantas não resolvem o aquecimento global.
Outros pontos ainda precisam de testes mais longos. Os principais desafios estão listados abaixo.
- Reduzir as emissões de gases de efeito estufa continua sendo o único caminho de longo prazo para frear a perda de gelo.
- A lã precisa provar que resiste a congelamentos repetidos, chuva forte e vento por vários anos.
- Custos de manutenção, soltura de fibras e emissões da produção em escala ainda precisam ser medidos.
- A manta protege uma área pontual, mas não baixa a temperatura do ar nem barra o recuo regional do glaciar.
O que essa experiência muda para o futuro das geleiras?
Ela mostra que uma solução simples pode substituir o plástico onde as coberturas já são usadas, como em pistas de esqui. Não salva as geleiras sozinha, mas abre caminho para materiais renováveis.
Agora me conta: você apostaria na lã ou no plástico para proteger uma geleira?
