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A fita magnética, que parecia coisa de museu, voltou a ser disputada por causa da inteligência artificial; a Fujifilm vai investir R$ 344 milhões para quintuplicar a produção

Alexandre Zambiasi Alexandre Zambiasi
03/11/2026 16:57
A fita magnética, que parecia coisa de museu, voltou a ser disputada por causa da inteligência artificial; a Fujifilm vai investir R$ 344 milhões para quintuplicar a produção

Por que a inteligência artificial ressuscitou a fita - Imagem criada por inteligência artificial (ChatGPT / Olhar Digital)

💾

Pesquisada desde os anos 1950, a fita voltou ao centro da disputa por dados

Enquanto a inteligência artificial devora espaço de armazenamento, uma mídia que muita gente achava aposentada ganha investimento recorde. Entenda por quê ⬇️

A fita magnética parecia peça de museu para boa parte do público. Agora a corrida pela inteligência artificial a transformou em item disputado dentro dos servidores. A Fujifilm decidiu investir cerca de 10 bilhões de ienes, algo próximo de R$ 344 milhões, para quintuplicar a capacidade de produção. O anúncio mostra para onde os dados do mundo estão indo e quem vai guardá-los.

Por que a fita magnética voltou a ser disputada?

Ela voltou ao jogo porque a inteligência artificial gera uma quantidade enorme de dados que precisam ser guardados com segurança e baixo custo. A popularização da IA generativa e dos serviços em nuvem faz o volume de dados gerados no mundo crescer de forma exponencial, segundo a Fujifilm. Esses arquivos precisam de um lugar eficiente para ficar.

A fita entra nessa conta por três qualidades que a própria Fujifilm destaca. Elas explicam por que provedores de nuvem e operadores de data centers ampliaram o uso da mídia nos últimos anos.

  • Armazena grandes volumes de dados com custo baixo.
  • Guarda as informações por longos períodos.
  • Pode ficar fisicamente isolada das redes.
O armazenamento do futuro usa a tecnologia dos anos 50 – Imagem criada por inteligência artificial (ChatGPT / Olhar Digital)

Quanto a Fujifilm vai investir e como será a expansão?

A Fujifilm vai investir cerca de 10 bilhões de ienes, próximo de R$ 344 milhões, na fábrica de Odawara, em Kanagawa. Segundo o comunicado oficial de 29 de outubro de 2026, a empresa quer quintuplicar a capacidade de produção de fitas.

A companhia detalhou o plano em poucos pontos objetivos. Eles ajudam a medir o tamanho da aposta.

  • Valor: cerca de 10 bilhões de ienes, aproximadamente R$ 344 milhões.
  • Local: fábrica de Odawara, em Kanagawa.
  • Prazo: do ano fiscal de 2026 ao de 2028.
  • Meta: cerca de cinco vezes a capacidade de expedição do ano fiscal de 2025.
  • Foco: novas instalações e mais pessoal, principalmente para o cartucho LTO Ultrium10.

O valor é o maior que a Fujifilm já destinou a instalações dedicadas às fitas LTO. Segundo a empresa, a ideia é atender à demanda crescente por arquivamento de dados e garantir um fornecimento mais estável aos clientes.

Fujifilm investe R$ 344 milhões em fitas magnéticas – Imagem criada por inteligência artificial (ChatGPT / Olhar Digital)

Como a fita ajuda a proteger dados contra ransomware?

Ela ajuda porque o cartucho pode ficar fisicamente isolado das redes, longe do alcance de quem ataca sistemas conectados. O interesse cresce com a sofisticação dos ataques cibernéticos, segundo a Fujifilm. Um exemplo é o ransomware, que bloqueia arquivos e exige pagamento para liberá-los.

Na prática, uma cópia fora da rede funciona como camada extra de segurança para informações que a empresa não pode perder. Isso não significa que a fita substitua os outros formatos. Ela atende ao arquivamento de longo prazo, enquanto discos e memórias rápidas seguem no uso do dia a dia.

O que mudou na fita magnética desde o ano 2000?

Mudou sobretudo o material magnético, que permitiu aumentar a capacidade dos cartuchos geração após geração. Três marcos da Fujifilm ajudam a enxergar essa trajetória.

Três marcos da fita de dados da Fujifilm

📼

2000 · Primeira geração LTOLançamento do FUJIFILM LTO Ultrium1, que abriu a linha de cartuchos de dados da marca.
🧲

2011 · Ferrita de bárioA Fujifilm se torna a primeira do mundo a comercializar partículas de ferrita de bário em fitas.
🚀

2025 · LTO Ultrium10Chega a geração mais recente, com partículas híbridas finas que combinam ferrita de bário e de estrôncio.
Fonte: comunicado oficial da Fujifilm, divulgado em 29 de outubro de 2026.

A geração atual é justamente a que receberá a maior parte da expansão. Com partículas mais finas e propriedades magnéticas reforçadas, ela busca gravar mais dados em cada cartucho.

O que esse retorno revela sobre o futuro dos dados?

O retorno mostra que uma mídia antiga pode voltar ao centro da cena quando surge o problema certo. Com a inteligência artificial produzindo dados sem parar, guardar bem passou a valer tanto quanto processar rápido, inclusive nos data centers. Quem via a fita magnética como relíquia talvez precise rever esse conceito.

E você, já tinha parado para pensar onde ficam guardados todos os arquivos que a nuvem esconde? Conta nos comentários o que você achou dessa virada.

Tags: Armazenamento de dadosFita magnéticaFujifilm
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