Todo mês de outubro marca mais um aniversário do ataque que quase matou Malala Yousafzai. Em 9 de outubro de 2012, um atirador do Talibã a baleou dentro do ônibus escolar, no Paquistão. Catorze anos depois, a frase que ela levou à ONU nove meses após o atentado continua em murais de escola, cartazes e redes sociais. E ela pesa ainda mais num mundo em que milhões de meninas seguem longe da sala de aula.
A frase nasceu no discurso de Malala na ONU em 2013
Malala disse a frase em 12 de julho de 2013, dia do seu 16º aniversário, na Assembleia da Juventude das Nações Unidas, em Nova York. Segundo a ONU News, o então secretário-geral Ban Ki-moon batizou a data de “Dia de Malala”. Quase mil jovens líderes acompanharam a fala na sede da organização.
Na transcrição do discurso publicada pelo Malala Fund, a frase aparece como “uma criança, um professor, uma caneta e um livro podem mudar o mundo”. A ordem dos dois últimos itens muda nas versões que circulam por aí, mas a ideia é a mesma. A educação aparece como resposta direta à violência, sem pedido de vingança.
Pouco antes, Malala tinha chamado livros e canetas de “nossas armas mais poderosas”, imagem que resume o tom de toda a fala. A gravação abaixo, publicada pelo canal oficial das Nações Unidas no YouTube, mostra a jovem discursando na Assembleia da Juventude.
Como o Talibã tirou Malala da escola no Vale do Swat?
O grupo proibiu as aulas para meninas quando assumiu o controle de Mingora, cidade natal de Malala no Vale do Swat, no Paquistão. Segundo a biografia publicada pelo Malala Fund, os extremistas declararam que meninas não podiam mais frequentar a escola. Nascida em 12 de julho de 1997, ela precisou deixar as aulas em janeiro de 2009, aos 11 anos.

A menina não ficou em silêncio. Malala passou a escrever sobre a vida sob o domínio do Talibã num blog para a BBC Urdu, e essa exposição a transformou em alvo. A defesa da educação de meninas, que começou como relato pessoal, passou a incomodar quem queria as alunas fora da escola.
Em outubro de 2012, um atirador mascarado a atingiu na cabeça dentro do ônibus escolar, quando ela tinha 15 anos. A frase dita na ONU conversa com outras ideias famosas sobre o poder do ensino, como a de Nelson Mandela.
Do atentado em 2012 ao Prêmio Nobel da Paz aos 17 anos
A jovem do Vale do Swat sobreviveu ao ataque e, em dezembro de 2014, recebeu o Prêmio Nobel da Paz aos 17 anos. Com isso, tornou-se a pessoa mais jovem a conquistar um Nobel. Ela dividiu a honraria com o indiano Kailash Satyarthi, ativista que dedicou a carreira ao combate ao trabalho infantil.
O comitê norueguês justificou a escolha pela luta dos dois contra a opressão de crianças e jovens e pelo direito de todas as crianças à educação. Uma paquistanesa e um indiano dividindo o Nobel da Paz deram à premiação um recado claro contra o extremismo e a favor da escola.

Antes do prêmio, ainda em 2013, Malala criou com o pai, Ziauddin Yousafzai, o Malala Fund, organização dedicada à educação de meninas em vários países. Ela também voltou aos estudos e se formou em 2020 em Filosofia, Política e Economia na Universidade de Oxford, curso que começou em 2017.
O que a frase de Malala ensina sobre a educação de meninas?
A frase continua atual porque o problema que ela enfrenta segue enorme. Dados da Unesco divulgados em 2023 apontam 250 milhões de crianças e jovens fora da escola no mundo. Desse total, 122 milhões, ou 48%, são meninas e mulheres jovens. A Unesco liga boa parte do aumento recente à exclusão em massa de meninas do ensino no Afeganistão, hoje governado pelo Talibã.
Daqui para frente, vale acompanhar os novos levantamentos da Unesco sobre acesso à escola e as regras para o ensino de meninas no Afeganistão, que pesam diretamente nesses números. As informações oficiais estão nos sites da Unesco e do Malala Fund, que também publica a íntegra do discurso de 2013. Se a história de Malala Yousafzai mexeu com você, que tal ler o discurso inteiro e mandar para alguém que ensina ou aprende todos os dias?
Para seguir no universo das frases que atravessam gerações, há outra leitura no site. Ela mostra a origem de uma das ideias mais repetidas de Nietzsche.
