Games e Consoles

phil spencer

Chefe do Xbox elege Amazon e Google como competidores, e não Sony e Nintendo

Renato Santino 05/02/2020 14h02
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Empresa vê os games em nuvem como o próximo passo da popularização dos videogames, e empresas mais tradicionais do setor estão tecnologicamente diferentes

A nova geração de consoles chega no fim do ano, mas a visão da Microsoft para o futuro dos videogames é bem diferente do que existe no mercado atualmente. Em entrevista, Phil Spencer, chefe da divisão de Xbox na companhia, revelou que seus grandes rivais no mercado não são Nintendo e Sony, mas sim duas companhias que ainda não têm muito nome no mundo de games: Google e Amazon.


A lógica de Phil Spencer em sua entrevista ao site Protocol é simples. A companhia prevê que em um futuro não muito distante, os jogos em nuvem serão cada vez mais importantes na indústria, e Google e Amazon são as empresas posicionadas tecnologicamente para disputar por este espaço com a Microsoft. São as três companhias com maior distribuição de datacenters pelo planeta, com serviços robustos de nuvem, como Amazon Web Services, Google Cloud e Azure, que podem sustentar a demanda por games via streaming.

“Quando você fala sobre a Nintendo e a Sony, nós temos muito respeito por elas, mas vemos Amazon e Google como os principais competidores no futuro. Isso não é para desrespeitar a Nintendo e a Sony, mas as empresas de jogos tradicionais estão um pouco fora de posição. Eu acredito que eles possam recriar o Azure, mas nós já investimentos dezenas de bilhões de dólares na nuvem ao longo dos anos”, disse Spencer.

A estratégia não chega a ser surpreendente, uma vez que a Microsoft já tem defendido há algum tempo que a disputa no mercado de videogames não é mais sobre vender consoles, e sim sobre quem consegue alcançar mais consumidores, o que não tem necessariamente a ver com a venda de uma máquina dedicada a jogos. Os games em nuvem têm o potencial de alcançar mais pessoas reduzindo a barreira de entrada do custo do console, permitindo que o conteúdo seja jogado em um celular, em um tablet, em um notebook ou em uma TV conectada sem muita burocracia.

“Eu não quero estar em uma guerra de formatos com esses caras [Sony e Nintendo] enquanto Amazon e Google estão focando em como levar os jogos para 7 bilhões de pessoas ao redor do mundo. Essa é meta definitiva”, diz Spencer.

Claro que para chegar a este ponto será necessário fazer os games em nuvem mais viáveis. Países de economia mais desenvolvida concentram mais datacenters e contam com uma infraestrutura de rede mais robusta, mas boa parte do mundo não está preparada para ter uma experiência de jogo satisfatória via streaming. Entre os problemas estão uma velocidade média baixa de internet e uma latência alta, principalmente pelo fato de não haver um datacenter próximo dos usuários. Isso criaria uma experiência ruim com o famoso lag, que inviabiliza jogos que exigem ação mais rápida, como os de luta e de tiro.

No entanto, não há como discordar da visão da Microsoft sobre Sony e Nintendo de uma perspectiva tecnológica. Se os games por streaming realmente ganharem força nos próximos anos, Nintendo e Sony não têm como competir em escala com Amazon, Google e Microsoft. A situação é tão clara que a própria Sony já fechou uma parceria com a Microsoft para usar a plataforma Azure como base para seus serviços de jogos em nuvem. Não seria surpresa se a Nintendo fosse forçada a fazer o mesmo; o acordo pode não ser com a Microsoft, mas não teria como fugir de Google e Amazon.

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