Pesquisada desde os anos 1950, a fita voltou ao centro da disputa por dados
A fita magnética parecia peça de museu para boa parte do público. Agora a corrida pela inteligência artificial a transformou em item disputado dentro dos servidores. A Fujifilm decidiu investir cerca de 10 bilhões de ienes, algo próximo de R$ 344 milhões, para quintuplicar a capacidade de produção. O anúncio mostra para onde os dados do mundo estão indo e quem vai guardá-los.
Por que a fita magnética voltou a ser disputada?
Ela voltou ao jogo porque a inteligência artificial gera uma quantidade enorme de dados que precisam ser guardados com segurança e baixo custo. A popularização da IA generativa e dos serviços em nuvem faz o volume de dados gerados no mundo crescer de forma exponencial, segundo a Fujifilm. Esses arquivos precisam de um lugar eficiente para ficar.
A fita entra nessa conta por três qualidades que a própria Fujifilm destaca. Elas explicam por que provedores de nuvem e operadores de data centers ampliaram o uso da mídia nos últimos anos.
- Armazena grandes volumes de dados com custo baixo.
- Guarda as informações por longos períodos.
- Pode ficar fisicamente isolada das redes.

Quanto a Fujifilm vai investir e como será a expansão?
A Fujifilm vai investir cerca de 10 bilhões de ienes, próximo de R$ 344 milhões, na fábrica de Odawara, em Kanagawa. Segundo o comunicado oficial de 29 de outubro de 2026, a empresa quer quintuplicar a capacidade de produção de fitas.
A companhia detalhou o plano em poucos pontos objetivos. Eles ajudam a medir o tamanho da aposta.
- Valor: cerca de 10 bilhões de ienes, aproximadamente R$ 344 milhões.
- Local: fábrica de Odawara, em Kanagawa.
- Prazo: do ano fiscal de 2026 ao de 2028.
- Meta: cerca de cinco vezes a capacidade de expedição do ano fiscal de 2025.
- Foco: novas instalações e mais pessoal, principalmente para o cartucho LTO Ultrium10.
O valor é o maior que a Fujifilm já destinou a instalações dedicadas às fitas LTO. Segundo a empresa, a ideia é atender à demanda crescente por arquivamento de dados e garantir um fornecimento mais estável aos clientes.

Como a fita ajuda a proteger dados contra ransomware?
Ela ajuda porque o cartucho pode ficar fisicamente isolado das redes, longe do alcance de quem ataca sistemas conectados. O interesse cresce com a sofisticação dos ataques cibernéticos, segundo a Fujifilm. Um exemplo é o ransomware, que bloqueia arquivos e exige pagamento para liberá-los.
Na prática, uma cópia fora da rede funciona como camada extra de segurança para informações que a empresa não pode perder. Isso não significa que a fita substitua os outros formatos. Ela atende ao arquivamento de longo prazo, enquanto discos e memórias rápidas seguem no uso do dia a dia.
O que mudou na fita magnética desde o ano 2000?
Mudou sobretudo o material magnético, que permitiu aumentar a capacidade dos cartuchos geração após geração. Três marcos da Fujifilm ajudam a enxergar essa trajetória.
A geração atual é justamente a que receberá a maior parte da expansão. Com partículas mais finas e propriedades magnéticas reforçadas, ela busca gravar mais dados em cada cartucho.
O que esse retorno revela sobre o futuro dos dados?
O retorno mostra que uma mídia antiga pode voltar ao centro da cena quando surge o problema certo. Com a inteligência artificial produzindo dados sem parar, guardar bem passou a valer tanto quanto processar rápido, inclusive nos data centers. Quem via a fita magnética como relíquia talvez precise rever esse conceito.
E você, já tinha parado para pensar onde ficam guardados todos os arquivos que a nuvem esconde? Conta nos comentários o que você achou dessa virada.
