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Reflexão do dia de Lionel Messi:”Fiz de tudo para chegar na melhor forma possível, porque a minha maneira de aproveitar é me sentindo bem, me sentindo útil para a equipe.” 

Vanessa Ramos Vanessa Ramos
20/07/2026 06:07
Reflexão do dia de Lionel Messi:"Fiz de tudo para chegar na melhor forma possível, porque a minha maneira de aproveitar é me sentindo bem, me sentindo útil para a equipe." 

Messi explicou em uma frase por que só consegue aproveitar quando se sente útil (Foto: Instagram @leomessi)

⚽ Ele não disse que quer curtir o jogo. Disse que só curte quando se sente útil.

A frase de Messi antes da final da Copa do Mundo de 2026 diz mais sobre propósito do que sobre futebol. Para ele, “aproveitar” não é apenas estar em campo. É contribuir. A psicologia positiva explica por que esse raciocínio vale para qualquer pessoa em qualquer profissão ⬇️

“Fiz de tudo para chegar na melhor forma possível, porque a minha maneira de aproveitar é me sentindo bem, me sentindo útil para a equipe.” A declaração de Lionel Messi foi dada a jornalistas durante a Copa do Mundo de 2026 nos Estados Unidos, dias antes de disputar sua terceira final mundial. Aos 39 anos, com o corpo exigindo mais tempo de recuperação a cada partida, ele não falou de títulos, prêmios ou recordes. Falou de utilidade. E essa escolha de palavra diz mais sobre a natureza humana do que qualquer palestra motivacional.

O que Messi quis dizer com “minha maneira de aproveitar”?

Quis dizer que presença e relevância são coisas diferentes. Estar em campo não garante satisfação. Contribuir para o resultado, sim. Messi descreveu um mecanismo que a psicologia identifica como um dos pilares do bem-estar: a sensação de que aquilo que você faz importa para alguém além de você.

O psicólogo americano Martin Seligman, criador da psicologia positiva na Universidade da Pensilvânia, desenvolveu nos anos 2000 o modelo PERMA, que identifica cinco elementos essenciais para o bem-estar duradouro. Um deles é o Meaning, traduzido como sentido ou propósito. Seligman concluiu que pessoas que encontram significado no que fazem, que sentem que sua ação contribui para algo maior do que elas mesmas, apresentam níveis mais altos de satisfação e mais baixos de esgotamento emocional.

Messi não usou linguagem acadêmica. Mas descreveu exatamente esse pilar. Para ele, aproveitar a Copa do Mundo não é viver o evento como espectador privilegiado dentro de campo. É se preparar fisicamente ao limite para ter condições de decidir uma jogada, criar uma chance, resolver um jogo. Se não puder fazer isso, a experiência perde valor.

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Um post compartilhado por Leo Messi (@leomessi)

Por que sentir-se útil impacta mais a autoestima do que o sucesso individual?

Porque a autoestima saudável se constrói na contribuição, não na acumulação. Quem coleciona conquistas sem sentir que elas serviram para algo tende a experimentar um vazio que prêmios não preenchem. Quem sente que sua presença fez diferença para um grupo carrega uma satisfação que independe de troféus.

A Teoria da Autodeterminação, desenvolvida pelos psicólogos Edward Deci e Richard Ryan na Universidade de Rochester, reforça esse ponto. Segundo o modelo, três necessidades psicológicas básicas sustentam a motivação humana: competência, autonomia e vínculo social. Sentir-se útil ativa as três ao mesmo tempo.

Dois exemplos ilustram como isso funciona fora do esporte:

  • Um profissional que domina sua área (competência), tem liberdade para tomar decisões (autonomia) e percebe que seu trabalho melhora a vida da equipe (vínculo) tende a relatar mais satisfação do que alguém que ganha mais mas se sente dispensável.
  • Um voluntário que dedica horas a um projeto comunitário sem remuneração pode experimentar mais propósito do que um executivo bem pago que não enxerga impacto no que entrega.

Messi tem oito Bolas de Ouro, duas Copas do Mundo e mais de 800 gols na carreira. Ainda assim, condicionou sua alegria não ao troféu, mas à utilidade. Isso não é falsa modéstia. É clareza sobre o que sustenta a motivação quando tudo o mais já foi conquistado.

Como a frase de Messi se aplica à carreira de qualquer pessoa?

De forma direta. Troque “equipe” por “empresa”, “família” ou “comunidade” e a lógica permanece. A pergunta que Messi se faz antes de cada jogo, “estou em condições de contribuir?”, é a mesma que alimenta ou corrói a autoestima de qualquer profissional.

Estar presente vs. sentir-se relevante: o que a ciência mostra

👤

Presença sem propósito

Cumprir horário, entregar o mínimo, ocupar uma cadeira. A pessoa está no lugar certo, mas não sente que faz diferença. O resultado é desengajamento progressivo, queda de autoestima e sensação de invisibilidade.

🤝

Contribuição percebida

A pessoa sabe que seu trabalho impacta o resultado do grupo. Recebe retorno, enxerga consequência nas ações e sente que alguém precisou do que ela entregou. O engajamento se sustenta mesmo em tarefas difíceis.

🧠

O que a psicologia positiva confirma

O modelo PERMA de Martin Seligman inclui o “sentido” como um dos cinco pilares do bem-estar. Pessoas que percebem propósito no que fazem apresentam mais resiliência, menos esgotamento e maior satisfação de vida.

Fonte: modelo PERMA (Seligman, 2011) e Teoria da Autodeterminação (Deci & Ryan, 2000), referenciados via PEPSiC/BVS-Psi.

Quando a sensação de inutilidade aparece, o que acontece com a autoestima?

Ela desmorona por dentro, mesmo que por fora tudo pareça funcionar. A pessoa continua comparecendo, cumprindo prazos, recebendo salário. Mas perde a energia que vem de se sentir parte de algo. A psicologia organizacional chama esse estado de presenteísmo: o corpo está, a mente já foi.

Três sinais indicam que a sensação de inutilidade está corroendo o propósito de alguém:

  1. Indiferença ao resultado. A pessoa entrega o trabalho e não se importa com o que acontece depois. Não pergunta, não acompanha, não celebra. O vínculo com a consequência da ação se rompeu.
  2. Comparação constante sem ação. Em vez de buscar formas de contribuir mais, a pessoa observa o desempenho dos outros e conclui que não tem espaço. A paralisia substitui a iniciativa.
  3. Desconexão do grupo. A frase muda de “nós fizemos” para “eles fizeram”. A pessoa deixa de se incluir no resultado coletivo, mesmo quando participou do processo.

Messi poderia facilmente cair nesse padrão. Aos 38 anos, cercado de jogadores mais jovens e mais rápidos, a tentação de se contentar com a presença seria compreensível. Ele recusou. Preferiu se preparar ao limite para ter o direito de se sentir relevante. E nessa decisão está a lição mais valiosa da frase dele.

Como recuperar o senso de utilidade quando ele se perde?

Fazendo o que Messi descreveu: preparando-se para estar à altura da contribuição que deseja oferecer. Sentir-se útil não é esperar que alguém reconheça seu valor. É investir em si para ter algo real a oferecer quando a oportunidade aparecer.

A psicologia positiva sugere três movimentos práticos:

  • Identifique qual é a sua contribuição mais genuína para o grupo em que está inserido. Nem sempre é a mais visível. Pode ser organização, escuta, execução silenciosa ou capacidade de resolver o que os outros evitam.
  • Busque retorno honesto. Pergunte diretamente a colegas, líderes ou familiares em que você faz diferença. A percepção alheia muitas vezes revela impactos que a pessoa não enxerga sozinha.
  • Cuide da base. Saúde física, sono, alimentação e movimento sustentam a capacidade de contribuir. Messi não disse que treinou para ganhar troféu. Disse que treinou para se sentir bem. O bem-estar veio antes do resultado.

No fim, aproveitar é mesmo sinônimo de contribuir?

Para quem encontrou propósito, sim. A frase de Messi derruba a ilusão de que aproveitar a vida é estar presente sem compromisso. Para ele, e para qualquer pessoa que já sentiu a diferença entre ocupar um lugar e preencher esse lugar com relevância, aproveitar é se sentir necessário. Não por ego. Por pertencimento.

Se essa reflexão fez sentido para você, leve-a para o seu dia. Antes de reclamar que não está aproveitando, pergunte-se: estou me preparando para contribuir? A resposta honesta pode mudar mais do que uma manhã. Pode mudar a forma como você se enxerga.

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