Anomalia no campo magnético da Terra é mais antiga do que pensávamos

Novas análises sugerem que a Anomalia do Atlântico Sul é algo recorrente, e não um sinal de reversão dos polos magnéticos do planeta

Vinicius Szafran, editado por Daniel Junqueira 24/07/2020 18h59
Anomalia do Atlântico Sul. Imagem:
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O campo magnético da Terra tem sofrido com uma certa instabilidade. Uma região em particular, que se estende da África à América do Sul, sobre o Atlântico Sul, sofreu um grave enfraquecimento desde a década de 1950. O campo magnético age como uma manta protetora para o planeta, protegendo-o das partículas carregadas que se movimentam no espaço, então esse enfraquecimento causou preocupação.


A região, conhecida como Anomalia do Atlântico Sul (SAA), parece estar se dividindo em duas. Segundo alguns cientistas, isso poderia prever uma reversão de nossos polos magnéticos, o que causaria estragos na rede de eletricidade e nos sistemas de navegação.

No entanto, um novo estudo, publicado na Proceedings of the National Academy of Sciences nesta segunda-feira (20), sugere que essas estranhas mudanças na região podem não ser tão incomuns quanto parecem. Na verdade, essa situação é bem regular na SAA, ao menos se pensarmos no relógio universal.

Pesquisadores da Universidade de Liverpool analisaram rochas de erupções vulcânicas ocorridas entre oito e 11 milhões de anos atrás. Estudos anteriores mostraram que a anomalia existe há mil anos ou mais, mas os cientistas de Liverpool conseguiram voltar ainda mais no tempo.

Reprodução

Anomalia do Atlântico Sul, representada em azul. Imagem: Divisão de Geomagnetismo, DTU Space/ESA

Para a pesquisa, foram coletadas 225 amostras de 46 locais diferentes na ilha de Santa Helena, localizada no Atlântico Sul - na região da anomalia - e lar de dois vulcões formados há oito e 11 milhões de anos.

Rochas vulcânicas são uma janela para o passado, porque permite aos pesquisadores entender como era o campo magnético da Terra em tempos antigos. Quando os fluxos de lava esfriam e endurecem, os minerais que ficaram presos em seu interior registram a intensidade e a direção do campo magnético no local no momento da erupção.

"Nosso estudo fornece a primeira análise de longo prazo do campo magnético nessa região, datada de milhões de anos", afirmou Yael Engbers, estudante de doutorado da Universidade de Liverpool e um dos autores da pesquisa. "Isso sugere que a Anomalia do Atlântico Sul é uma característica recorrente e provavelmente não é um sinal de reversão iminente".

A hipótese dos pesquisadores é de que essas descobertas apoiam a ideia as interações nas camadas mais internas da Terra provavelmente são responsáveis pelo enfraquecimento do campo magnético. Eles descobriram uma enorme região de rocha no manto da Terra, por baixo da anomalia, apelidada de Província Africana de Alta Velocidade e Baixo Cisalhamento (ALLSVP). Alterações na composição geoquímica no ALLSVP podem estar causando as alterações na SAA.

"Isso nos aproxima de ligar o comportamento do campo geomagnético diretamente às características do interior da Terra", explicou Engbers.

Entender essa anomalia será importante para pesquisas espaciais e poderá afetar a segurança dos satélites no futuro. Acredita-se que o Hitomi, telescópio da agência espacial japonesa, tenha sido afetado pela anomalia. Ao passar pela SAA em 2016, Hitomi sofreu um problema de comunicação. Depois disso, perdeu altitude e se quebrou.

Nessa região, o campo magnético é mais fraco porque o eixo magnético da Terra está levemente descentralizado. Por isso, o cinturão de radiação interna se aproxima do planeta, de forma que as naves espaciais que atravessam a SAA ficam mais expostas aos perigos da radiação espacial.

Via: CNET

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