Um gigante do Atlântico Sul deu à luz numa praia gaúcha
Você sabia que um parto assim nunca havia sido documentado no Rio Grande do Sul? A história da mãe e do filhote tem detalhes que poucos conhecem. ⬇️
Uma mãe, um recém-nascido e uma faixa de areia viraram o centro de um evento inédito no litoral gaúcho. Na tarde de 7 de outubro, um filhote de elefante-marinho-do-sul veio ao mundo na Praia do Cassino, em Rio Grande. A cena passou a mobilizar cientistas e curiosos. Segundo o Núcleo de Educação e Monitoramento Ambiental (Nema), é o primeiro nascimento da espécie documentado no estado e o terceiro do Brasil.
O que aconteceu na Praia do Cassino com o filhote?
Uma fêmea deu à luz um filhote de elefante-marinho na quarta-feira, perto da região da Querência, e já era acompanhada pelas equipes antes do parto. Depois do parto, o Nema e o Centro de Recuperação de Animais Marinhos (CRAM-FURG) reforçaram o monitoramento. A área foi isolada para evitar interferências nos primeiros dias do recém-nascido. No fim de semana e no feriado de 12 de outubro, centenas de pessoas foram ver a cena.

Por que o nascimento é tão raro no Brasil?
Porque a espécie se reproduz longe do litoral brasileiro. Os elefantes-marinhos-do-sul, de nome científico Mirounga leonina, vivem principalmente perto da Antártida e da Patagônia argentina, onde ficam as grandes colônias reprodutivas. Aqui, aparecem de forma ocasional durante deslocamentos longos, e os partos fora dessas áreas são incomuns. Os outros dois nascimentos conhecidos no país ocorreram em praias de Santa Catarina.
Os pesquisadores registram essas visitas há décadas. Um levantamento científico de 2020 reuniu oito avistamentos de jovens da espécie no país, três deles no Rio Grande do Sul.
O estudo trata de avistamentos de jovens, e não de partos na praia. Os autores especulam que a chance de sobrevivência de recém-nascidos e filhotes numa jornada tão longa desde a Patagônia seria pequena. Um parto no litoral gaúcho foge, portanto, do padrão conhecido.
Como vive o elefante-marinho e o que acontece na amamentação?
O elefante-marinho passa grande parte da vida no oceano e depende da terra para se reproduzir, amamentar e trocar de pelagem. Esse pinípede pertence ao mesmo grupo das focas, dos lobos-marinhos e dos leões-marinhos.
A amamentação é a fase mais sensível para mãe e filhote. Ela dura cerca de três semanas e segue um roteiro conhecido.
- A fêmea fica em terra e usa as reservas de energia do próprio corpo para produzir leite.
- O filhote ganha peso rapidamente enquanto mama.
- Em Garopaba, em Santa Catarina, a fêmea voltou ao mar após cerca de 20 dias do parto de 2024, e o filhote ficou por mais alguns dias.
Como observar mãe e filhote sem causar problemas?
Com distância, silêncio e respeito à área isolada pelas equipes. As orientações do Nema e do CRAM-FURG para esse tipo de ocorrência são simples:
- Respeite a área isolada e não tente entrar nela.
- Evite aproximações e fotografias de perto.
- Mantenha cães e outros animais domésticos afastados.
- Não faça barulho nem forme aglomerações perto do local.
- Não ofereça alimento nem tente devolver o animal à água.
A distância exata varia conforme o caso. No parto de Garopaba, em 2024, os especialistas pediram ao menos 50 metros dos animais. No Cassino, vale obedecer ao perímetro definido pelo Nema. Um jovem avistado no Rio de Janeiro, descrito no mesmo estudo, voltou ao mar provavelmente estressado pela presença de cães.

O que esse nascimento ensina sobre o litoral brasileiro?
O parto no Cassino mostra que a costa brasileira pode, de vez em quando, servir de berço improvisado para um gigante dos mares austrais. Cada registro como esse pode deixar os pesquisadores mais perto de entender as rotas e os riscos do animal no Atlântico Sul.
E você, já cruzou com algum animal marinho descansando na areia? Conte nos comentários como foi a experiência e compartilhe este texto com quem ama praia.
