Quem pesquisou o preço de memória para o computador nas últimas semanas, para dar fôlego a uma máquina antiga ou montar uma nova antes das compras de fim de ano, notou que a conta ficou mais alta. Nesse cenário, uma fala de Sam Altman, CEO da OpenAI, empresa do ChatGPT, chamou atenção. Para ele, a memória RAM instalada nos PCs do mundo passa tempo demais sem uso, enquanto falta capacidade para rodar inteligência artificial.
Sam Altman criticou a memória parada nos computadores pessoais
A declaração saiu no episódio do podcast Cheeky Pint publicado em 29 de outubro, conforme a transcrição oficial do Cheeky Pint. O programa é apresentado por John Collison, cofundador da Stripe. Altman comentou o desejo de muita gente por inferência local, ou seja, rodar modelos de IA no próprio aparelho. Segundo ele, “do ponto de vista da alocação global”, é “bem terrível” que cada pessoa guarde parte do suprimento limitado de DRAM do mundo no próprio computador.
O executivo completou que essa memória é usada “5% do tempo”, o que deixa cerca de 95% dele de ociosidade. Num ambiente de oferta tão restrita, defendeu, o ideal é buscar a “utilização máxima na nuvem”. DRAM é o tipo de chip que forma a RAM, a área de trabalho temporária onde o computador guarda o que está usando naquele momento.
A escassez de chips DRAM explica o incômodo do chefe da OpenAI
O comentário tem um pano de fundo concreto: os data centers de IA disputam os mesmos chips de memória que abastecem PCs e celulares. No podcast, Collison citou o ditado econômico de que “a solução para preços altos são preços altos”. Perguntado sobre como isso andava, Altman respondeu “mal” e disse que “a mão invisível está falhando agora”.

A própria OpenAI ajuda a explicar essa pressão. Em outubro de 2025, um comunicado da Samsung sobre a parceria com a OpenAI no projeto Stargate citou uma demanda prevista de até 900 mil wafers de DRAM por mês. Wafers são os discos de silício dos quais os chips são recortados. O número era uma projeção da necessidade da dona do ChatGPT, não um pedido fechado.
A falta de memória já respinga no hardware doméstico, e fabricantes têm revisto planos por causa dela. Um exemplo é o processador antigo que voltou ao mercado justamente por trabalhar com memória DDR4, mais fácil de reaproveitar.

O que Sam Altman quer fazer com a memória ociosa dos PCs?
Ele quer que essa capacidade trabalhe concentrada na computação em nuvem, e não espalhada por milhões de máquinas paradas. Num data center, o mesmo conjunto de memória atende pedidos de muitos usuários quase sem pausa. A comparação é com um carro compartilhado que roda o dia inteiro, em vez de dormir na garagem. Altman não propôs tirar memória de quem já tem PC: a fala trata de onde o suprimento rende mais.
Na mesma conversa, Altman disse que a empresa “sempre quer mais computação” e contou que a OpenAI está criando o próprio chip e aprendendo a construir data centers. O episódio completo, no canal oficial do Cheeky Pint no YouTube, traz o trecho sobre memória e esses planos de infraestrutura.
Memória parada no PC nem sempre é desperdício para o usuário
Os 5% citados por Altman são uma estimativa feita de passagem na conversa e pedem contexto. Sistemas operacionais modernos usam a memória livre como cache, guardando programas e arquivos recentes para abri-los mais rápido. Para quem está diante da tela, RAM sobrando costuma virar agilidade, e não desperdício.
A computação em nuvem tem ganhos reais de escala, mas depende de conexão e leva os dados para servidores de terceiros. Rodar IA no próprio aparelho continua atraente para quem prioriza privacidade ou trabalha sem internet, mesmo exigindo mais memória RAM. O debate aberto pelo chefe do ChatGPT é, no fundo, sobre quem fica com chips escassos.
Para quem está de olho num upgrade ou num PC novo, a fala de Sam Altman não mexe em nada na sua máquina. Ela ajuda a entender por que a memória encareceu e por que a disputa entre data centers e consumidores deve seguir. Antes de comprar, vale abrir o gerenciador de tarefas e ver quanto o seu computador usa de verdade no dia a dia; depois me conta se o seu também passa 95% do tempo folgado.
A memória também explica outro hábito comum de quem cuida da rede de casa. Entenda o que acontece com o roteador quando ele fica meses ligado.
