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Home Ciência

A quase 692 mil km/h, uma sonda passou a 6,1 milhões de quilômetros da superfície do Sol e sobreviveu à aproximação histórica

Davy Emanuel Silva dos Santos Davy Emanuel Silva dos Santos
27/10/2026 22:07
Sonda protegida por escudo térmico em aproximação solar ilustrada - Imagem criada por inteligência artificial (Google Flow / Olhar Digital)

Sonda protegida por escudo térmico em aproximação solar ilustrada - Imagem criada por inteligência artificial (Google Flow / Olhar Digital)

Em 24 de dezembro de 2024, a Parker Solar Probe, da NASA, atravessou a atmosfera externa do Sol em velocidade recorde. A nave passou a cerca de 6,1 milhões de quilômetros da superfície solar, protegida por um escudo desenvolvido para condições extremas. Dois dias depois, um sinal de rádio confirmou que a aproximação histórica não havia interrompido sua missão.

Como a sonda conseguiu chegar tão perto do Sol?

A Parker Solar Probe chegou tão perto graças a sete passagens por Vênus, que alteraram gradualmente sua trajetória ao redor do Sol. Lançada em agosto de 2018, a nave precisou ajustar sua velocidade orbital para alcançar regiões inacessíveis nas primeiras etapas da missão. Portanto, a última manobra gravitacional, em 6 de novembro de 2024, abriu caminho para uma sequência de encontros solares a cada três meses.

Assim, em 24 de dezembro de 2024, a sonda atingiu quase 692 mil km/h e passou a 6,1 milhões de quilômetros da superfície solar. A aproximação não significou encontrar uma superfície sólida, pois o equipamento atravessou a coroa solar, a atmosfera externa extremamente rarefeita da estrela. Conforme o relato oficial da NASA sobre o recorde, um sinal recebido em 26 de dezembro confirmou que os sistemas continuavam funcionando.

🚀 2018: Lançamento da Parker Solar Probe rumo ao Sol.
☀️ 2024: Recorde de velocidade e proximidade solar.
🛰️ 2026: 29ª aproximação e nova confirmação de funcionamento.

Como o escudo térmico impediu que a sonda derretesse?

Corte conceitual das camadas de proteção térmica da sonda – Imagem criada por inteligência artificial (Google Flow / Olhar Digital)

O escudo térmico protege a Parker Solar Probe criando uma sombra permanente para grande parte de seus componentes mais sensíveis durante os encontros. A estrutura combina duas placas de compósito de carbono com um núcleo central de espuma isolante, totalizando cerca de 11,5 centímetros de espessura. Um revestimento cerâmico branco também cobre a face voltada ao Sol e reflete parte da radiação incidente, reduzindo a energia efetivamente absorvida pelo material.

Segundo a explicação técnica publicada pela NASA, o escudo foi projetado para enfrentar aproximadamente 1.400 °C na superfície exposta durante os encontros solares. Entretanto, a região protegida pode permanecer perto de 30 °C, enquanto sensores ajudam a nave a conservar automaticamente o alinhamento necessário. Esses números descrevem condições de projeto, não temperaturas medidas especificamente na passagem de dezembro, e mostram por que isolamento e orientação são indispensáveis para sobreviver.

Por que milhões de graus não destruíram a Parker Solar Probe?

A coroa solar pode atingir milhões de graus, mas contém partículas muito mais dispersas que as encontradas em materiais densos, apesar da temperatura extrema. Por isso, na prática, a temperatura elevada não significa que a nave absorva calor como se estivesse mergulhada em metal ou água superaquecidos. Ainda assim, a radiação intensa exige proteção rigorosa, pois o aquecimento depende da energia transferida, não apenas do número associado à temperatura ambiente externa.

A missão investiga o vento solar, fluxo de partículas e campos magnéticos que parte continuamente da estrela e se espalha pelo Sistema Solar. Em 2021, observações mostraram uma fronteira da coroa com saliências e depressões, em vez de um contorno inteiramente uniforme e previsível. Em paralelo, medições ajudaram a localizar a origem de alterações repentinas na direção do campo magnético, conhecidas como switchbacks, próximas da superfície visível solar.

O que aconteceu nas novas aproximações ao Sol em 2026?

Representação editorial da análise de dados sobre a atividade solar – Imagem criada por inteligência artificial (Google Flow / Olhar Digital)

O recorde original não ficou isolado, porque a Parker repetiu a distância e a velocidade em encontros posteriores, incluindo 4 de setembro de 2026. Nessa data, realizou sua 29ª aproximação e apontou uma câmera para estruturas e atividades próximas da região polar norte do Sol, pouco observada. Depois, em 7 de setembro, outro sinal indicou funcionamento normal após nove dias de operação autônoma, período com comunicações limitadas pela própria trajetória.

De acordo com a atualização oficial da NASA em setembro de 2026, quatro conjuntos de instrumentos coletaram dados da atmosfera solar durante a passagem. Esses registros ajudam a investigar ejeções de matéria, explosões e partículas energéticas, fenômenos capazes de afetar satélites, astronautas, comunicações e redes elétricas. A missão recebeu extensão até 2029, mas suas novas medições ainda precisam de análise antes de produzir conclusões específicas sobre cada fenômeno.

SistemaPapel na missão
Escudo de carbonoReduz a transferência de calor para os instrumentos protegidos.
Instrumentos científicosMedem partículas, campos magnéticos e fenômenos na atmosfera solar.

Uma nova maneira de compreender nossa estrela

A travessia mostrou como engenharia térmica e manobras gravitacionais permitem investigar regiões antes inacessíveis com instrumentos em funcionamento. Ao mesmo tempo, cada nova passagem acrescenta dados que exigem análise, em vez de respostas definitivas imediatas. Quando ouvir falar de uma tempestade solar, lembre que parte da compreensão desses fenômenos nasce de observações tão próximas da estrela. Acompanhe as próximas descobertas e perceba como a exploração espacial transforma perguntas antigas em investigações cada vez mais precisas.

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Tags: astronomiaciênciatecnologia
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