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Home Arqueologia

Em apenas seis meses, pesquisadores encontraram 303 figuras antigas em Nazca com ajuda de IA, quase dobrando o conjunto conhecido de geoglifos figurativos

Davy Emanuel Silva dos Santos Davy Emanuel Silva dos Santos
28/10/2026 22:07
Em apenas seis meses, pesquisadores encontraram 303 figuras antigas em Nazca com ajuda de IA, quase dobrando o conjunto conhecido de geoglifos figurativos

Pesquisa de geoglifos com imagens aéreas - Imagem criada por inteligência artificial (Google Flow / Olhar Digital)

Durante décadas, pesquisadores identificaram centenas de desenhos antigos no deserto de Nazca, no Peru. Então, uma análise com inteligência artificial mudou o ritmo das buscas: seis meses de trabalho de campo revelaram 303 novas figuras. O resultado não dependeu apenas de computadores, e a posição dos desenhos trouxe pistas sobre como diferentes grupos usavam aquela paisagem.

Como a IA ajudou a encontrar 303 figuras no deserto de Nazca?

🏛️ De 100 a.C. a 500 d.C.: Período geralmente associado à criação dos geoglifos de Nazca.
🌿 2022 a 2023: Seis meses de campo confirmam 303 figuras novas.
🚀 2024: Estudo divulga o resultado da pesquisa apoiada por IA.

A inteligência artificial (IA) ajudou arqueólogos a priorizar trechos do deserto peruano, onde fotografias aéreas mostravam sinais pouco evidentes de figuras antigas parcialmente apagadas. Entre setembro de 2022 e fevereiro de 2023, a equipe confirmou 303 geoglifos figurativos em seis meses de visitas ao terreno e registros detalhados. Com isso, o catálogo de Nazca passou de 430 para 733 desenhos desse tipo, conforme o estudo científico divulgado em 2024 após a investigação.

Pesquisadores da Universidade de Yamagata, do Japão, trabalharam com especialistas da IBM Research para localizar prováveis formas entre marcas naturais do solo da região. Segundo o comunicado oficial da Universidade de Yamagata, a ferramenta apontou 1.309 candidatos, orientando investigações que exigiriam muito mais trabalho manual de reconhecimento. Assim, a tecnologia reduziu o universo de busca, mas arqueólogos ainda precisaram conferir pessoalmente as indicações antes de reconhecer cada desenho como vestígio arqueológico.

Por que tantos geoglifos de Nazca passaram despercebidos?

Marcas discretas no solo árido – Imagem criada por inteligência artificial (Google Flow / Olhar Digital)

Os novos desenhos pertencem principalmente ao grupo de geoglifos em relevo, menores e mais difíceis de distinguir das irregularidades naturais do deserto peruano. Diferentemente das figuras gigantes traçadas por linhas, muitas dessas imagens têm dimensões próximas de dez metros e apresentam contornos desgastados pelo tempo e pela exposição. Por isso, mesmo fotografias detalhadas exigem atenção especializada, enquanto a análise automatizada consegue sinalizar regiões que merecem uma vistoria arqueológica rigorosa feita em campo.

O Centro Aeroespacial Alemão (DLR) informa que os pesquisadores examinaram imagens de mais de 600 quilômetros quadrados, com resolução de dez centímetros por imagem. O modelo identificou possíveis geoglifos, porém não reconheceu sozinho todas as 303 figuras: sugeriu individualmente 178, enquanto outras 66 surgiram em conjuntos associados. As outras 59 apareceram sem indicação direta da IA, segundo o estudo publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).

O que as figuras de Nazca revelam sobre seus antigos habitantes?

Os geoglifos menores de Nazca mostram principalmente pessoas, cabeças humanas e animais domesticados, compondo um repertório diferente daquele visto nas grandes linhas mais conhecidas. Segundo os pesquisadores, cerca de 81,6% das figuras em relevo representam seres humanos ou elementos associados à atividade humana, incluindo diferentes camelídeos domesticados da região. Por sua vez, muitas estão próximas de antigos caminhos sinuosos, onde viajantes e pequenos grupos poderiam observar desenhos sem alcançar pontos elevados para enxergá-los.

Já as grandes figuras lineares representam sobretudo animais selvagens, e sua distribuição acompanha redes de linhas e formas trapezoidais na extensa região de Nazca. Essa diferença levou a equipe a propor funções distintas: imagens menores poderiam transmitir mensagens aos caminhantes, enquanto desenhos maiores integrariam cerimônias coletivas de outra escala. Entretanto, essa interpretação resulta de padrões de localização e motivos representados, não de testemunhos diretos conservados sobre o significado original de cada figura.

Como a tecnologia pode ajudar a proteger as linhas de Nazca?

Modelo ilustrativo para estudar enxurradas – Imagem criada por inteligência artificial (Google Flow / Olhar Digital)

A mesma pesquisa tecnológica que acelerou as descobertas também ajuda a estudar ameaças naturais às figuras de Nazca, especialmente a erosão provocada por enxurradas repentinas. Embora o deserto pareça estável, chuvas intensas nos Andes podem conduzir grandes volumes de água pela planície e modificar superfícies arqueológicas muito frágeis e expostas. Por isso, especialistas usaram detecção e medição de distâncias por luz (LiDAR) para mapear alturas do terreno e prever trajetórias de enxurradas.

AmeaçaRisco identificado
Chuvas intensasEnxurradas podem desgastar desenhos frágeis no solo.
RodoviasEstruturas podem alterar caminhos da água sobre o terreno.

Segundo a explicação técnica do DLR, dados de LiDAR alimentaram modelos de escoamento destinados a avaliar possíveis danos aos desenhos históricos durante enchentes. Um exemplo envolve o geoglifo conhecido como Lagarto, parcialmente afetado por uma rodovia, cuja posição pode favorecer a passagem de enxurradas em períodos chuvosos. Os cálculos ajudam a examinar medidas concretas de proteção, mas constituem simulações, não provas de que intervenções já resolveram o problema no terreno.

O deserto ainda guarda histórias por interpretar

O levantamento ampliou o conhecimento sobre os desenhos e demonstrou como a pesquisa de campo pode aproveitar ferramentas digitais sem abandonar a verificação humana. Porém, reconhecer uma figura não significa compreender integralmente sua idade, autoria ou função, perguntas que continuam abertas à investigação arqueológica. Ao observar imagens de Nazca, experimente prestar atenção também aos caminhos ao redor, pois a paisagem pode revelar mais que os contornos.

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Tags: arqueologiaciênciatecnologia
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