Faltam poucos dias para a Black Friday e chega pelo WhatsApp o link de uma loja conhecida, com a televisão pela metade do preço. Na hora de pagar, a única opção é o Pix. Esse roteiro resume o golpe de Black Friday mais lembrado nos alertas de defesa do consumidor. O site falso tem endereço quase idêntico ao da loja verdadeira e só aceita pagamento instantâneo. Reconhecer esses dois sinais antes de confirmar a compra é um cuidado simples de segurança digital que protege o bolso nessa época.
Por que a letra trocada no endereço engana tanta gente?
No golpe de Black Friday, a letra trocada engana porque o resto da página copia a loja real, com logotipo, cores e vitrine de ofertas. Um endereço como exemplo.com.br pode virar exenplo.com.br e passar despercebido na tela pequena do celular. A técnica é uma forma de phishing, golpe que, segundo a Cartilha de Segurança para Internet do CERT.br, tenta “pescar” dados pessoais e financeiros. Por isso, a orientação é verificar se o endereço é mesmo do site oficial antes de abrir o link.
O NIC.br, entidade que mantém o CERT.br, produz a série Cidadão na Rede, com vídeos curtos sobre esse tipo de armadilha. No episódio abaixo, a série explica por que não clicar em links desconhecidos e como desconfiar de endereços parecidos com os oficiais.
Por que o site falso só aceita Pix na Black Friday?
Pix é a exigência do site falso porque o dinheiro cai na hora e não passa por um intermediário capaz de segurar ou contestar o pagamento. O Procon de São João da Boa Vista (SP) recomenda desconfiar de lojas que aceitam apenas Pix ou boleto. Como alternativas mais seguras, o órgão aponta o cartão de crédito e as plataformas de pagamento.

A falha, nesse caso, não está no Pix em si, mas em quem recebe. A cartilha do CERT.br destaca que conferir os dados do recebedor, como CNPJ e nome, é fundamental para o dinheiro não parar em contas fraudulentas. Quando a tela de confirmação mostra uma pessoa física ou uma empresa com outro nome, a compra deve parar ali.
Contagem regressiva, aviso de estoque acabando e desconto muito fora do normal completam o pacote do golpe. A pressa é proposital: quanto menos tempo o comprador passa olhando a página, menor a chance de notar a letra fora do lugar. Mensagens com tom de urgência estão entre os sinais de phishing que o vídeo do NIC.br ensina a reconhecer.
Como conferir a loja antes de pagar com Pix ou cartão?
O primeiro passo para escapar do golpe de Black Friday é chegar à loja pelo caminho certo. Digite o endereço no navegador ou abra o aplicativo oficial, em vez de tocar no link recebido. O mesmo Procon orienta não clicar em links de e-mail, WhatsApp ou redes sociais antes de checar o canal oficial da empresa.
Na hora do pagamento, confira se o nome e o CNPJ exibidos correspondem à empresa da vitrine. A cartilha do CERT.br também recomenda ativar a verificação em duas etapas em todos os serviços online e usar senhas fortes. Para proteger o CPF, o material cita ferramentas gratuitas como o BC Protege+, do Banco Central, e o serviço de Proteção do CPF, do portal Redesim.
Esses hábitos valem para o ano inteiro, não só para a temporada de descontos. Quem quiser reforçar a segurança digital das contas e dos dados pessoais encontra mais orientações na matéria abaixo.
Agir no mesmo dia do golpe aumenta a chance de reaver o Pix
Quem caiu no golpe de Black Friday deve falar com o próprio banco imediatamente, pelo telefone ou pelo chat do aplicativo. O pedido é a devolução pelo Mecanismo Especial de Devolução (MED). Segundo o Procon Ceará, a solicitação pode ser feita em até 80 dias após o Pix. Acionar o banco no mesmo dia, porém, pode triplicar as chances de recuperar o dinheiro. Anote o número de protocolo, guarde prints da página e registre um boletim de ocorrência.
Depois do pedido, o banco tem até sete dias corridos para analisar o caso. Confirmada a fraude, o valor volta em até 96 horas, integral ou parcialmente, conforme o saldo que restou na conta do golpista. Se faltar dinheiro, a instituição que recebeu o Pix pode continuar bloqueando e devolvendo valores por até 90 dias depois da transação.

O cuidado mais importante vem antes de qualquer pagamento, porque o MED não garante o ressarcimento: a devolução depende do dinheiro que ainda estiver na conta de destino. Diante de uma oferta irresistível que só aceita Pix, leia o endereço letra por letra e confira o nome de quem vai receber. Faça isso com calma na sua próxima compra: são poucos segundos que valem mais do que qualquer desconto.
E já que o celular é a principal ferramenta de compra nessa época, vale conhecer um hábito simples que ajuda a mantê-lo protegido.
